segunda-feira, 31 de maio de 2010

A homofobia é, já, uma vergonha.




Dentro de, precisamente, 5 dias, entra em vigor a lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (CPMS). No próximo dia 4 de Junho fica completo um ciclo que compreende uma vitória (ainda que muito pequena e muito parcial, na medida em que não inclui a adopção que é, para mim, muitíssimo mais relevante na regulação da interacção familiar homossexual que o casamento) sobre a homofobia. Apesar da luta acérrima movida pelos sectores arqui-reaccionários e ultra-preconceituosos nacionais, a liberdade, o amor, a igualdade, a luta contra a discriminação venceram.


Estão, aliás, estas forças, destinadas a vencer, sempre. Não obstante o medo que sempre causa a liberdade (veja-se a pãnico e a pressa em acabar com a Revolução portuguesa), as pessoas vão, certamente, habituar-se a mais este passo em direcção à modernidade e em relação àquilo que é correcto, justo e humano, porque "uma sociedade justa é aquela qu não humilha os seus membros". A reacção tentou (através de criaturas como Isilda Pegado, uma lésbica arrematada, dizem muitos) manter e reforçar a humilhação a que todos nós, membros da sociedade portuguesa, e não apenas os homo e bissexuais vínhamos sendo sujeitos.


Pela minha parte sou completa e intrinsecamente contra o instituto do casamento. Muitas vezes cheguei a perguntar-me porque andava, eu que classifico de "horrenda" esse tipo de união, a recolher assinaturas pelo CPMS. A resposta é simples. Acredito que numa sociedade que pretende reger-se pelo primado dos direitos humanos, duas (ou três, ou mais, que também nada tenho contra a poligamia e o poliamor) devem, querendo, poder "oficializar a sua relação perante o Estado" ( e já agora, perante Deus. Mas aí, vá-se lá saber porquê, as Igrejas, e não só a Católica, Têm sido pródigas na manutenção das mais vis discriminações).


Claro que a luta por mais este direito (o casamento monogâmico, excluindo a discriminação) tem na base uma visão "normalista" e "heterossexualizada" da vida conjugal e é, em parte, um presente envenenado, na medida em que imprime um atestado de incompetãncia parental aos homossexuais. Ainda assim, numa sociedade em que a visão de gays (sobretudo) e lésbicas é a de que estes são mais promíscuos (e que mal teria isso, já agora? mas adiante...) e menos atreitos ao estabelecimento de relações "sérias" (aquelas que duram aí, pelo menos, dois anos, penso...porque uma "curte" de uma noite não pode ser séria, embora seja, habitualmente, bastante mais honesta...mas não nos detenhamos, por ora, aqui) e, por isso, menos dignos de verem as suas relações vistas como iguais às heterossexuais, o estabelecimento deste laço conjugal "máximo" irá, com certeza, permitir que uma alteração na aceitação dos casais LGB.


Assim, dia 4 será um dia que representa um progresso genericamente positivo para este país. As demonstrações públicas de homofobia representam, já, uma vergonha para quem as põe em prática. Hoje, um homófobo (tal como um racista, um intolerante religioso, etc.) tem noção do embaraço que o seu comportamento provoca nele próprio e sabe bem que ficará situado no mesmo patamar que um qualquer "cantorzeco" ordinário. Atingimos, neste momento, creio, esta vitória. Utilizar termos como "paneleiro" ou "fufa" para atingir e magoar um gay ou uma lésbica deixou de ser admissível, e quem os utilizar, enquanto insulto, perde qualquer tipo de dignidade, desmorona a sua ética pessoal, reflecte que não tem valores, não tem capacidade cognitiva para perceber o alcance dos seus actos, enfim, "subhumaniza-se". Porque "discriminar não é humano"!.

domingo, 30 de maio de 2010

A estupidez da reacção.





Um conhecido meu costumava dizer que as pessoas mais inteligentes eram de esquerda. Interiormente, desejoso de manifestar a mais aberta concordância, exteriorizava, todavia, algum desacordo com tal generalização e atirava com nomes como Vasco Pulido Valente e Vasco Graça Moura (embora este último, quando obcecado com a defesa de alguma posição ultra-reaccionária, não tenha qualquer problema em repetir os mais idiotas argumentos).

Toda esta histeria da reacção à volta da promulgação do casamento gay por Cavaco Silva me faz, porém, ter uma certa necessidade de concordar com o meu amigo, pelo menos no sentido de que os os mais reaccionários têm uma certa tendência para uma utilização menor do cérebro que as pessoas comuns.

Alguém, no pleno uso das suas capacidades intelectuais, pode, sem ser de forma imensamente desonesta e demagógica, afirmar que Cavaco Silva não é total e intrinsecamente contra o alargamento do casamento a casais de pessoas do mesmo sexo (e mesmo contra a extensão de quaisquer direitos a esta minoria). E têm, ainda, a insensatez de criticar Cavaco por ter promulgado o diploma que legalizou a IVG (sabendo que o actual PR não poderia ter uma posição mais contrária à medida). Atacaram a decisão de Cavaco, baseada, como sabemos, num referendo em que o todo o povo português participou, mas defendiam a realização de um referendo para impedir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Este já acatariam, se o resultado lhes fosse favorável, certamente...

