sábado, 17 de abril de 2010

Entrevista I: "A força daqueles que lutaram por uma causa e conseguiram"




1- O que representa, para ti, o 25 de Abril de 1974?

Liberdade, porque para mim foi o fim do sofrimento de muitas pessoas neste país. Foi uma viragem muito importante na história do nosso país


2 - Qual é, para ti, a principal herança do 25 de Abril de 1974?

A força daqueles que lutaram por uma causa e conseguiram. Acabamos por bater na mesma tecla, mas será mesmo a liberdade trazida ao povo português oprimido durante tanto tempo.


3 - Globalmente, a teu ver, o 25 de Abril tem um significado positivo ou negativo?

Super positivo


4- Qual foi, para ti, a figura mais importante na construção da democracia portuguesa?

Ramalho Eanes, e o próprio Mário Soares lutou por uma política democrata.


5- Que pensas da forma como foi realizada a descolonização?

De uma forma péssima. Muitos familiares meus sofreram as consequências dessa descolonização porque a minha família foi obrigada a sair de um país que era deles.Eles são africanos de raiz, não são descendentes de portugueses. Tiveram de fugir porque se tornou completamente impossível viver num país que eles amavam, onde tinham uma vida excelente, onde eram felizes.
As condições com que vieram para Portugal foram horríveis, aviões super lotados com crianças no chão. Imagina o que é teres de deixar uma casa, todos os teus bens, até mesmo familiares, porque o teu país está em guerra. Reconstruir uma vida numa cidade que não conheces (neste caso Lisboa), que, mesmo sendo o teu país, estava a milhares de km de distância, noutro continente
Não houve escolha de direitos para as pessoas que ali viviam e tinham as suas vidas, ou saíam dali imediatamente ou morriam. Não havia mais hipóteses, é horrível imaginar esta situação, mas foi o drama de milhares de portugueses que passaram por tudo isso


6- Portugal é, hoje, uma democracia?

Não. Quando temos supostamente, e digo supostamente porque de nada se tem a certeza, um primeiro-ministro que controla toda a comunicação social, não pode ser uma democracia. E quando nem toda a gente tem direitos neste país também não pode ser democracia. Não defendo que toda a liberdade seja permitida porque senão era o descambar total deste país, mas há muitas mentalidades que têm de ser mudadas. Ainda há muita gente que sente falta do Salazar...


Vanessa, Produtora, 22 anos

Os jovens e o 25 de Abril.




A Revolução dos cravos ocorreu, vai fazer no próximo dia 25, 36 anos. Foi um acontecimento quase mágico. A noite extremamente tenebrosa em que Salazar tinha envolto o país (e que Caetano mais não fez do que prolongar) terminou, de forma abrupta, naquela prodigiosa madrugada, onde, pela primeira vez em mais de 40 anos, o sol brilhou em Portugal.

Numa acontecimento único na história da humanidade, um golpe militar democratizou um país e entregou o poder ao povo. O sol que brilhou na manhã de 25 de Abril de 1974 não mais se viria apagar (apesar de tudo).

Tenho ouvido, de forma mais recorrente do que penso ser justo, dizer àqueles que presenciaram e tomaram parte nas acções de Abril, que os jovens de hoje, aqueles que nasceram já depois de feito e consolidado o 25 de Abril, desconhecem aquilo que significou a Revolução dos Cravos e que, assim, facilmente podem malbaratar a herança de Abril.

Eu estou, intíma e sinceramente, convencido do contrário. Penso que os jovens portugueses que nasceram e sempre viveram em liberdade, que sabem o que é poder manifestar livremente uma opinião, poder sair livremente do país, não sentir na pele a míngua da miséria e da coerção do pensamento, valorizam imensamente a herança da Revolução portuguesa e estão sobre a mesma, relativamente, informados.

É isto que vou tentar provar com um pequeno projecto pessoal. Proponho-me fazer uma pequena entrevista a alguns jovens portugueses (todos nascidos pelo menos uma década após a Revolução) para averiguar, ainda que de uma forma que aceito imperfeita, o conhecimento da juventude nacional sobre este momento histórico e de que forma entendem as suas principais consequências.

