sábado, 24 de abril de 2010

É este o PR que queremos?

Faz todo o sentido proteger o homem que ocultou crimas gravíssimos de violação de menores e que contribiu de forma completamente irresponsável para a disseminação da SIDA por todo o mundo e atacar aqueles cidadãos nacionais que já têm de sofrer, todos os dias, a humilhação de verem os seus relacionamentos ser considerados inferiores, não é?



Tudo isto em momento coincidente com o 25 de Abril. Francamente. É mesmo este o Presidente que queremos?
Notícia: i.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Que vergonha...




Ontem, na Faculdade de Direito da universidade de Lisboa, o Professor Paulo Otero, docente da cadeira de Direito Constitucional II, decidiu apresentar o teste que supra apresento. Fiquei completamente estarrecido quando li o respectivo enunciado. Como é possível que um professor catedrático de Direito, numa das melhores faculdades do país faça perguntas tão idiotas numa prova de uma das cadeiras fundamentais do curso? Tudo motivado por uma enorme estupidez e uma visão tacanha e discriminatória da realidade.

O que mais me choca não é, sinceramente, o facto de o referido professor comparar o casamento entre pessoas e animais ou somente entre animais àquele entre pessoas do mesmo sexo. Infelizmente, há muita gente que considera aceitável avançar este tipo de ideias em defesa de um pensamento que tem tudo de bafio salazarento. O mais espantoso é como é que um reputado jurista pode apresentar este tipo de questões. É que são de tal modo imbecis e irrespondíveis que só me fazem considerar que o ensino naquela casa se arrasta pelas ruas da amargura.

E o que terão pensado os alunos LGB que se encontravam naquela sala? A humilhação ao terem de responder àquela pergunta. A vergonha. Um professor de Direito Constitucional considera, 36 anos depois do 25 de Abril, que os seus alunos gays e lésbicas são merecedores, apenas, da mesma consideração que um "casal de animais vertebrados". Como é que não lhe passou pela cabeça o tamanho do insulto que divulgava? Da afronta. Tenho vergonha, e nojo, de viver num país em que isto se pode passar, livremente, numa faculdade de Direito. De Direito! Depois de a Assembleia da República, democraticamente eleita por todos os portugueses, ter decidido que gays e lésbicas são merecedores da mesma dignidade e valor que qualquer casal heterossexual.

Gostaria de terminar agradecendo, e fazendo a devida vénia a Raquel Rodrigues, a luna que teve a coragem de enviar um mail para blogs e alunos contestando esta situação abjecta. Sofrerá, certamente, as devidas consequências. Mas não teve medo, deu a cara por aquilo que é certo, sem pensar nas notas ou na forma como concluirá a sua formação superior, afrontando o ex-Director da FDL. Raquel, o meu mais profundo agradecimento por nos lembrares do que é verdadeiramente importante.

Numa sociedade decente, naquela em que o mais relevante á a aprendizagem dos alunos, este professor teria problemas: o exame seria, imediatamente, anulado e o docente seria, pelo menos, sujeito a um "progama de reeducação" em que lhe fariam compreender que a doutrinação dos discentes não faz parte das competênicas, obrigações ou direitos dos docentes.

E ainda alguém defende que isto não é grave, e que é apenas a emissão de uma opinião "perfeitamente válida"? Tenham vergonha!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Entrevista VII : "Uma data histórica para Portugal".




1- O que representa, para ti, o 25 de Abril de 1974?

Uma data histórica para Portugal (e para o mundo).


2- Qual é, para ti, a principal herança do 25 de Abril de 1974?

A Democracia (apesar de imperfeita) e a demonstração de que é possível fazer uma revolução sem derramamento de sangue.


3- Globalmente, a teu ver, o 25 de Abril tem um significado positivo ou negativo?

Positivo.


4- Qual foi, para ti, a figura mais importante na construção da democracia portuguesa?

O mérito pertence a um conjunto de figuras e não apenas a uma, mas posso referir, por exemplo, Mário Soares.


5- Que pensas da forma como foi realizada a descolonização?

Não tenho um conhecimento aprofundado sobre o processo, mas pelo que me contam foi algo repentino, traumatizante e mal estruturado.


6- Portugal é, hoje, uma democracia?

Sim, apesar de imperfeita. Não há sistemas perfeitos.



Dina, Designer Gráfica e Ilustradora Freelancer, 25 anos

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Entrevista VI: "Era preciso parar com a insanidade de querermos ser os "donos do mundo"




1- O que representa, para ti, o 25 de Abril de 1974?

O início de uma nova era política, o fim de um regime estagnante, a (re)abertura da democracia, com a introdução de novas liberdades, como o direito das mulheres ao voto, por exemplo. Novas liberdades, acima de tudo, portanto.


2- Qual é, para ti, a principal herança do 25 de Abril de 1974?

A conquista de novas liberdades, sem dúvida, por vezes até mal aproveitadas ou subestimadas e abrir a porta a outras que estão para surgir.


3- Globalmente, a teu ver, o 25 de Abril tem um significado positivo ou negativo?

Gosto de pensar que ainda tem um significado bem positivo no geral. Certamente será mais positivo do que o período que o antecedeu, mesmo não estando vivo para assistir. (Só a ideia de não poder estar a falar livremente em qualquer sitio assusta-me...)


4- Qual foi, para ti, a figura mais importante na construção da democracia portuguesa?

Como já disse, não era nascido nessa altura, e o pouco que sei aprendi via livros de história há algum tempo atrás. Podia dizer um nome ao calhas como Álvaro Cunhal, mas diria que o povo tornou-se a figura mais importante nessa altura.


