sexta-feira, 30 de abril de 2010

O país real.




Soube, hoje, de fonte que considero relativamente credível, que um número bastante elevado de sem-abrigo, bem como de prostitut@s, da cidade de Lisboa andam a ser intimidados (com ameaça do emprego da violência física ou da denúncia ao SEF) para não se mostrarem nas suas actividades “degradantes” enquanto decorrer a visita de Bento XVI à nossa solarenga (afinal, S. Pedro também foi Papa) e piedosa capital.

Logo me lembrei, logicamente, das velhas práticas salazaristas de internar tudo quanto cheirasse a indigente, e mesmo o que não cheirava, mas era igualmente incómodo (como os homossexuais pobres e os “malucos”), em várias instituições devidamente preparadas para o efeito, de que a mais conhecida era o sinistro Albergue da Mitra. Claro que a prática teve sempre um efeito que nunca passou de cosmético, na medida em que a pobreza confrangedora deste país fazia com que a mendicidade, mas também a prostituição, fossem as únicas formas de vida viáveis para um grande número de portugueses.

Hoje, continuam imperando na nossa católica cidade, e convém escondê-las para não dar má imagem. É que um Papa extremamente humano como Bento XVI pode não ficar, minimamente, chocado com os inúmeros relatos de abusos sexuais de menores cometidos pelo clero que lhe iam chegando aos santíssimos ouvidos, mas ficaria, pela certa, bastante mal impressionado se andassem por ai à solta esses indivíduos sem tecto, sujos e que dão um péssimo aspecto à nova Praça do Comércio, especialmente preparada para a recepção do Sumo Pontífice.

Enfim, que a maioria dos católicas já se esqueceu, há muito, do exemplo de Cristo não é segredo para ninguém. (Cristo teria sido o primeiro a aceitar um casal homossexual). Agora que nem sequer recordem factos históricos como o de Jesus, quando entrava numa cidade, ser imediatamente rodeado pelo “pior tipo de gente”, a mais miserável e doente, na qual se incluíam inúmeras prostitutas, certamente, já entra no campo da mais completa ignorância.

Olhem, só tenho pena é que o Albergue da Mitra já tenha deixado de exercer as suas ancestrais funções. O jeito que agora não daria para “arrumar” essa gentalha! Enfim..Viva Portugal! Viva a PSP! Viva o Papa! Viva Salazar!
(E olhem, ao menos o país fica mais "bonito" para as tolerências de ponto!)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Afinal, os gays são pais normais!




Ontem, a Sic dedicou a sua "Grande Reportagem" à temática da parentalidade homossexual. Os pais gays, mães lésbicas e filhos destes casais não podiam ser mais "normais", banais e vulgares. Divulgaram, sempre, a ideia de que eram felizes e toda a estrutura familiar que pudemos observar revelou que não existe nenhuma, por mínima que seja, diferença entre os filhos criados em "contexto homossexual" e aqueles que cresceram com pais heterossexuais. A menina tinha o quarto recheado de bonecas e tudo quanto era cor-de-rosa, o rapaz só queria saber de carros e da playstation. Serão, provavelmente, heterossexuais e não existia nenhum sinal de que poderiam não vir a desenvolver-se de uma maneira completamente saudável e na maior felicidade.


Aquelas famílias homossexuais tinham um funciomanento muitíssimo mais "tradicional" do que aquele que é observável na esmagadora maioria das famílias heterossexuais. Jantavam, por exemplo, todos à mesma hora, na mesma mesa. Quantas famílias "normais" o fazem? No que toca ao relacionamento após a separação e à convivência dos filhos com os pais/mães agora separados, nunca tinha visto situações tão saudáveis: não foi preciso qualquer recurso a um tribunal, todos se entenderam da melhor forma, para o bem das crianças. Crianças essas que preferiram, sempre, estar com o progenitor homossexual, abandonando contextos de inserção heterossexual.


Sim, preferiam alguma eventual discriminação porque o que verdadeiramente conta é o amor. Desde que este sentimento esteja presente num qualquer contexto familiar (homo ou heterossexual) as crianças têm todas as condições para virem a ser felizes.


Criaturas como Isilda Pegado, que pregam o ódio e a intolerância por onde passam, é que deviam estar impedidas de "procriar", na medida em que o preconceito é, sempre, negativo e causa, sempre, infelicidade, medo, ansiedade. Tem repercussões não só naqueles que atacamos, mas também nos que nos são mais próximos. Quem odeia, discrimina, responde com violência, impede a felicidade alheia, contamina as relações afectivas em que se encontra envolvido. E se um dos filhos de Isilda fosse gay? Um amigo? Uma irmã? Um primo? Existirá, certamente, alguma pessoa LGBT na inserção social da Pegado. Esta senhora não pensa, não reflecte, não empatiza, não têm a capacidade de sentir a dor, a humilhação e o desrespeito que provoca e com que trata os outros. Mas a ela ninguém lhe diz que não pode ter filhos.


Só espero que Cavaco Silva, nos 20 dias que agora tem para ponderar a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, tenha a capacidade, o descernimento e a coragem de decidir em prol do desenvolvimento e da aceitação, em vez de seguir o ódio, o preconceito, envergonhando este país e todos aqueles que são "normais" o suficiente para aceitar que os outros também merecem ser felizes.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sócrates, Coelho e a depilação.