As perguntas são as seguintes:
1- O que representa, para ti, o 25 de Abril de 1974?
2- Qual é, para ti, a principal herança do 25 de Abril de 1974?
3- Globalmente, a teu ver, o 25 de Abril tem um significado positivo ou negativo?
4- Qual foi, para ti, a figura mais importante na construção da democracia portuguesa?
5- Que pensas da forma como foi realizada a descolonização?
6- Portugal é, hoje, uma democracia?

Irei tentar, até ao final deste mês, publicar duas entrevistas por dia. Estejam atentos, porque penso que as respostas podem ser extremamente interessantes e surpreendentes. Desde já lanço o repto para que todos aqueles que queiram responder a este pequeno rol de perguntas que me contactem. Quanto mais diferentes forem a visões que conseguir recolher, melhor.

Se considerarem que este projecto merece ter alguma relevância, divulguem-no como puderem e conseguirem.

Obrigado a todos aqueles que prestaram a sua contribuição.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Viva Abril!




Abril é o mês em que se comemora a liberdade do povo português. Oprimido durante mais de quatro décadas por uma férrea ditadura, foi só a 25 de Abril de 1974 que conheceu, finalmente, a democracia, trazida na ponta de espingardas que nunca dispararam, por capitães e outros oficiais "menores". Uma classe inicialmente despolitizada que apenas desejava um fim para uma hedionda guerra colonial e uma política interna tenebrosa que mantinha a maior parte dos portugueses amordaçados.

O 25 de Abril de 1974 foi no mais importante acontecimento histórico do meu país no século XX e eu sou um Rottweiller na sua defesa.

Neste mês de Abril teremos muito tempo para discutir uma enorme panóplia de questões que dizem respeito a este marco importantíssimo na história nacional, na medida em que este modesto blogue (até ao final do presente mês) se tornará temático, subordinando-se aos assuntos que de alguma forma estejam relacionados com a Revolução Portuguesa. Espero que para aqueles que, como eu, se interessam por estas questões, este blogue se possa tornar um espaço de troca de ideias e pensamentos.

Agora percebo...

Encontro-me, absolutamente, arrepiado ao ler esta notícia. Algo que tenho tentado não encarar, mas que é, de há muito, uma preocupação presente nos meus pensamentos. Interrogo-me como pode Portugal construir uma democracia, estabelecer as condições para uma cidadania plena, para a defesa das liberdades se os seus jovens não conseguem perceber aquilo que se passa à sua volta?


É com frequência que encontro jovens licenciados na área das ciências sociais que afirmam não ter o hábito de ler...ou de pensar...


Muitas vezes me perguntei como poderia uma grande parte dos mais novos deste país apoiar José Sócrates. Agora compreendo que o que acontece é que não têm, sequer, a capacidade de entender aquilo que verdadeiramente se passa.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Grande Manha.




Quando veio a público (e, para mim, através do Público) a notícia de que o PS iria formalizar o seu apoio à candidatura de Manuel Alegre, eu logo achei aquilo estranhíssimo e questionei-me porque é que Sócrates que nas presidenciais de 2005 tudo havia feito para que Alegre as perdesse e para que ganhasse o candidato da reacção, e, agora, vinha, tão cedo, dar o apoio do partido ao candidato desavindo com o mesmo.


"Deve ter alguma manha na manga", conclui, então, na minha eterna desconfiança para com aquele que nas artimanhas parece o delfim do velho "manholas" (o Prof. Salazar).


Afinal, por volta das seis da tarde, tudo se esclareceu. A notícia do apoio a Alegre era falsa. E Cavaco pode respirar de alívio. Sócrates tem tudo controlado.

A minha faculdade, parte I.




Hoje foi o "Dia Aberto" na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o meu estabelecimento de ensino actual. Os dias abertos servem, supostamente, para ajudar os finalistas do ensino secundário a decidir a faculdade que querem vir a frequentar.


O dia escolhido para visitar a minha foi péssimo. Um dia de chuva pavorosa que deu à esplanada(o principal - único?- grande trunfo estrutural da FCSH) um ar de horrenda desolação que só pode ter causado uma péssima imagem naqueles jovens visitantes.


