sexta-feira, 21 de maio de 2010

Que valor tem a soberania nacional?




Durante muitos anos, "de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento". Era o inimigo, o país a evitar, o eterno ameaçador da soberania nacional. E Saramago era o tonto, o anti-patriota, o vendido. Na época, Portugal e Espanha eram muito idênticos: pobres, ultra-católicos, conservadores, subdesenvolvidos.


Actualmente, Espanha há muito ultrapassou Portugal: o desenvolvimento económico foi galopante e os espanhóis vivem duas vezes (!!!) melhor do que nós (apesar da taxa de desemprego muito superior, bem sei), o país está moderno, é inovador a nível social, tem grandes cidades, é cosmopolita. É, enfim, hoje, muito interessante.


E, tontos outrora, os iberistas são, nos dias que correm, vistos com outro interesse. Não duvido que, se pudesse, a maioria dos portugueses entregaria a sua soberania a Espanha a troco de meia dúzia de tostões no final do mês. E faziam bem. Afinal, que valor tem a soberania nacional?


Texto motivado pelo seguinte estudo, a ser hoje apresentado.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O país da hipocrisia.

Os homens de Mirandela mantêm a maior concentração de bordéis (agora conhecidos como "casas de alterne") deste país (ainda se lembram das mães de Bragança?) e uma "professora" é afastada por posar para uma revista erótica...e, depois, missa todos os domingos...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Direcção: adopção.






Enganei-me redondamente. Imaginei (sinceramente nem concebi outra hipótese) que Cavaco Silva vetaria o diploma, em sombra para dúvidas, sem pensar duas vezes. Pensei que tudo faria para impedir para que Portugal continuasse a trilhar o caminho em prol da liberdade e da igualdade. Deu a desculpa da economia, da perda de tempo e do facto de, com toda a probabilidade, o diploma lhe chegar novamente em condições em que estaria, constitucionalmente, obrigado a promulgar, e promulgou.



A direita mais reaccionária não lhe perdoará. Duas ou três criaturas da "Plataforma Cidadania e Casamento" já vieram criticar de forma contundente a atitude de Cavaco, dizendo que ficará para a história como o "PR que promulgou o casamento homossexual e o aborto". E muito terá custado a Cavaco. Custo meramente pessoal, porque os votos, esses estão absolutamente garantidos. Nas próximas eleições, e contra Manuel Alegre, todo este "mundilho" de preconceituosos e reaccionários vai engolir mais um sapo e votar pela reeleição do actual Presidente da República.



A luta, agora, é pela adopção. Será uma batalha muito mais difícil já que contamos, unicamente, com um apoio partidário: o Bloco de Esquerda e teremos de levantar barricadas contra o próprio PS. Veremos como se comportam, agora, as associações lgbt portuguesas que alinharam com os socialistas e decidiram abdicar da luta pela igualdade plena. Que farão, agora? provavelmente irão dar algum tempo (dois anos...mais?) para permitir a "absorção" da actual medida, iniciando, depois, timidamente, a campanha pelo alargamento da adopção a casais de PMS. Contem, todavia, ser acossados por todos aqueles activistas que viram sempre este diploma como algo de positivo, mas de menor, de certa forma ainda humilhante e homófobo...



Ainda assim, celebrou-se uma vitória de todos os portugueses. Uma vitória conta a homofobia, contra o preconceito e contra todas as formas de discriminação em geral. Toda a população LGB tem uma garantia de que as suas lutas são justas e terão, inevitavelmente, sucesso: essa garantia é o facto de ser o amor aquilo que nos move.



Parabéns!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A economia e a homofobia.




Hoje, dia 17 de Maio, o Dia Internacional da Luta Contra a Homofobia (IDAHO), o Presidente da República irá, pelas 20h15m, pronunciar-se acerca do diploma sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (CPMS). A menos que algum tipo de milagre se tenha dado nestas últimas duas semanas, a declaração de Cavaco Silva só pode ser no sentido de explicar o veto que irá aplicar ao diploma.


Ainda há alguns que alimentam uma vâ esperança, acreditando, até, que Cavaco sabe o que hoje se celebra. Não faz ideia, mas sabe que a maioria (a larga maioria?) da população portuguesa se posiciona contra o alargamento do casamento civil a casais de PMS e que em menos de um ano terá de enfrentar eleições.


Cavaco é o mais reaccionário Presidente da República Portuguesa desde António de Spínola. Não se esperava outra atitude da criatura que não fosse o veto. Podia, contudo, pelo menos, esperar por outro dia que não o IDAHO para desferir mais um ataque homófobo contra todos os portugueses.


Enquanto não percebermos que a discriminação funciona como um todo (odiar gays é o mesmo que concordar com o espancamento das mulheres, com a discriminação dos chinenes, etc.) não conseguiremos atingir o desenvolvimento (até económico) que queremos para este país. Olham para o mundo e tentem encontrar algum país rico (com justiça e redistribuição) que seja, ao mesmo tempo, homófobo. Não encontrarão...


(mais info: i)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Uma ou duas "dicas" "p'rós" "católicos".




Hoje, em Fátima, o Papa denfendeu "o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher" e condenou o casamento (civil) homossexual como sendo um "dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum".

Claro que a santa criatura já tem uma certa idade (83, creio eu). Ainda assim, há certas coisas que esperava que já tivesse compreendido. Afinal, é um "intelectual" (segundo se diz...).

