Em primeiro lugar, o mais assustador neste imbróglio é a falta de inteligência (para não dizer pior) do actual primeiro-ministro. Mas quem é que se lembra de convidar o candidato presidencial da família Soares para deputado e candidato a Presidente da AR? Assusta-me que tenha sido a uma pessoa tão desprovida de uma noção mínima da realidade que entregámos o governo deste país. Mas, enfim, o FMI e, no restante, o Paulo Portas tratarão da "governação real" e, portanto, Passos Coelho terá, graça a Deus, uma margem de manobra muito reduzida para a realização de mais disparates. (Atenção, contudo, que não me descansa mais, muito pelo contrário, os destinos do país ficarem nas mãos daquela organização proto-fascista ou do outro, o mestre do embuste - na vida pessoal e política, e sabemos bem do que falo nos dois campos).
Quanto a Fernando Nobre, espero que os quase 600.000 tontos que votaram na criatura nas presidenciais deste ano e todos aqueles que ainda tinham alguma esperança na sua acção social e humanitária se apercebam que o senhor nunca vivei PARA, mas sempre DA AMI, tal como, agora, passaria a viver DAS e não PARA as pessoas, através de um qualquer cargo político que assumisse. Enfim, restar-lhe-á, sempre, certamente, um convitezito de um lado qualquer para ser Conselheiro de Estado. Deus nos ajude!
Há quem considere que gays e lésbicas, por pertencerem a uma classe discriminada, seriam bastante mais tolerantes em relação à diferença. A prática e o estudo teórico destas questões vem demonstrando que a realidade nos revela, exactamente, o contrário. Os estudos que têm vindo a ser realizados dizem-nos que as minorias segregadas (independentemente da motivação ser sexual, racial, cultural, etc.) são as que têm mais dificuldade em aceitar a diversidade. É assim que, por exemplo, na Califórnia, os afro-americanos eram o grupo social onde existiam mais opositores à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Podia pensar-se que isto derivava, não do ciclo vicioso da violência - violência gera violência -, mas do facto de, habitualmente, os grupos sociais mais discriminados (ciganos, imigrantes, pobres, etc.) auferirem de uma menor educação. Os gays quebrariam, então, este ciclo. É pertença do senso comum a evidência de que o gay tem, pelo menos, um curso superior (ainda que possa ser na área das "artes"), integra-se na classe média e aufere de algum poder económico (tem de haver dinheiro para um qualquer trapinho Prada ou Chanel, não é?) (Aos outros homens que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo damos o nome de "paneleiros". Às mulheres gay chamamos "lésbicas". As outras não contam).
Acontece que mesmo o gay foi vítima de algum tipo de discriminação e desenvolveu, no seio da comunidade a que pertence, mecanismos de defesa e de isolamento. Assim, muito dificilmente, poderia ter a mente mais aberta no sentido da aceitação da diferença alheia. É desta forma que consigo ver, de uma forma muito clara e com confessa tristeza, uma profunda carga discriminatória na comunidade gay lisboeta, com raízes, sobretudo, raciais e económicas, mas também sexuais - imagine-se! (ou quem pensam que cunhou e mais utiliza o termo "bicha"?). É, igualmente, com base na ideia de que as castas discriminadas têm uma maior tendência para desenvolver sentimentos discriminatórios que se podem entendem a abstrusa aliança que gays e lésbicas formaram, na Holanda, com os partidos da extrema-direita racista no sentido de combater a "influência muçulmana
Como podem, gays e lésbicas, pedir aceitação e tolerância se são, muito mais vezes do que aquilo que poderia ser considerado aceitável, os primeiros a ostracizar? Acredito que a discriminação (independentemente da base ser racial, sexual ou outra) tem toda a mesma base e que a maior ameaça à igualdade não vem das componentes mais mainstream de uma sociedade (o homem, branco, classe média, heterossexual, católico), mas do sentimento alimentado pelas próprias classes mais discriminadas. A pior discriminação não é aquela que vem de fora, mas a que nasce dentro da comunidade vítima do desprestígio social. E é com essa que temos, sempre, menos cuidado.