A ligação que, aparentemente, se pode fazer entre as três notícias é que são, aparentemente, estúpidas em igual proporção. Levantando-se, porém, o véu da aparência, apercebemo-nos de que a o facto de as mulheres quererem deixar de fazer a depilação é perfeitamente compreensível (é doloroso, desconfortável e, no fundo, completamente desnecessário).



Tudo o resto, desde a existência das agências de rating ao facto de Passos Coelho considerar que Sócrates tem alguma capacidade de resolver a crise económica, ou que se deixará influenciar pelo líder do PSD, passando pela resposta que Teixeira dos Santos quer preparar para "mais um ataque" das referidas agências, está sumerso num tão grave e grande grau de idiotice que eu não ficaria mais surpreendido se aparecesse, num qualquer jornal diário de granden tiragem, a seguinte parangona: "Sócrates e Passos Coelho aderiram à depilação definitiva"

Ruas no Público!






Um texto deste modesto blogue foi, no dia 24 de Abril, sábado, parcialmente transcrito pelo jornal Público. Duas razões fazem com que fique, particularmente, agradado com este acontecimento: o facto de o Público ser, claramente, o melhor diário nacional e ter sido referido um escrito meu que trata sobre a temática LGBT (que este blogue tem sempre procurado trabalhar).



Dá-lhe Ruas!!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

PCP: dois pesos e duas medidas.






Ainda ontem o Partido Comunista Português, grande responsável pela luta contra o regime salazarista e, assim, pela implantação da democracia em Portugal, marchou comemorando o 25 de Abril. Como podem, depois vir defender um regime que aprisiona aqueles que expressam opiniões divergentes da castrista?



Certamente que todos olhamos com imensa nostalgia para a libertação de Cuba do jugo da ditadura pró-americana por Castro e Guevara e até adoramos andar com camisolas, pins e cartazes com a efígie do Che, mas somos capazes de reconhecer que aquele regime está podre e não difere muito da autocracia do Estado Novo.



Porque não consegue o PCP perceber isto?

Notícia: Damas de Branco impedidas de se manifestarem.

"A mim não me papas!"




O Papa Bento XVI considerou, enquanto Cardeal, que a violação sexual de crianças por parte de mebros do clero não era uma coisa assim tão grave e que, portanto, deveriam se escondidos a todo o custo. Já depois de entronizado Papa continuou a sua política de escamoteamento dos crimes cometidos no seio da sua Igreja.

Não deve, agora, encarar com surpresa o desprezo com que é visto por largos sectores mais esclarecidos da sociedade europeia (1/4 dos católicos alemães considera abandonar a religião católica). É, assim, que se torna possível e, até, perfeitamente aceitável que funcionários do MNE britânico se possam andar entretendo, em reuniões oficiais, a propor a criação de uma marca de preservativos por parte do Papa, a sua benção de um casamento homossexual ou a inauguração de uma clínica de abortos.

E se, hoje, ainda teve direito a um pedido oficial de desculpas, no futuro será uma figura tão insignificante (queira Deus!) que não será seque convidado para visitas oficiais.

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril sempre, Cavaco nunca mais!







"25 de Abril sempre, Cavaco nunca mais!" Foi este o slogan alternativo que, um pouco por todo o lado, se ouviu na Marcha do 25 de Abril. E porquê, se ainda de manhã Cavaco Silva havia feito um discurso perante a Assembleia da República em que lembrava os valores da democracia e liberdade trazidos por Abril? Porque a democracia e o 25 de Abril (que permitiu que Portugal a abraçasse) são património e um produto da esquerda (razão pela qual os partidos de direita não consideram a manifestação do 25 de Abril suficientemente digna para estarem representados).

As conquistas de Abril são, efectivamente, antigas reinvindicações da esquerda (salário mínimo, a "terra para quem a trabalha", educação gratuita e universal, sistema nacional de saúde alargado, regulação do capitalismo selvagem). Exigências essas que a reacção tem, sempre, tentado, e conseguido, atacar e fazer diminuir. É esta a razão pela qual não há um único partido, organização, colectivo (e pessoa?) de direita que se encontre representado na manifestação em que se celebra esse dia glorioso em que Portugal se libertou do odioso jugo de Salazar (que era, em boa verdade, que continuava governando a partir da cova de Santa Comba).

É por tudo isto que se gritava "Cavaco nunca mais!". Quem preza os valore da justiça e igualdade social não pode, nunca, aceitar uma política de direita. Claro que num clima de crise, provocada, paradoxalmente, pela desregulação da economia que a direita pretende, os valores reaccionários são mais apetecíveis. Quando há pouco para todos, o individualismo impera e esquece-se esse valor da "fraternité" (fraternidade, solidariedade).


Todavia, todos aqueles que verdadeira e genuinamente defendem os valores de Abril, não esquecem que "o povo unido jamais será vencido" e que se vencemos 40 anos de opressão fascista, todos juntos, venceremos, igualmente, a opressão do desemprego, da discriminação, da injustiça e desigualdade social.


Viva o 25 de Abril! Abaixo a reacção!
Vídeo da manif, aqui.