Em primeiro lugar, o casamento civil homossexual não prejudica a indissolubilidade do matrimónio (que é, e continuará a ser um sacramento puramente religioso). O casamento católico poderá, desta forma, continuar sagrado, tradiciononal, beato e horrendo como até aqui. A igreja poderá continuar, como até aqui, a promover a coerção do prazer sexual e a estimulação da procriação que ninguém mexerá uma palha para a impdedir (os católicos mais fervorosos, perdoem-me lá, mas que se lixem, já que é por vossa vontade que estão "aí" metidos).

Eu, pela parte que me toca, vou continuar a sumergir-me no prazer e luxúria do sexo "não-procriativo" (sempre utilizando o preservativo, já que, ao contrário dos padrecas e das beatas, a mim o HIV preocupa-me), com a certeza de que quando chegar o dia do "juízo final" passarei à frente de muitos daqueles que andaram perdendo a vida em rezas e, de um modo geral, a condenar e a prejudicar a vida alheia.

Depois, e concluindo, um sacramento religioso, num país laico (sim, apesar dos "feriados papais", Portugal é, ainda, um país em que o laicismo é um postulado constitucional) não faz, nunca, parte do "bem comum", mas apenas da fé de alguns.

Uma úlitma mensagem para tosdos os católicos de "trazer-por-casa": e se olhassem para os vossos casamentos tão imaculados e puritanos e deixassem de meter a colherada no facto de eu, se me apetecer, poder vir a querer casar com outro homem? (lagarto, lagarto, lagarto). Pois...agora percebo...se calhar era demasiado assustador.

Frantz Fanon, meditando sobre as independências africanas, aconselhava os recentes movimentos de libertação a iniciarem uma guerra de independência, mesmo que dela não tivessem necessidade para se auto-determinarem, mas somente porque a fragilidade destes colectivos necessitava da criação de um inimigo comum.

Ó "católicos", os vossos casamentos encontram-se, assim, tão na merda que precisam de meter o nariz no meu?



PS: para aqueles poucos que possam ter um remoto interesse naquilo no discurso do Papa: i, Público.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Habemus ratus!






Aproveitando que o "povão" se encontra distraído com a visita Papal e entretido a gozar de um merecido feriado (afinal, Nossa Senhora ainda cá apareceu uma meia dúzia de vezes! Seguidas!), José Sócrates anuncia um enorme aumento de impostos (no IRS e IRC). (Com a ajuda de Pedro Passos Coelho que, afinal, para além de líder do Partido da "oposição" decidiu aceitar o cargo oficioso de camareiro-chefe do primeiro-ministro).



Ao mesmo que tempo que "luta" pelo reconhecimento do direito de gays e lésbicas ao casamento (sem a adopção, porque isso é tão avançado que em Espanha até já existia antes do casamento), senta-se na primeira fila para prestar homenagem a um homem que considera que a revelação dos abusos de menores são uma "cabala" contra Igreja e que afirma que existe uma relação simbiótica entre homossexualidade e pedofilia e concede um dia e duas tardes de tolerância de ponto para que o povo deste país vá prestar o seu tributo a um líder religioso (!?).




Sócrates, sempre um homem de convicções e com uma vincada ideologia. Habemus ratus!!




Reacções au aumento: i.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Baltic Pride I - A Marcha.




Entre os dias 6 e 9 de Maio, estive, como já aqui havia ficado dito, na Lituânia para a convite da Amnistia Internacional para os ajudar a preparar o Baltic Pride, um evento comemorativo do orgulho gay que rotativamente vai acontecendo anualmente numa das capitais dos três países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia). No ano passado, em Riga (Letónia), os manifestantes foram brutalmente agredidos por militantes nazis, fundamentalistas católicos e, de um modo geral, por todos aqueles para quem a população LGBT representa, de alguma forma, uma propulsão para a violência.

Por esta razão, em 2010, a Amnistia Internacional decidiu envolver-se de uma forma mais próxima e efectiva para garantir que a Marcha do Orgulho LGBT de Vilnius se pudesse realizar com toda a segurança. Foi difícil, mas todos juntos, e sobretudo com a coragem inigualável da população LGBT dos países báliticos (que lá ficará para sofrer todas as consequências, enquanto eu me sento aqui, tranquilamente de de forma segura, em casa a dar vida a este escrito), conseguimos!

O ódio, que leva a que a esmagadora maioria das lésbicas e gays lituanos a viver escondidos e a verem a sua integridade física e psicológica continua e impunemente violadas, manifestou-se, obviamente durante a realização da Marcha (embora sempre muito de longe, impedido de se aproximar pelas barreiras policiais) sob a forma de suásticas, cruzes de madeira e slogans que associavam a homossexualidade à infecção pelo HIV.

Ainda assim, a Marcha decorreu com toda a normalidade e foi um momento único na minha curta vida activista. As dificuldades que aquelas populações enfrentam só para poderem exprimir de forma pacífica os seus direitos são, para nós, que temos todas as facilidades em organizar as nossas duas Marchas do Orgulho LGBT, completamente inimagináveis.

Eles arriscam a violência física mais bárbara, a completa exclusão social, o desemprego, a ostracização na escola e no meio académico, a rejeição familiar. Por isso faço um apelo. Nós, que não arriscamos nada, ou não tudo isto, façamos um esforço por tornarmos a comunidade LGBT visível. Pouco importando a orientação sexual, vamos todos participar nas Marchas do Orgulho LGBT portuguesa e, sobretudo, não deixemos calar uma demonstração de afecto no espaço público. Lembremo-nos que lutamos também por aqueles que não podem lutar.