quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Caça ao sexo nos túneis do metro.



O Público de ontem resolveu noticiar a recusa do Metro de Lisboa de acolher publicidade a um site de encontros (sexuais) gay. Uma notícia que, de resto, já havia sido avançada, no dia 25 do mês passado, pelo site dezanove.pt. Surpreenderam-me, sobretudo no site do Público, os comentários dos leitores. Estava, honestamente, à espera de um chorrilho de disparates sobre a promiscuidade homossexual, riscos assumidos pelo grupo na busca incessante de sexo e de como a existência daquele tipo de sites prejudicava a imagens dos gays. Não foi, na esmagadora maioria dos casos, o que encontrei. E os gays que, suposta ou realmente, não usam o serviço e que não querem ser "confundidos" com os utilizadores foram os principais portadores daquele tipo de dizeres, o que só reforça aquela ideia de que são as próprias classes discriminadas quem mais contribuiu para a discriminação própria.

A maior parte dos cidadãos comuns heterossexuais que não sofrem de desequilíbrio mental grave não parecem ter ficado, minimamente, preocupados com a possibilidade de se terem de defrontar com aquele tipo de publicidade. Finalmente, estamos a caminhar para um mundo em que as pessoas se apercebem que (quase) toda a gente gosta de sexo e que, para alguns, é perfeitamente natural simplificar o flirt, aumentar as possibilidades e escrutinar os "candidatxs" utilizando a internet.

É bom, contudo, saber que o Metro de Lisboa anda tão preocupado com a moral e os bons costumes. Assim, mesmo a cair de podre por supostas faltas de financiamento e a explorar arduamente os passageiros, quando a sociedade, à superfície, se despudorar na totalidade, vamos poder sempre refugiar as nossas crianças e velhinhas nos túneis do metropolitano.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Famílias.




Sobre as declarações de criaturas como a Isilda Pegado e outros seguidores das plataformas pela vida (vida, obviamente, definida segundo os ditames da Dra. Isilda ou, em substituição, na melhor das hipóteses, pelo Sumo Pontífice) acerca das propostas de lei recentemente apresentadas para regular a procriação medicamente assistida (PMA) tenho-me posto a pensar sobre a família. E sobre aquilo que a sociedade pode, conjuntamente, determinar para todas as famílias.

Para pessoas como a Isilda Pegado, a família é tudo. Os arrepiantes movimentos semi-religiosos que seguem se não têm vida no nome, terão, obrigatoriamente, qualquer expressão que nos remeta, imediamente, para a apologia da família. E melhor seria, penso eu, que pudessem conjugar as duas referências num enorme Movimento pela Vida da Famíla, ou Vida em Famíla, o que os aproximaria imenso do vocabulário da Igreja Católica.

Defendem a "família", dizia eu, mas não a globalidade das famílias, como é lógico. Ou melhor, na sua mente ultra-perversa, até acham que estão a defendê-las a todas, porque desconsideram todas aquelas que não se enquadram no estereótipo de família "tradicional" que têm na cabeça - dois pais (um homem e uma mulher), um número indeterminado de filhos, mas de preferência mais do que um (afinal, uma das bandeiras dos desvairados é a natalidade) e, eventualmente, avós. (E sobre esta questão da família "tradicional" tanto se podia dizer. É que, na verdade, se formos analisar as coisas com algum detalhe e franqueza vamos descobrir que a tradição, no fim de contas, tem muito poucos anos...).

Eu também tenho uma ideia daquilo que considero ser uma família e uma ideia da família que quero para mim. Isso não faz, contudo, que eu queira ou me sinta no direito de impor estas minhas concepções a quem quer que seja. E também não considero que os filhos que espero vir a ter hão-de ficar imensamente traumatizados se tiverem de contactar com agregados de tipo diferente daquele que conheceram à partida ou que a televisão lhes transmite. É natural e até benéfico que isso aconteça, porque, dessa forma, poderão escolher, com toda a liberdade, o tipo de família que querem vir a constituir e de que eu, na circunstância que eles definirem, espero vir a fazer parte.

