
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A Ponte Salazar e a falsa controvérsia sobre a memória histórica.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Crónica de uma péssima moeda - parte I.
O primeiro mandato do actual Presidente da República está a chegar ao fim, razão pela qual sinto poder, já, classificar Cavaco Silva como tendo sido o pior Presidente da República eleito depois do 25 de Abril. (Não considero que tenha sido o pior PR desde o 25 de Abril, na medida em que, entre os não eleitos, consta António de Spínola). Por uma questão de honestidade intelectual (para melhor explicitação dos critérios que me levaram a esta conclusão), indico aquele que acredtito ter cumprido de forma mais competente o cargo de Presidente da República. Trata-se de Jorge Sampaio. Os porquês, em relação a Sampaio, ficarão para um post posterior.Seguem, agora, as bordoadas (contra Cavaco, como é lógico).
O dr. Cavaco (gosto sempre de repetir a maneira "carinhosa" como VPV se refere ao actual PR) nunca foi e não passará a ser nos tempos que lhe restam (enquanto político e enquanto ser vivo) um democrata. Desde os tempos da praia de Olhos d'Água que não compreende a agitação política, as manifestações, as greves, a necessidade do debate parlamentar. Na sua autobiografia política refere-se ao brutal sistema salazarista como um regime que "não apreciava", como quem fala de uma comida de que não é, especialmente, adepto. Na sua passagem por Inglaterra viveu isolado do meio académico e político britânico (já tinha família e filhos) e a democracia inglesa não exerceu sobre a criatura qualquer tipo de influência.
Da leitura da sua autobiografia política pp 36 e ss) percebe-se, claramente, que não compreendeu, nunca, aquilo que se passou no 25 de Abril de 1974 e o período revolucionário que a esta data se seguiu. As palavras que mais utiliza para se referir a este momento histórico são "confusão" (nas três páginas em que trata do assunto aparece aí umas cinco ou seis vezes), "degradação", "ambiente caótico". A participação dos alunos na direcção das faculdades perturbava-o imensamente e só conseguiu atingir alguma paz quando ingressou nos quadros docentes da Universidade Católica Portuguesa (cuja organização era mais próxima daquela do "Antigo Regime" e com a qual se sentia mais à-vontade).
Para Cavaco Silva a democracia não passa de um expediente técnico de escolha dos governantes. Acredito que aceite as eleições democráticas como a melhor forma de legitimar a cehagada ao poder. Atingido esse patamar, todavia, não compreende a contestação, os checks and balances (a que sempre chamou "forças de bloqueio"), o sistema de separação de poderes, enfim, toda a práxis democrática do período entre eleições. "Deixem-me trabalhar" (no fundo uma versão actualizada do "no mais, que o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar" de Salazar) era o lema que atirava ao povo, à comunicação social, ao PR e aos outros órgãos de soberania enquanto foi primeiro-ministro.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Radicalismos.
Tudo em nome da "estabilidade do sistema financeiro". Qual estabilidade? Afinal a quem serve esta situação?
E, depois, radical é a esquerda quando critica estas situações...
Apetece-me gritar: NACIONALIZAÇÕES, JÁ!!!
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
E o fascismo, subrepticiamente, começa a passar...
Em primeiro lugar, e como já aqui expressei, achei francamente perturbador a inacção das instituições responsáveis da UE perante a política ultra-discriminatória de Sarkozy em relação aos ciganos romenos que se encontravam legalmente em frança. Como se trata de ciganos, foram poucos aqueles que manifestaram uma discordância mais audível.

Ontem, na Sérvia, os manifestantes da Marcha do Orgulho Gay (LGBT) de Belgrado foram barbaramente atacados por mais de 6.000 contra-manifestantes homofóbicos. Por entre os gritos de "morte aos homossexuais" e "começou a caça", vários membros de claques e militantes de extrema-direita brutalizaram centenas de manifestantes pacíficos. O ódio e o medo foram os propulsores de instintos animalescos que a polícia não teve força para contrariar na totalidade. Valeu, ao menos, as reacções do Presidente e restantes membros do governo sérvio que condenaram veementemente os actos de violência. Quando estive na Lituânia, foram os próprios deputados do Parlamento Lituano que tentaram furar a barreira policial que protegia a curta manifestação do Baltic Pride. No país balcânico a reacção institucional foi, ao menos, correcta.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Eu "voto" Dilma.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Fascismo, não passará!

A comissária europeia da Justiça e dos Direitos Humanos, Viviane Reding, também havia recuado na comparação que estabeleceu entre as políticas de Sarkozy e os acontecimentos de perseguição de judeus (e outras minoriais étnicas, culturais, sexuais e religiosas) no período da II Guerra Mundial.
Considero inaceitável o primeiro recuo da Comissão Europeia, mas bem o percebo. Os restantes "grandes" europeus (Alemanha, Itália, Espanha, e, menos, a Inglaterra) têm, também, inúmeros problemas com o "excesso" de imigração (legal e ilegal). Não querem, assim, ser demasiado duros nas sanções a aplicar a um país incumpridor, na medida em que não sabem que medidas restritivas da livre circulação de pessoas terão de aplicar no futuro.
Quanto à acusação da Sra. Reding, não podia estar mais de acordo. Este tipo de injustiças lembra-me sempre do poema de Brecht que mantenho na margem direita destas páginas. A atitude despreocupada que encarnamos em relação às discriminações que atingem os nossos semelhantes retira-nos a protecção contra possíveis arbitrariedades. "Como eu não me importei com ninguém/ Ninguém se importa comigo".
A perseguição à comunidade judaica no seio do III Reich também não começou, como sabemos, pela deportação e assassínio em massa. Depois dos acontecimentos da "Noite de Cristal", certamente que Hitler também se indignaria se o comparassem aos sultões otomanos que ordenaram o extermínio de milhares de arménios durante a I Guerra Mundial (e a maioria da Europa concordaria com Hitler, afinal não "tinha sido assim tao grave", ainda). E, depois, vimos quais foram as consequencias advindas de tais práticas.
Hoje são so ciganos, amanhã os mendigos e os toxicodependentes, depois as prostitutas, em seguida os imigrantes africanos e, por fim, sou eu. Podemos aceitar isto?
sábado, 18 de setembro de 2010
O Imperialismo Democrático, Parte I - O Afeganistão.
Barack Obama, como é lógico, estava extremamente esperançoso de que as legislativas afegãs se saldassem num enorme sucesso, na medida em que pretende "descolonizar" o país o mais rapidamente possível (e Obama, a quem já chamam de novo Jimmy Carter, bem sabe que só terá um mandato para isso).
Infelizmente correu tudo mal. Desde o fim da II Guerra Mundial que os americanos estão convencidos de que é possível impor (pelo soft e hard power) a democracia nas outras nações do mundo (um certo tipo de democracia, obviamente. Liberal e de pendor capitalista). As experiências bem sucedidas na RF Alemanha, na Itália, na Áustria e no Japão (embora neste último caso o sucesso seja, no mínimo, relativo) mais os fizeram acreditar de que estavam certos.
O expoente máximo desta crença apareceu na pessoa de George W. Bush, promotor de uma retórica imperialista como já não se via deste Nikita Krutchev. Um imperialismo "democrático", contudo, através do qual se pretendia, utilizando Israel, o Iraque, o Afeganistão, e (eventualmente pressionado) o Paquistão como pivôs, democratizar todo o Médio Oriente, num movimento de pinça quie excluiria, logicamente e porque é um regime demasiado amigo, a Arábia Saudita.