5- Que pensas da forma como foi realizada a descolonização?

Não foi a melhor pelo que ouvi. Mas, por outro lado, era preciso parar com a insanidade de querermos ser os "donos do mundo" quando já não o éramos há muito, muito tempo, se é que alguma vez fomos.


6- Portugal é, hoje, uma democracia?

É, para o melhor e para o pior. A democracia como sistema terá sempre falhas, afinal de contas.



André, estudante (mestrado) engenharia informática, 24 anos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Entrevista V : "Uma mentalidade retrógrada e atrasada".




1- O que representa, para ti, o 25 de Abril de 1974?

Liberdade e fim da ditadura


2- Qual é, para ti, a principal herança do 25 de Abril de 1974?

Uma mentalidade retrógrada e atrasada.


3- Globalmente, a teu ver, o 25 de Abril tem um significado positivo ou negativo?

Positivo.


4- Qual foi, para ti, a figura mais importante na construção da democracia portuguesa?

Não sei.


5- Que pensas da forma como foi realizada a descolonização?

Muito mal feita, porque as ex-colónias entraram em guerras civis e muitas pessoas tiveram que fugir de lá à pressa.


6- Portugal é, hoje, uma democracia?

Parcialmente, porque há bastantes favores, cunhas, cenas obscuras, opressão da liberdade de imprensa e medo de se dizer, às vezes, o que se pensa.

Stefan, estudante história (licenciatura), 24 anos.

Que fizemos para merecer isto?




Que merda de sociedade é esta em que as pessoas se sentem no direito de chamar "paneleiro" ou "fufa" a uma outra em plena rua? O que se passa quando se admite que se atire um "que nojo" quando dois rapazes se beijam na rua? E que estamos, todos nós, a fazer na nossa apatia senão a contribuir para isto? É justo que a taxa de suicídio de adolescentes LGBT seja 3 (3!) vezes superior à daqueles heterossexuais? É aceitável? Merece conhecer violência aquele que não escolheu, não quis (e provavelmente continua a não querer) ser diferente?

Que mal tem, afinal, a diferença? Que importa, que importa se queremos estar com um homem, com uma mulher ou com os dois ou com três ou três dezenas? É assim tão errado querer ser feliz? E que igrejas são estas que deveriam pregar o amor, a paz, possibilitar a redenção e se preocupam em condenar certos tipos de amor porque é homossexual? E que Deus é, afinal, este que permite que a sua Igreja se corrompa desta maneira? Deus, para os homossexuais, morreu há muito tempo. não existe, nunca existiu, nunca protegeu. Os homossexuais estão sozinhos. Nem Deus, nem Estado, nem sociedade, nada...nada.

Como nos reduzimos a uma sub-humanidade e agredimos, violentamos, condenamos, abandonamos outro ser humano com base numa diferente forma de amar? É, afinal, a estupidez e não a inteligência que nos distingue dos outros seres? É o ódio? Como pode um pai rejeitar um filho porque é homossexual? Rejeitar o próprio filho! Como pode não proteger contra tudo, contra todos?

Por que é que não nos revotamos, destruímos, arrasamos tudo isto? E a preocupação com uma pretensa segurança pessoal, com um emprego de merda, com uma família de merda? Não percebemos que esta merda é toda encenada? Vivemos numa filha da puta de uma prisão e não queremos perceber isto. E vale para todos, homossexuais, heterossexuais, transexuais, bissexuais, todos nós contribuímos para esta merda. Todos, e ninguém diz basta.

Como é possível que nos dê prazer e não vontade de vomitar (tal o nojo que deveria representar) o acto de maltratar outro ser humano. Um igual. Como nos compadecemos quando vemos um cão abandonado e continuamos a viver alegremente quando alguém se mata, porque não aguenta mais, porque é gay. Os homossexuais são piores do que cães, valem menos.

Aung San Suu Kyi disse que "a única verdadeira prisão é o medo". Nesta merda desta sociedade, todos vivemos na puta desta prisão e somos, ao mesmo tempo, capatazes e escravos, prisioneiros e carcereiros, agressores e vítimas...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Entrevista IV : Maior figura? "Álvaro Cunhal".




1- O que representa, para ti, o 25 de Abril de 1974?

Representa a liberdade, a democracia, a liberdade de expressão e a esperança numa sociedade mais igualitária.


2- Qual é, para ti, a principal herança do 25 de Abril de 1974?

Não é justo dizer só uma, mas a principal e sem duvida a da democracia. Sem democracia não seria possível a existência de liberdade de expressão que é, na minha opinião, o bem mais precioso. E foi graças à democracia que outras mudanças tiveram lugar no pós-25 de Abril. Entre essas mudanças, a universalização do ensino, um serviço nacional de saúde, que apesar das suas debilidades é considerado dos melhores em termos mundiais, além de que a sociedade não só se tornou mais igualitária, mas também mais inclusiva, mesmo com as minorias.


3- Globalmente, a teu ver, o 25 de Abril tem um significado positivo ou negativo?

Positivo, sem sombra de dúvidas


4- Qual foi, para ti, a figura mais importante na construção da democracia portuguesa?

Álvaro Cunhal.


5- Que pensas da forma como foi realizada a descolonização?

Sinceramente, não tenho uma opinião muito bem fundamentada sobre isso. A descolonização foi uma coisa boa, mas tenho algumas dúvidas em relação a forma como foi feita.


6- Portugal é, hoje, uma democracia?

Claro, mas uma democracia embrionária. É mais uma democracia em construção.


Teresa, estudante de comunicação social (licenciatura), 22 anos.