Por outro lado, arranjaram as portas da entrada e as casas-de-banho do rés-do-chão já deixaram de verter (até ver) os fluidos dos respectivos utilizadores para o átrio principal, o que pode ter atenuado um pouco a má impressão causada nos futuros estudantes universitários.


Quando estava na Biblioteca, a tentar, desesperadamente aceder à internet, mas o servidor, dando uma imagem bastante mais próxima da realidade académica do centro de estudos do que aquele que era trasmitido pelos cicerones universitários, se encontrava " em baixo, deparei-me com o grupo de liceais que se encontrava a seguir um estudande da área de "Estudos Políticos" que lhes explicava os meandros do respectivo Departamento.


Quanto penetraram naquela loja de alfarrabista pessimamente organizada a que costumamos chamar de Biblioteca, ouço o referido estudante fazer a seguinte afirmação: "Ah, o que vocês ouviram do professor Horta Fernandes tem que ver com o facto de ele ser um teórico realista e, assim, põe as coisas na forma pior possível e explica tudo a partir daí".


Achei fascinante esta definição do realisto político, embora tenha quase a certeza que o professor em causa discorde em absoluto da mesma, assim como qualquer outro "teórico realista". Só espero é que os visitantes de hoje tenham tido acesso aquele pensamento que me assaltou quando com eles pela primeira vez me confrontei: "fujam!".


terça-feira, 13 de abril de 2010

L'église est morte




A Igreja Católica vive a sua pior crise interna desde o tempo da Reforma Protestante. E mesmo nessa altura do séc. XVI, a Igreja Católica não se viu tão descredibilizada. Quem quis sair saiu, quem quis ficar ficou. Saíram, sobretudo, por divergências teológicas e não por causa dos comportamentos dos sacerdotes.

É assim que, hoje, a Igreja Católica Apostólica Romana se encontra perante a hercúlea tarefa de ter de efectuar uma gigantesca purga interna para poder enfrentar o clamor social de justiça que os seus seguidores, as crianças abusadas e toda a sociedade “ocidental e cristã” lançam por causa dos inúmeros casos de pedofilia entre os mais diversos membros do clero.

Uma investigação interna séria destes casos só poderia ter um resultado: o colapso da maioria das instituições eclesiásticas superiores e a queda de Ratzinger. Ora, ninguém (a começar pelos padres pederastas e a terminar no próprio Bento XVI, passando por toda aquela corja que sumptuosamente vive no Vaticano à custa dos crentes católicos) quer isto.

Assim, é melhor andar a dizer que a pedofilia se encontra relacionada com a homossexualidade e não com o celibato, continuando com o encobrimento dos hediondos crimes cometidos por aqueles que deviam pregar a paz, o amor e todas essas coisas que as Igrejas são sempre extremamente bem sucedidas a combater.

O “Rotweiller de Deus” (o cognome ternurento com que alguns, muito acertadamente, baptizaram Joseph Ratzinger) prefere avançar sobre estas acusações qual divisão Panzer em vez de procurar limpar o nome da Santa Madre Igreja. Afinal, a culpa é da homossexualidade, do uso do preservativo, do Islão e estas acusações são até piores do que a perseguição centenária aos Judeus.

Na Alemanha, esta atitude já provocou o facto de a Igreja Católica ser a instituição com a pior reputação (mesmo pior do que os partidos políticos e instituições governativas) e que ¼ dos seus seguidores esteja a pensar abandonar a crença católica. O Papa “Panzer” devia estar preocupado com esta situação e pôr em prática uma reforma da Igreja (próxima daquela que se seguiu à Reforma protestante). Não está interessado, porque se preocupa mais com o poder terreno do que com a missão divina da Igreja.


Ainda bem que o governo português (sempre o lema Socrático: “uma no cravo, outra na ferradura”: casamento gay, mas dias livres para ir tudo ver o Papa) o vai premiar, atribuindo “feriado” aos funcionários estatais dia 13 de Maio. Sem comentários...