Estas isildas pegado e césares das neves não percebem que lançarem figuras como Bagão Félix (!!!) ou o tenente-coronel João José Brandão Ferreira (quem é este, já agora?) só possibilita que Cavaco (o mais reaccionário grande político português) ganhe uma aura mais moderada, podendo avançar confortavelmente sobre o eleitorado do centro.


Não acredito que possa aparecer um candidato à direita de Cavaco que possa ter uma votação superior a 3%. Acredito, contudo, que a promulgação do casamento gay e, sobretudo, esta campanha da reacção podem fazer Cavaco Silva conquistar um número de votos muitíssimo superior àquele que, eventualmente, perderá. Assim sendo, das duas uma: ou estas patetices da ultra-reacção são apenas uma táctica para que o actual PR conquiste um maior número de votos, ou aquilo que o meu conhecido me dizia se aplica, pelo menos, aos sectores mais extremados da direita: a inteligência que terá, ali, sido, eventualmente, plantada não colheu nenhum tipo de frutos.

sábado, 29 de maio de 2010

Quem passa a votar Cavaco sou eu!




Nos últimos dias, em movimento que começou logo após Cavaco Silva ter declarado promulgar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, uns quantos tontos vieram a público criticar a atitude do PR, porque, resumindo, não terá sido suficientemente homófoba. Criticam-no, ao mesmo tempo, por não se ter regido por princípios e por não ter agido com suficiente calculismo político. Entre "vómitos" e outras reacções alérgicas à decisão de Cavaco, agoiram a reeleição do actual Presidente da República, afirmando "católicos" e outros "césares das neves" que estão a ponderar, seriamente, não votar Cavaco.


A comunicação social, na habitual, perdoem-me a expressão, estupidez que vem marcando o sector, foi, até, ouvir Santana Lopes, como se a opinião da "má moeda" (lembram-se?) conta-se alguma coisa quando o tema é Cavaco Silva. Outros, igualmente desprovidos do mínimo conhecimento político, avançam a possibilidade de surgir um outro candidato à direita (como se fosse possível encontrar um candidato mais conservador que Cavaco...).


A verdade é que Cavaco fez tudo o que pôde para impedir o casamento gay, chegando a recorrer ao TC. Toda a gente sabe que agora estava obrigado a promulgar. Ainda que não o fizesse agora, daqui a duas semanas seria obrigado a fazê-lo pela maioria de "esquerda" que domina a actual composição da AR. Cavaco Silva fez aquilo que essa corja, agora ultra-crítica, andava a pedir desde que se começou a falar do alargamento do instituto às PMS: despachou a "coisa", para nos podermos centrar nos problemas da economia nacional.


O que queriam mais? E que hipóteses têm? Vão votar Alegre? É que não sei se já se apaerceberam, mas os votos nulos, brancos e as abstenções (pela forma como certamente decorrerão as presidenciais) só irão beneficiar Cavaco. Eu começo é a considerar que se aparece mais uma dessas criaturas a dizer que já não vota Cavaco Silva, quem passa a votar no senhor sou eu!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A consciência: Soares, Savimbi e Mobutu.






Mário Soares "acha" que não apoiará Manuel Alegre nas próximas presidenciais. Estas declarações não nos trazem nenhuma novidade, na medida em que, apesar daquele ar de avozinho bonacheirão, participante em eleições por desporto e pelo gosto pela competição saudável, ficou incrivelmente melindrado pela forma como foi cilindrado por Cavaco Silva e, sobretudo, por ter ficado 7 (!!) pontos percentuais abaixo de Manuel Alegre.



Foi desta forma que lançou Fernando Nobre na corrida como forma de fracturar a esquerda e pressionar o PS (que está, obviamente, interessado na vitória de Cavaco Silva, pelas razões da "estabilidade" e do aproveitamento de todos os expedientes que o actual PR tem utilizado para não fazer absolutamente nada no que toca à responsabilização do primeiro-ministro pelo estado do país) a escolher outro candidato que não Manuel Alegre.



Entretanto, Soares justifica a "decisão" com base na sua "consciência". Uma "consciência" que sempre esteve tranquila quando se tratava de realizar as conhecidas "negociatas" com o facínora Jonas Savimbi ou estabelecer uma íntima amizade (e apoio institucional) com um dos mais brutais ditadores que o continente africano já conheceu: Mobutu. Enfim, e depois é este senhor considerado o "pai da democracia portuguesa"...



Notícias: i, Público.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O fruto proibido.

"Uma praia de nudistas é um dos piores sítios para uma perssoa se excitar sexualmente. Se vires bem, não observarás uma única erecção. É que a liberdade absoluta aplaca os instintos: eles só afloram quando existe a sensação do fruto proibido".



Bem....se calhar o facto de 90% dos nudistas terem mais de 80 anos também ajuda....

domingo, 23 de maio de 2010

A "mãe natureza".




