sábado, 15 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
A "queca habitual", uma crónica de maus costumes.

Nos tempos que correm, tornou-se habitual teorizar sobre o sexo sem compromisso como se de uma realidade nova se tratasse. Não o é inteiramente, mas as expressões que foram aparecendo para caracterizar o fenómeno quando este adquire carácter de habitualidade têm interesse e vale a pena, sobre as ditas e sobre os comportamentos e regras que estão implícitos à sua prática, divagar um pouco.
A "queca habitual" (tradução liberal do inglês fuck buddy) refere-se à prática de sexo sem compromisso com uma mesma pessoa por um período de tempo relativamente alargado. Não tenho a certeza de quando tempo é necessário para qualificar uma "queca" como "habitual", mas creio que terá, pelo menos, de ultrapassar os dois meses de encontros intermitentes. A inexistência de compromisso significa que qualquer das partes apenas pode exigir da outra comportamentos que estejam (directamente) relacionados com a prática sexual. Sentimentos, fidelidade, conversas, intelectualidades, cafés, saídas á noite, cinemas, carinho, atenção ficam de fora. O encontro tem o propósito bem definido e qualquer afastamento em relação ao estipulado faz perigar a "relação" de sexo habitual-ocasional. A "queca habitual" existe para satisfazer "necessidades físicas", e nada mais.
Agora, grita a veia puritana que palpita cá dentro, alguém acredita nisto? Que é possível afastar sentimentos, necessidades intelectuais, complexos, medos, da trapalhada que é o sexo? Que é possível trilhar os caminhos da complexidade de uma relação sexual satisfatória com alguém com quem não se fala, num relacionamento onde não existe, pelo menos, preocupação, carinho, numa situação onde não se recebe um mínimo de atenção, onde não se ultrapassa o físico, o animalesco? E que interesse tem uma relação deste tipo, em que momento ultrapassa a "punheta"? É assim tão diferente, tão proveitosa a masturbação com um corpo alheio?
Eu não consigo estabelecer relacionamentos desta índole. E mais, não consigo, tão-pouco, concebê-los. No fundo, que interesse pode ter reduzir a profusão de elementos que compõem a existência humana ao factor físico-sexual? Como se pode foder com alguém e depois deixá-lo ir sem mais? Se calhar, no meio do meu idealismo político, ideológico e existencial, quero encontrar no sexo relações que não devem/podem lá ter lugar. Não sei, mas prefiro, por agora, continuar a acreditar que uma pessoa, qualquer que seja, por menos interesses que tenha, por menos interessante que possa ser, é sempre mais do que um pedaço de carne.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
E se os ensinassem a pensar?

Ao que parece, terá entrado no curso de Medicina um número ainda não apurado de alunos que terão completado o ensino recorrente com médias elevadíssimas, que, em muitos casos, chegavam mesmo ao redondo 20. Não foi em gigante estado de surpresa que tomei conhecimento deste facto, na medida em que anda por aí muito aluno de medicina que me parece, efectivamente, advindo do mais refundido dos ensinos recorrentes.
Agora procurando falar de forma mais séria (mas se calhar não mais verdadeira), a facilidade do ensino secundário (geral ou lá como lhe chamam) coaduna-se, perfeitamente, com a sua realização num único ano lectivo. E aqui não vejo problema nenhum, que o ensino secundário até poderia ser reduzido a um mês de estudos, desde que nesse tempo se conseguisse que os alunos aprendessem a pensar. A pensar, simplesmente, pela própria cabeça, a procurar informação, a desenvolver capacidade crítica. Mas isso não interessa a ninguém, pais, professores e políticos incluídos.
PS: a verdade é que se a situação não estivesse a ser aproveitada para o acesso ao sacrossanto curso de medicina ninguém tinha dado por ela. E eu bem percebo. É que é como se diz...depois de entrar em medicina...