Se uma mulher não sente a puta do instinto maternal, pois que não sinta, está no seu direito e é tão mulher como aquelas que o sentem. Se um homem quiser ter um filho com outro homem, pois que o tenha se puderem proporcionar à criança um futuro relativamente saudável. E se três pessoas, que se amam, que se respeitam, que vivam em comunhão de sentimentos, quiserem e tiverem as capacidades necessária para adoptar uma criança, façam-no!

E eu não tenho nada com isto, não opino, não comento, não me oponho, se me provarem que as crianças acolhidas nestes lares vão crescer saudáveis e felizes - na medida do possível, porque numa família tradicional ninguém anda a medir o grau de felicidade dos rebentos. A sociedade deve, então, imiscuir-se o menos possível na regulação das tipologias familiares e, simplesmente, acompanhar - com o sistema jurídico - as estruturas que a realidade vai criando e em que podemos observar que existe algum grau de felicidade.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A direita fasço-liberal e a "inevitabilidade" do aprofundamento das desigualdades económicas.



Um estudo comparativo elaborado pela Comissão Europeia com o objectivo de avaliar o impacto potencial sobre o rendimento das medidas de austeridade aplicadas, entre 2008 e Junho de 2011, por seis países europeus que atravessam crises orçamentais - Portugal, Grécia, Irlanda, Estónia, Reino Unido e Espanha, concluiu que Portugal foi o único país em que as classes mais desfavorecidas foram substancialmente mais atingidas em relação àquelas que auferem de rendimentos mais elevados. Especialistas portugueses ouvidos pelo Público tendem a concordar que a política do actual governo só pode levar a resultados semelhantes aos que foram registados pelo desastroso consulado do “eng.” José Sócrates.

Assim, em Portugal, no período que medeia entre 2008 e meados de 2011, os mais pobres sofreram uma quebra de 6,1% no rendimento, enquanto aqueles que mais têm perderam 3,9%, cerca de 35% menos. As políticas da direita parlamentar (PS+PSD+CDS) têm, sob a capa de uma falsa inevitabilidade, levado, então, à destruição dos ideais da Revolução de Abril que ficaram plasmados na Constituição da República Portuguesa e que preconizavam, designadamente, a “correcção das desigualdades na distribuição da riqueza e do rendimento” (Artigo 81.º da CRP - Incumbências prioritárias do Estado)

E atente-se que esta situação, segundo o estudo da Comissão, acontece somente no nosso país. As medidas de “austeridade” financeira levadas a cabo por outros países que sofreram as consequências negativas do desregulamento inerente ao sistema capitalista mundial não tiveram como resultado claro o aprofundamento das desigualdades económicas.

Desta forma, convém que estejamos alerta para o facto de que é da mais elementar justiça social e humana que, quando se exigem sacrifícios a um povo, sejam os mais aptos, os mais capazes de os enfrentar a sofrê-los de uma forma mais intensa. É assim que, diz-nos Boaventura de Sousa Santos, se pede aos jovens para fazerem a guerra e não aos octogenários. De forma similar, quando um Estado se encontra em bancarrota, o seu socorro deve ser feito, preferencialmente, atingindo as minorias que auferem de proveitos superiores, poupando uma maioria que se debate, todos os meses, para pagar as contas da luz ou da alimentação dos filhos. E isto deve ser feito desta maneira até por razões de eficiência da máquina fiscal, e não apenas por causa da incumbência constitucional de minorar as diferenças de detenção de riqueza.

Não é, de uma forma muito evidente, aquilo que tem vindo a ser feito em Portugal. Não, repito, porque seja inevitável que as coisas se passem assim no combate à “crise”, mas porque a direita portuguesa se encontra comprometida com um conjunto de interesses que só se compaginam com o empobrecimento da maioria do povo português. Como demonstram o caso dos restantes países examinados pela Comissão Europeia, a diminuição do défice pode ser realizada sem comprometer as políticas de diminuição da desigualdade social.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Que pena...



Neste vídeo podemos ver um casal de homossexuais a saber que vão ser avós.

“Se um homem se deitar com outro homem como quem se deita com uma mulher, ambos praticaram um acto repugnante. Terão que ser executados, pois merecem a morte”.
Levítico 20,13

Ahhh, que pena! Logo agora que estavam tão felizes...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A "invasão de Goa" e a hipocrisia do fascismo.