Cumpriu-se a semana que passou um ano da morte de José Saramago, único Nobel da Literatura português. Eu era, e sou, um fã. Em primeiro lugar e como é óbvio, da escrita. Depois, de algumas concepções políticas e ideológicas que prosseguia - marxismo, iberismo. Por fim, auferíamos de um inimigo comum - Cavaco Silva. Da Pilar, grande amor da vida de Saramago, não gostava minimamente. Ou melhor, não tinha grande opinião, mas, inconscientemente e porque sou português, desagradava-me o facto de uma mulher tão nova (38 anos) ter casado com um homem tão mais velho (66 anos). Preconceitos. Há uns meses, todavia, vi no cinema (e repeti agora na televisão) o documentário "José e Pilar" e não podia ter ficado mais encantado com a segunda mulher do escritor. Uma mulher extremamente cativante, determinadíssima, de ideias muito claras e que, sobretudo, o amava imensamente. Não é, não obstante, sobre ela ou ele que recai a minha reflexão de hoje, mas sim sobre o sentimento que nutriam um pelo outro e que, confesso, me é muitas vezes desconhecido. E falo do Amor. (Assim, com todo a piroseira que é escrevê-lo com letra maiúscula, mas também com toda a admiração, distância, estranheza e encantamento que nutro pelo sentimento e que exponho com uma letra "grande" no início. Um pouco como quando escrevo Deus, e não deus).
Eu já havia "visto" o Amor, nos meus avós, mas já não me lembrava. Quando comecei a ter idade para amar, reparei que ou não conseguia, ou não valia a pena. Ou melhor, muitas vezes, não conseguia, sequer, conceber o sentimento. Dizia que era amizade + sexo. Depois, vi que não. Deveria existir algo mais, porque o sentimento e a sensação anteriores já eu os havia experimentado na mesma pessoa e tinha a certeza que não era Amor. Amor era algo mais. A esse "algo mais" tive acesso no documentário "José e Pilar". Eles amavam-se. Verdadeiramente. E o sentimento manifesta-se de uma forma tão ostensiva que até eu o consegui ver. E bastou-me olhar para eles. Não tive necessidade de raciocinar ou intelectualizar nada, de procurar razões, de indagar. Estava ali, eu vi, e isso bastou-me.
A verdade, contudo, é que o que eu vi no "José e Pilar", não vejo na esmagadora maioria dos casais com os quais me cruzo diariamente. Álias, pensando agora aqui um minuto, penso que o vejo, somente, em mais quatro pessoas (dois casais) que conheço e nunca o vi em ninguém da minha idade. Isto faz-me pensar. Será que todas as pessoas tem acesso ao Amor, ou está reservado para uns quantos que aufiram de uma inteligência emocional superior? É que há um certo número de actividades intelectuais que estão acessíveis, apenas, a pessoas com uma inteligência cognitiva acima da média. É natural, portanto, que o mesmo se passe com as actividades que podem ser exercidadas pela inteligência emocional, nas quais se inclui o Amor. E o Amor será, certamente, das mais complexas.
Saramago não me parecia, ao contrário de Pilar, contudo, uma pessoa com uma inteligência emocional extraordinariamente elaborada. Nesse aspecto, parecia-me que, até ter conhecido Pilar, era uma pessoa, até, um pouco desumana. E, no entanto, lá estava ele a amar. E eu vi. E mesmo nesa foto que aqui publiquei se vê. E então deixei cair a ideia da eleboração emocional e fiquei sem nenhuma.
Mas duas coisas sei sobre o Amor. Quando há Amor não há vontade de partilhar o sexo com outra pessoa. E no Amor sentimo-nos melhor quando acompanhados por que amamos do que sozinhos.
A matriz greco-cristã que influenciou a maior parte das considerações intelectuais sobre as matérias que me preocupam nesta reflexão separa entre o mundo físico (das coisas) e o intelectual (das ideias). (Na religião hindu, e nas filosofias que a circundam, esta separação encontra-se, penso, muito mais esbatida). Relacionando estas categorias com a existência humana, é possível separar o corpo do intelecto ou mente. (A alma será uma outra componente, distinta, em príncipio, do corpo, mas também da faceta intelectual do homem, auferindo de uma existência autónoma, pelo menos no que diz respeito à crença cristã. Não nos preocupa aqui, contudo, esta vertente da realidade humana). Com o corpo sente-se. Com o intelecto, creio, pensa-se e sente-se. Assim, numa primeira aproximação a estas questões e tendo como paradigma a forma como são pensadas no "mundo ocidental", pode-se dizer que pensamos e que sentimos. E sentimos física e intelectualmente.