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
“Tenho relações óptimas com pessoas gay”

Faz hoje quase um mês que José António Saraiva, estava eu de férias por Amsterdão, publicou na sua espécie de jornal semanário (o Sol) um artigo de "opinião" intitulado "dois maridos". Na referida peça, revelando o fraco conteúdo a que JAS nos vem habituando há já algumas décadas, o director do semanário partia de um caso de alegada agressão entre um casal homossexual para exercer o seu mais firme repúdio em relação ao alargamento do casamento civil a casais formados por pessoas do mesmo sexo. Li aquela menoridade jornalística e achei-a tão idiota, tão fora de contexto, tão carente da mínima validade argumentativa que não me aprouve, de forma alguma, nem informalmente com amigos, comentá-la. O casamento entre pessoas do mesmo sexo (CPMS) já foi aprovado há tanto tempo, já está tão consolidado, temos tantos novos assuntos socialmente relevantes para discutir (eutanásia, legalização de drogas leves, da prostituição) que não consegui, tão-pouco, entender a polémica. Ainda por cima, no final, introduzia a martelo uma referência completamente idiota ao romance de Jorge Amado (Dona Flor e Seus Dois Maridos)...Enfim, era tudo tão mau que a crítica teria, forçosamente, de se estender por muitos mais caracteres do que aqueles que a falta de originalidade do artigo e da temática merecia.
Não obstante, não sei muito bem como, mas certamente porque dos dois lados da barricada, nos homófobos e nos radicais da homossexualidade, há muito idiota e muito pouco de útil para fazer, o escrito de JAS gerou uma polémica gigantesca. Esta notoriedade levou a que o jornalista a clamar, no mesmo semanário, duas semanas depois, pela liberdade de expressão e a conceder uma entrevista que saiu na mais recente edição da Time Out. É sobre duas ou três coisas que li nas referidas peças, e agora entro na ineptidão geral, que não consigo deixar de palpitar.
Em primeiro luga, diz JAS, na entrevista à Time Out, que a opinião que fez publicar se destinava a provocar polémica e que "carregou em certons tons" para, qual pintor impressionista, realçar determinados aspectos do quadro. Primeiro, não vejo onde vir repetir pela milionésima vez a ladainha de que até o homófobo mais devoto se encontra enfastiado pode criar algum tipo de polémica séria. Dizer disparates, como tratar um homem pelo sexo feminino, questionar-se sobre se um casal homossexual masculino é composto por duas esposas ou fazer corresponder massagista a prostituto, pode, por outro lado, até criar alguma polémica, mas apenas do tipo menos sério que as contas da RA Madeira. O que já me parece, por fim, demais é a comparação daquele lixo literário com a concepção de uma qualquer obra de arte e o pedido de tolerância em relação a um artigo que só revela uma total falta da mesma em relação à diferença.
E, já agora, vir, depois do chorrilho de disparates ofensivos que foram arremessados contra aquilo que JAS chamou a "comunidade gay", afirmar possuir "óptimas relações com pessoas gay" soa àquela desculpa patética do menino que chamou "preto de merda" ao colega de escola.
As razões da ausência.
Sul de Espanha.
Amsterdão.
Boa Vista.
(faltam fotos e alguns comentários, mas aparecerão - uns e outros).
Amsterdão.
Boa Vista.
(faltam fotos e alguns comentários, mas aparecerão - uns e outros).
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Experimentar.
Quando escrevia sobre política ou questões sociais ligadas a interacções humanas mais gerais, digamos, não passavam dois ou três posts sem receber um ou outro comentário. Ultimamente, tenho-me atrevido a lançar algumas ideias sobre amor e relacionamentos. E ninguém tem dito nada. Isto pode ter duas explicações: ou são como eu e não percebem, também, nada disto, ou consideram que aquilo que tem sido escrito é tão tonto e desfasado de tudo o que é real e que convosco acontece que desmerece qualquer tipo de nota. (Não que eu percebesse grande coisa de política, mas pelo menos nesse campo, creio, auferia de menos dúvidas em relação à minha própria experiência pessoal e convicções internas). Tenho, todavia, tido uma necessidade grande de discutir estas questões e, portanto, aqui vai mais uma atoarda, sobrevoando o vosso silêncio ou desdém.