Neste período de entre-festas, aqui fica uma pequena reflexão dedicada a todos aqueles saudosistas do império fascista português e do patético regime do ditador Salazar - porque nós, aqui, não esquecemos!

Fez, na semana passada, 50 anos que principiou a queda do último império português, ironicamente no espaço onde o primeiro se tinha estruturado: a Índia. A União Indiana, liberta dos grilhões do colonialismo inglês em 1947, perdeu, a 18 de Dezembro de 1961, a paciência com a ridícula ditadura salazarista, invadindo os território de Goa, Damão e Diu (e anexos), que compunham o Estado Português da Índia.

De um ponto de vista histórico, o que foi dito não é, inteiramente, verdade, na medida em que, no Verão do ano de 1961, a República do Daomé já havia ocupado a dependência portuguesa do Forte de S. João Baptista de Ajudá, que Salazar mandou incendiar previamente. A diminuta dimensão da dependência e o simbolismo das possessões indianas (como marca da génese imperial portuguesa) fazem com que o acontecimento a que primeiramente me referi marque, de uma forma mais certeira e consistente, o começo do desmantelamento do colonialismo português, sobretudo porque demonstraram de uma forma mais evidente a hipocrisia do regime salazarista e a falta de respeito que o mesmo tinha pela vida humana.

Aquando do ultimato indiano para abandonarmos as possessões coloniais, Salazar ordenou a Manuel Vassallo e Silva, último Governador do Estado Português da Índia, que resistisse até à morte. A ordem ainda se poderia compreender, ainda que continuasse a ser inaceitável por já terem sido ultrapassados, na altura, todos os prazos do imperialismo, se o hediondo governo português tivesse armado e treinado propriamente o contingente militar goês. Isto não aconteceu e os cerca de 3.500 soldados portugueses tiveram de enfrentar um exército 10 vezes superior em número, contando, em muitos casos, com armamento que datava do séc. XIX(!!).

Salazar desejava um banho de sangue que poderia invocar nas Nações Unidas e perante a Comunidade Internacional. Por uma carta diplomática, o ditador português jogava a vida de mais de três milhares de portugueses. Valeu, aos militares nacionais e a todos os habitantes do território, o bom senso de Vassallo e Silva que, contrariando ordens expressas de Salazar, optou pela rendição. Foi, por essa razão, perseguido pelo regime fascista português até ao 25 de Abril. Os soldados portugueses, por causa da estupidez e do atraso de Salazar, penaram largos meses em prisões indianas - eram prisioneiros de guerra e como Lisboa se recusava a negociar a rendição e sancionar a libertação de Goa, Damão e Diu, a União Indiana não possuía expediente diplomático que lhe permitisse a libertação dos militares.

Seis meses depois, acabaram por ser libertados pelas autoridades indianas, que não tinha nenhum interesse em manter uma posição revanchista em relação ao regime colonialista português. Em Portugal, estes homens foram recebidos como traidores, como aqueles que "tinham entregue" os territórios indianos, sofrendo represálias devidas, unicamente, ao facto de terem obedecido às ordens sensatas do seu comandante-chefe (Vassallo e Silva), que mais não fez do que reconhecer a inevitabilidade da derrota perante a desproporção de forças.

E assim se conta mais uma página negra do fascismo português, colorida, apenas, pelo facto de ter significado uma machadada simbólica de alguma magnitude no sistema colonialista português, opressor na Europa, África e Ásia.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Christopher Hitchens



Christopher Hitchens foi um homem que, entre outras coisas, toda a sua vida lutou contra a discriminação, o preconceito e a estupidez. E, diz-nos o catolicismo, está neste momento a arder no inferno.

É nestes momentos que não podemos deixar de sentir inveja daqueles que estão descansadinhos a arder no inferno, enquanto nós aqui a andamos a aturar católicos, muçulmanos, judeus e demais superstições.

Obituário no New York Times.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Portugal devia “marimbar-se” para os credores


Não me digam que vou ter de votar PS nas próximas eleições...

“A primeira responsabilidade de um primeiro-ministro é tratar do seu povo. Na situação em nós vivemos, estou-me marimbando para os credores e não tenho qualquer problema enquanto político e deputado de o dizer. Porque em primeiro lugar, antes dos banqueiros alemães ou franceses, estão os portugueses”

Alguém consegue discordar?