O que me tenho, recentemente, perguntado é se faz, efectivamente, sentido pensar nestas "categorias" como compartimentos estanques da experiência humana ou se não actuam, todas elas, quase sempre, ao mesmo tempo. Falo de situações mais complexas - gostar de alguém, sentir-se realizado num trabalho, etc. - e não de questões físicas mais simples, como sentir frio ou calor - e mesmo aqui, pensando bem, pode ser encontrada uma componente intelectual e emocional (mas enfim, esqueçamos isto por agora). É que, quando gostamos de alguém, quando sentimos, por exemplo, amizade por uma determinada pessoa, estamos, certamente a pôr em prática uma certa componente emocional da nossa actuação. A verdade é que temos, creio eu, sempre determinadas razões (intelectualizadas com base nas características físicas ou psicológicas de outra pessoa) que alimentam esses tais sentimenso positivos - amizade, amor, carinho, etc. Assim, se penso que é possível defender que não é possível escolher quem se ama (em sentido lato) - creio que é defensável que não se possa escolher aquilo de que se gosta - , já considero que não é possível dizer-se que não se entende porque se gosta de alguém.
A pedra-de-toque destas questões pode ser encontrada, creio eu, nas interacções sexuais. É que, aqui, as componentes física, intelectual e emocional (sentimental) estão presentes de uma forma extremamente imbricada e, contudo, existe quem assevere que é possível separá-las e, por exemplo, foder com o intuito exclusivo de suprimir uma necessidade física - um pouco como urinar ou comer. Mas será verdadeiramente possível, ao ser humano, não pensar, sobretudo na interacção com outra pessoa? Estar, ali, só a sentir? E será, por outro lado, possível estar com outro ser humano sem alimentar o mínimo sentimento? Ter e dar prazer - físico - sem sentir o mínimo interesse sentimental ou intelectual pela pessoa com quem se está, num acto tão íntimo como o sexo? Masturbar-se com um outro corpo? É possível isolar de uma forma quase absoluta a componente animal do ser humano?
Confusos? Eu também.
PS: E sim, o título deste texto é inspirado naquele livro (e filme). Por vezes, também aqui somos mainstream.
Estive de férias/ trabalho voluntário (daí, também, uma certo abandono a que votei a escrita nese blogue). A uma semana passada no Algarve, seguiu-se um fim-de-semana em Budapeste, Hungria, para participar no Budapest Pride (o evento comemorativo do Orgulho LGBT na capital húngara). Infelizmente, alguns grupelhos pseudo-nazis e nacionalistas têm vindo a perturbar este tipo de comemorações naquele país e, assim, tem sido importante a participação de elementos da Amnistia Internacional na manifestação no sentido de pressionar as autoridades húngaras para porem em prática todas as medidas de segurança necessárias para garantir que toda a gente possa exercer a sua liberdade de expressão e manifestação de uma forma pacífica. Foi esta a razão que me levou á referida cidade.
Cheguei segunda-feira pela hora do almoço e parti no domingo de manhã. Não tive, portanto, muito tempo para visitar toda a cidade. Foi, contudo, suficiente para adorar tudo o que pude ver. Budapeste é lindíssima e bem merece o epíteto de "Paris do Leste" - os edifícios, as ruas, os cafés, o rio, os barcos, as esplanadas, os músicos de rua, tudo lembra a capital francesa. A noite, então, é absolutamente fantástica. No Verão, o tempo mantém-se bastante quente à noite, o que permite que se possa andar na rua envergando, apenas, uma camisa ou t-shirt (ou menos...= P). Depois, a variedade dos espaços nocturnos (gay, hetero, mais soft, mais hardcore, mais sexuais, menos sexuais, etc.) é muito grande, mesmo, e, pelo que conheci, muito interessante.