No outro dia, no mítico Bairro Alto, discutia com a B. sobre relacionamentos. Ela dizia-me ser incapaz de estabelecer um contacto de carácter amoroso/sexual com uma pessoa com quem não namorasse. A B. não "curte", não "come na noite" (que expressão, realmente), só namora. E namora sempre por pouco tempo. Eu achei estranho. Em primeiro lugar, porque quando se conhece alguém começa-se por "curtir", por conhecer "sem compromisso", como quem vai às compras de roupa e leva uma peça de que gostou para os provadores. Depois veste-a, sente-lhe o tecido, observa o corte, a maneira como assenta, a forma que adquire no corpo. Se gostar, compra-se, senão descarta-se. Com a construção de uma namoro, o processo é semelhante. Hoje, já ninguém compra sem experimentar. E bem.
Mas o experimentar, a prática de relações amorosas relativamente fortuitas, não funciona, somente, penso eu, como precedente da compra. Muitas vezes não se ultrapassa, nem se quer, à partida, ultrapassar, a fase da experimentação. Como quem gosta de uma roupa que sabe perfeitamente que lhe assentará mal. E mesmo assim, pega nela e entra no vestiário. Aqui o acto de experimentar tem uma função primacialmente lúdica e, secundariamente, de sondagem do "mercado". Ver quem anda disponível, porquê, o que têm normalmente as pessoas para oferecer, o que pretendem, como se sentem com elas próprias, como se relacionam. A angariação de todas estas informações será de grande importância quando, em momento posterior, encontrarmos alguém que consideremos merecedor de uma atenção diferente.
Experimentar é, desta forma, acho eu...e isto não é grande coisa, bem sei, o alicerce de relações saudáveis posteriores. O pior é quando, por medo, por hábito, por necessidade, nos quedamos sempre nesta primeira fase.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Relação de verdades, verdades em relação ou sobre relações.

A verdade do movimento e do activismo LGBT, que convém passar para a televisão, em que já só os néscios acreditam (ou aqueles com agendas - políticas, pessoais, etc. - interesseiras):
1 - As relações homossexuais têm (falo deste momento, não do futuro ou do que deveria ser ou seria justo que acontecesse) o mesmo valor (importância) social que as congéneres heterossexuais.
2 - Uma relação entre dois homens funciona de uma forma exactamente igual a uma relação entre um homem e uma mulher.
3 - As relações homossexuais têm o mesmo potencial de sucesso que as similares heterossexuais.
A verdade pragmática e sem merdas:
1 - As relações homossexuais são, ainda hoje, altamente desvalorizadas. Esta depreciação social continamina qualquer relacionamento entre dois homens. Nenhum gay pode dizer que o seu namoro ou casamento vale ou importa tanto (social e, no caso do casamento, juridicamente - não entremos nas parvoíces do interior, do amor e outras merdas, porque, feliz ou infelizmente, o estabelecimento de uma relação ultrapassa em muito simples existência destes sentimentos) como os semelhantes heterossexuais.
2 - Uma relação entre dois homens não pode, nunca, funcionar da mesma forma que uma relação entre um homem e uma mulher. Homens e mulheres são diferentes - e podem-me responder com um "todas as pessoas são diferentes" que eu mando-vos para o caralho, porque negar os constrangimentos sociais e biológicos é estúpido. Na orientação sexual/afectiva homossexual a pessoa e o objecto da sua "afeição" pertencem ao mesmo género. Isto gera, no mínimo, maior confusão.
3 - Por estas razões, neste momento da história deste país, as relações homossexuais têm menos potencial de sucesso que as heterossexuais.
pós-escrito: Esta reflexão minúscula deve ser situada face às condições próprias do nosso país neste momento e refere-se, exclusivamente, ao universo homossexual masculino.
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