No seu último artigo de “opinião” no folhetim a que uns poucos, cada vez menos,
felizmente, continuam a querer chamar de jornal - Sol, José António Saraiva (o
director da publicação
panfletária) decidiu debruçar-se sobre um tema em relação ao qual,
ultimamente, se tem revelado um “connaisseur” – a
homossexualidade.Não faço ideia de onde lhe vem tamanha ciência, mas, assumo, começo
a suspeitar que, nalgum momento, tenha tido acesso a informações mais
“profundas” sobre a matéria, se é que me faço entender...
Passemos, todavia, adiante, porque o que aqui nos ocupa são
as extraordinárias capacidades de JAS para adivinhar a orientação sexual alheia
através da “inclinação da cabeça” e de prever e explicar as tendências
demográficas daquilo a que chama a “comunidade gay” e não as preferências da
criatura. (Ainda que, a obsessão com a matéria, fizesse com que qualquer motard algarvio exclamasse que o senhor
“tem um piquinho a azedo”).
A crónica a que me venho referindo abre com o seguinte
parágrafo, no estilo quase literário a que, quando o conseguimos levar a sério,
o que, graças a Deus, raramente acontece, JAS nos vem habituando:
«À minha frente, no elevador, está um rapaz dos seus 16 ou
17 anos. Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra
e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que é gay”.
Ontem, a primeira vez, provavelmente, que li alguma coisa do
«Sol», fiquei logo entusiasmado com o estilo quase neo-realista do trecho e, rapidamente,
me consegui imaginar no citado ascensor, bem ao lado do jornalista e do
adolescente visado. E quase podia ver JAS, no seu sonho (molhado, como dizia no
fb o D.), com a sagacidade habitual com que desmonta as mais complexas intrigas
políticas, a desvendar as preferências e, quem sabe, mesmo as posições sexuais
predilectas do jovem. Tudo isto, superando qualquer velha cigana de Belém,
somente através da leitura da posição dos pés, mãos e cabeça do sujeito.
Esta visão serve de mote para que o articulista avance, como
é seu hábito, duas “brilhantes” e “iluminadas” conclusões – que o Chiado é um
“lugar de preferência da comunidade gay” e que é um “facto notório” que esta
comunidade “tem vindo a crescer”.
O alargamento do número de homossexuais, explica-o JAS pela
influência de amigos ou figuras públicas, por pressão do meio e pela utilização
da homossexualidade como forma de expressão de rebeldia e irreverência.
Quando fala da pressão do meio, esclarece JAS, refere-se,
nomeadamente, ao mundo da moda, onde o fenómeno se dá de forma “clara” – deve
estar, certamente, a pensar no duo Carlos Castro/Renato Seabra. Assim, os
modelos, estilistas e restante entourage são, segundo JAS, gays, simplesmente porque o contexto laboral é, predominantemente, homossexual. Que brilhante e científica conclusão! Não diz, o "jornalista", o mesmo das manequins, com certeza porque não acredita que mulheres tão bem aperaltadas e "femininas" possam ser lésbicas...novamente porque, mesmo no preconceito, JAS é básico.
José António, em primeiro lugar, nem todos os pais do mundo e, felizmente, cada vez menos, têm a mesma visão bacoca da liberdade sexual que o José preconiza e, graças a Deus, a maior parte dos membros da nossa sociedade, hetero e homossexuais, já compreendeu que não precisa, nem quer, que cada foda lhes traga mais do que um orgasmo (e só de pensar em filhos, até perdiam a tesão toda). Por outro lado, não lhe parece, José, que há formas menos dolorosas (psicologicamente...e fisicamente, talvez) de ser "contestatário" que não envolvam a vivência de um tipo de sexualidade para a qual a pessoa não tem nenhum tipo de "propensão"? Ou o José, quando quer ser "contestatário", também se imagina logo em elevadores esconsos a galar jovenzinhos (gays) imberbes?
Às vezes, os seus escarros jornalísticos indicam que sim!