O que mais me encanta (sim, esta expressão é fruto do convívio com um nuestro hermano)na Europa de Leste são as contradições inerentes às sociedades dos países que compõem aquele espaço. Em Budapeste tudo isto é muito visível: a sociedade é profundamente conservadora, o movimento neo-nazi é gigantesco, os preconceitos católicos avassalam vastos sectores sociais; e, contudo, nunca vi uma cidade mais sexual (a verdade, também, é que nunca estive em Amsterdão), as sex-shops abundam, há um clube de strip em cada esquina, uma sauna gay, um espaço de swing, discotecas hardcore, com glory holes, sexo ao vivo, etc. As interacções amorosas, digamos, nas discotecas e bares são, depois, bastante evidentes e descomplexadas. Os húngaros são, também, bastante corajosos. Não se deixam intimidar por meia dúzia de contra-manifestante e persistem em manter uma defessa acérrima das suas liberdades sexuais, de expressão, de manifestação, religiosas, ideológicas, etc.
A fortíssima identidade e especificidade nacional e histórica portuguesas afastam-nos de alguns aspectos cruciais da sociedade húngara: algum fanatismo religioso, a discriminação em relação a outros povos e línguas e o forte movimento nacionalista-racista que tudo isto gera. Temos, todos aqueles que defendemos os direitos humanos (e não só os que dizem respeito á liberdade sexual) algumas importantes lições a aprender com aquele povo - preseverança, combatividade, coragem, criatividade e empenho. É que, de facto, aqui, arriscamos tão pouco (por comparação).
Não se sabe ainda bem para quê - para fazermos pouco de nós próprios, para suplicarmos a ajuda finlandesa, para enaltecermos os nossos feitos históricos, ou só por parvoíce - das Conferências do Estoril, em conjunto com a Câmara de Cascais, saiu um vídeo intitulado "What the Finns should know about Portugal". Neste pequenito filme é apresentado um vasto conjunto de factos sobre a nossa História, Economia, enquadramento social e outros factos "curiosos" acerca do nosso país que os obreiros do mesmo vídeo consideram pertinente ser do conhecimento da população finlandesa (que, no final, terá, obviamente, na democrática Europa, de "decidir" "ajudar" Portugal).
Quando soube da existência da "coisa", logo imaginei tratar-se de um conjunto de considerações laudatóricas acerca do nosso Império colonial, do facto de sermos um dos mais antigos da Europa e dos nossos sucessos futebolísticos mais contemporâneos. E isto lá estava tudo, numa imensa misturada de pastéis de Nata, tripas de porco, José Mourinho, Tratado de Tordesilhas, fronteiras do século XIII e milhões de telemóveis Nokia. O pior do vídeo não era, contudo, esta amálgama de factos completamente disparatados e lugares-comuns. Muito mais nos envergonha, considero, a quantidade monumental de erros históricos e factuais apresentada.
Começa logo com a indicação de que na Oceânia há duas vezes mais falantes de português do que população no Luxemburgo. Ora, a menos que exista alguma muito bem escondida comunidade falante de português com um milhão de habitantes em terras australianas e neo-zelandesas, a verdade e que apesar de a população de Timor-Leste ser cerca do dobro da do Luxemburgo, a esmagadora maioria dos habitantes daquela ex-colónia portuguesa está muito longe de dominar o português. Haverá, certamente, bastantes mais falantes do português no micro-Estado europeu do que no território oceânico.
É referido, depois, que Portugal aboliu a escravatura no ano de 1751, o que é uma mentira completa e absoluta. A abolição da escravatura é um tema complicado em Portugal, na medida em que ocorreu por várias fases e sempre com uma enorme resistência na aplicação prática das leis emitidas pela metrópole, mas, de uma forma muito simples, até porque hei-de escrever, depois, mais qualquer coisa sobre isto, importa desmontar este erro. Em primeiro lugar, a lei a que se referem, promovida pelo Marquês de Pombal, data de 1761 e não aboliu a escravatura, como é muitíssimo comum ler-se em todo o lado, mesmo na Wikipedia. Limitou-se a declarar que, a partir daquela data, todos os escravos negros que entrassem no Reino de Portugal e Algarves e no Estado da Índia passavam a ser livres.