Nas cerca de 24 horas em que estive retido nos aeroportos de Londres à conta da nuvem de cinzas do vulcão islandês, nos intervalos em que não me andava queixando das carradas de trabalho que me esperavam em Lisboa e do facto de isso me impedir de poder aproveitar aquele contratempo para visitar a cidade, dei por mim a pensar na extrema limitação do homem em relação à “mãe-natureza”.

Ali estava eu, um membro da espécie mais evoluída que este planeta já conheceu, que domina os espaços terrestres, os mares e os ares, que utiliza todas os outros animais como bem lhe apetece, que cria vida a partir do nada, que constrói, que destrói, que manipula, que imita Deus, completamente desamparado, porque um mero vulcão, num país de que só se ouvia falar por causa do frio e da primeira bancarrota estatal num “país desenvolvido” “decidiu” expelir uma tal quantidade de cinzas vulcânicas que obrigava ao encerramento de espaços aéreos nacionais por toda a Europa. “Como é possível que não se tenha uma solução para isto?”, pensava, praguejando contra todo o tipo de profissões que pudessem ter um mínimo de ligação à engenharia aeronáutica.

Hoje, ao ler um artigo (num Público de há já dois ou três dias - que eu, quando dou 1 euro por um jornal, conservo-o religiosamente até o ter lido de fio a pavio, como se de um livro se tratasse) sobre a escassez alimentar neste nosso planeta, fiquei a saber que as reservas de cereais que acumulamos chegam, somente, para algumas semanas. Assim, conclui eu, sem esconder uma certa nota de pânico mental, se algum cataclismo natural fizer com que as planícies norte-americanas, ucranianas, argentinas e de todos os outros locais do mundo especialmente dedicados à produção/exportação se tornem, num ciclo de colheitas, improdutivas, uma grande parte da população mundial morrerá à fome, e não apenas em África, onde achamos que o atraso tecnológico é que é o causador da subjugação daqueles povos às condições meteorológicas.

O homem vem, há séculos, a remar contra a natureza, sem se aperceber do facto de por ela ser dominado. Pertencemos-lhe enquanto parte integrante e, afinal, a nossa inteligência será sempre diminuta para controlar os seus mais destrutivos cataclismos e imitar as suas criações mais singelas.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O verdadeiro culpado.




O PCP apresentou, hoje, na AR, uma moção de censura ao Governo Sócrates. A direita (PS, PSD, CDS) rejeitou-a, tendo sido, a mesma, suportada somente pelos próprios comunistas, pelo BE e por aquela excrescência comunistas que dá pelo nome de PEV (Partido Escologista "Os Verdes"). Não era preciso ser um analista político de grande gabarito para poder avançar este resultado. A esquerda (BE e PCP) teria, obviamente, de a suportar, sabendo, porém, que nada de bom lhe adviria da (ultra-improvável) passagem da mesma. Têm, todavia, de manter o eleitorado entretido e demonstrar que estão " a fazer alguma coisa".


O PS (curiosamente o mais interessado na queda deste Governo - Sócrates, com a sua hábil técnica de vitimização ainda lhes conseguiria uma segunda maioria absoluta) estava obrigado a votar contra. O PSD não tinha nenhum interesse em votar favoravelmente a medida. O grosso do povo português está longe de ver em Passos Coelho uma alternativa viável a Sócrates e Coelho pretende consolidar-se como "salvador da pátria" antes de avançar sobre o "engenheiro". Para além disso, o líder do PSD, tem a intenção de utilizar a mais que certa retumbante vitória de Cavaco Silva em 2011 para começar a trilhar o caminho que o levará a S. Bento.


O voto do CDS revela, de forma excepcional, a estranha idiossincrasia de um partido que faz da homofobia profissão de fé, tendo, todavia, um homossexual mais do que assumido (branqueamentos dentários, coloração capital, etc!) na liderança. Apesar de não ganharem nada com a abstenção (não estão, nem vão estar, no Governo nesta legislatura, como sempre ambicionou Portas), pretendem aparecer como um partido responsável, preocupado com a resolução da crise.


Afinal de contas, os verdadeiros interessados na queda deste Governo eram, simplesmente, todos os portugueses (ou pelo menos aqueles a quem não calhou o "tachinho" nalguma Direcção-geral ou empresa pública). Sócrates já revelou, penso, ser completamente inapto para gerir uma situação que, afinal, "vem de fora". As fragilidades da economia portuguesa não são, todavia, de proveniência estrangeira e não se resolvem carregando sobre os funcionários públicos e pelo corte nos serviços sociais (afinal, o modo "genial" salazarista de resolver a questão).


No "país real", a miséra espalha-se e o povo empobrece. Todavia, a estratégia montada por Sócrates tem funcionado, e os culpados são a economia mundial, os mercados de capitais e, até, as agências de rating (!!!). E ninguém se apercebe das responsabilidades do Governo, ninguém parece olhar para a Alemanha, Inglaterra ou, mesmo para a França. E enquanto nos atira à cara a poeira dos números do desemprego estrangeiros, o verdadeiro culpado escapa ao olhar embrutecido da população nacional. Até que seja demasiado tarde.


Notícias: Público I e II, i I.