Creio, sem poder dar certezas absolutas neste momento, que esta lei apenas se aplicava aos negros vindos das Américas, Ásia ou Espanha e não aos escravos vindos de África, mas, de qualquer maneira, a escravatura continuou a subsistir em Portugal por mais alguns anos, na medida em que não houve libertação dos escravos "portugueses", e os seus filhos só deixaram de nascer escravos a partir de 1773. Ainda assim, depois desta data, a escravatura continuou a ser plenamente aceita nas colónias portuguesas, vindo a ser abolida, apenas, em 1869. Fomos, portanto, o último país europeu a abolir a escravatura, na verdade uns anitos depois dos Estados Unidos da América, ao contrário daquilo que o vídeo que ora analisamos tentou inculcar. Para além disto, o trabalho forçado existiu em Portugal, juridicamente, até 1961 e, na prática, até 1974 para aqueles que, em África, chamávamos de indígenas.
Mas auferimos de alguns verdadeiros primeiros lugares nesta matéria: fomos o primeiro país europeu a promover a venda pública de escravos africanos em grandes quantidade e fomos o maior traficante mundial de escravos com mais de seis milhões de almas comercializadas. Que orgulho, não é?
"Gabamo-nos", depois, na sequência do vídeo, de termos sido os introdutores das armas de fogo no Japão. Não sei se estamos a tentar ter algum crédito pelo belicismo japonês a partir dos finais do séc. XIX e primeira metade do séc. XX que iria culminar com a II Guerra Mundial em que puseram grande parte da Ásia a ferro e fogo, mas se estivermos que se lixe, não é? Afinal foram coisas em grande e se não tivesse sido a nossa primeira espingarda não poderiam ter assassinado aqueles milhares de pessoas!
Quanto à pena de morte, se é verdade que fomos o primeiro país a aboli-la para os crimes civis, quanto a alguns crimes militares a verdade é que vigorou até 1976. Para além disto, durante o regime fascista português, era prática corrente as execuções extra-judiciais efectuadas pela polícia política e, durante a guerra colonial, os fuzilamentos de guerrilheiros.
Prosseguindo, "arigato" não é uma palavra portuguesa e, tanto quanto soube recentemente, não vem, sequer, do português obrigado. Não é, depois, correcto dizer-se que Colombo descobriu a América e revelou esse facto primeiro ao rei português e só depois ao monarca espanhol. Aquilo que se passou foi que Colombo propôs que se navegasse para ocidente e que, dessa forma, se encontraria um caminho mais directo para a Índia. Os matemáticos portugueses não acreditavam nessa possibilidade e, por isso, D. João II rejeitou o projecto de Colombo que acabou por navegar sob a bandeira espanhola para a qual reinvindicou os territórios da América que descobriu em 1492.
Por fim, o vídeo refere, como não podia deixar de ser, dois ou três factos atinentes à colonização portuguesa. Com um certo orgulho, revela a divisão do mundo não-europeu entre portugueses e espanhóis, a presença centenária em Macau e o facto de Portugal ter sido o primeiro Império colonial a estabelecer-se e o último a deixar de existir. Nenhum destas realidades é, para mim, motivo de orgulho, mas muito menos é-o este último facto, que apenas demonstra que o meu país foi o primeiro a considerar ser justo e admissível sujeitar outros povos ao domínio imperial e o último a perceber que essas ideias racistas e pretensiosas eram profundamente injustas.
Um grupo de finlandeses respondeu ao vídeo português com um outro em que apresenta a Finlândia como uma resistente da II Guerra Mundial (ao nazismo e ao comunismo autocrático soviético). Esquecem-se, com certeza, estes senhores que, na II GM, a Finlândia está muito longe de ficar bem na fotografia e de ter levado a cabo uma efectiva resistência à Alemanha nazi. É verdade que, a partir de 1945, enfrentaram as hostes alemãs na Lapónia, mas a tenebrosa realidade é que, entre 1941 e 1944, o exército finlandês lutou ao lado de Hitler na frente oriental. Ups...