Encontro-me, de momento, na Turquia, mais precisamente na região da Capadócıa, razão pela qual me tem sido extremamente difícil vir, aqui, com regularıdade, actualizar este receptáculo dos meus pensamentos. Encontro-me, por outro lado, a escrever utilizando um teclado turco, o que torna bastante maís difícıl e morosa a publicação de um qualquer texto. Gostava, todavia de deixar, nestes espaço, um pequeno testemunho de algumas primeıras impressões acerca da realidade turca.
Em primeiro lugar, se é certo que apenas 4% do território turco se encontra, geografıcamente, na europa, a verdade é que, por aquilo que tıve a possibılidade de observa (e estive, ontem, em Konya, uma das mais tradicionais cidades turcas), o povo turco é muito mais ocidental e europeu que oriental, asiático ou árabe. Chegou a ser decepcionante as parecenças do modo de vida turco em relação ao portugues (os teclados turcos não tem acento circunflexo). Ğpr exemplo,a esmagadora maioria das mulheres turcas (na zona do medıterraneo, mas mesmo no interior não usam lenço para cobrir a cabeça (embora nas zonas mais tradicionais o uso seja mais comum, não abrangendo, todavia, a população mais jovem).
Revelando uma maior capacidade de aproveitamento do clima do que aquela que exıste no nosso país, todas as casas turcas, por maıs humildesque sejam, possuem painéıs solares que utiilizam para aquecer a água.
Todas as ruas (mesmo!!!) estão guarnecidas de lojas no rés-do-chão, o que revela a apetencia deste povo para o negócio e o tipo de economia exıstente (cujo crescimento está, quase em absoluto, dependente do consumo interno).
O turco não estabelece a diferenciação entre masculino e feminino (as palavras tem todas o mesmo género), razão pela qual o portugues é uma língua extremamente difıcıl para este povo (que não fala uma palavra de ingles).
A regıão da Capadócıa, em termos de belezas naturais, é, francamente, do melhor que já vi.
domingo, 28 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
A discriminação da doença mental.

Um recente estudo revelou ser Portugal o país europeu com mais doenters mentais. Não foi com grande estranheza que recebi esta notícia. No nosso país, o doente mental para além da enfermidade tem de lidar com a discriminação derivada da sua situação. Por razões que dizem respeito ao desconhecimento ainda patente sobre o funcionamento do nosso cérebro e à crença (cristã) da superioridade da mente (o composto da alma) sobre o corpo, a doença mental é vista como uma fraqueza provocada pela própria pessoa. Como algo que o sujeito deveria ser capaz de vencer sozinho.
Ninguém se atreveria a dizer a uma pessoa com um cancro incurável: “tens de fazer um esforço! Tudo depende de ti”. Não ousaríamos, sequer, fazer tal afirmação perante uma pessoa que partiu o braço e cuja recuperação está a ser ligeiramente mais demorada. Em relação ao doente de cancro manifestaríamos a nossa pena e solidariedade pela situação, ao do braço partido perguntaríamos “precisas de ajuda para alguma coisa?”.
O doente mental não é digno de nenhuma destas atitudes. Sobretudo aquele que não sofre de uma diminuição das capacidades cerebrais, mas “somente” de depressão ou ansiedade generalizada. Quem recorre a um psicólogo ou psiquiatra (e, por incrível que possa parecer, ainda é mais aceite o recurso a este do que àquele) é, imediatamente, classificado de maluco. É, assim, que a maioria das depressões e estados de ansiedade gravosos no nosso país são tratados quase sempre com recurso a medicamentos e por médicos de clínica geral.
Se, por exemplo, nos Estados Unidos é absolutamente comum ir ao psicólogo, terapeuta ou psicanalista, em Portugal é sempre com vergonha que se recorre a este tipo de serviços.
Há uma razão de fundo para esta discriminação: o medo de que também nos possa acontecer, de não estarmos a salvo de, um dia, termos de enfrentar o sofrimento psicológico. Assim, preferimos ver o mal-estar mental como um problema dos “outros”, que “eles, porque são fracos, não conseguem resolver, mas que, nós conseguiríamos enfrentar com facilidade.
Aquilo com que odiamos ser confrontados é que a barreira que nos separa dos “malucos” é tão ténue que, de um momento para o outro, a janela do nosso sexto andar ou os calmantes da nossa avó podem parecer a melhor solução.
terça-feira, 23 de março de 2010
As contratações de Queiroz.

Como já deveria ter ficado patente ao longo destes escritos, eu não sou um grande nacionalista ou patrita, e sou-o muito menos quando se refere ao apoio à selecção portugusa de futebol.
Sou, por outro lado, completamente favorável à agilização do processo de aquisição da nacionalidade portuguesa (para os imigrantes que aqui vivam há já alguns anos e com um certo carácter de permanência).
Agora, não podemos fazer das selecções nacionais simples clubes e andar por aí a contratar jogadores estrangeiros só porque no nosso país existe escassez de atletas de certas posições.
segunda-feira, 22 de março de 2010
O arrependimento e a motivação do fanatismo.

O arrependimento é talvez o sentimento humano mais poderoso. A sua importância advém do facto de ser, em princípio e na maioria das pessoas, um sentimento permanente e poder ter manifestações de carácter particularmente negativo. A mairia de nós lida com o arrependimento com negação ("não me arrependo de nada!") ou com uma mistura de sentimento de culpa e promessas de mudança.
Há, todavia, aqueles cujo o grau de arrependimento com as más decisões é tão elevado que se sentem na obrigação de modificar não só os próprios comportamentos, como também a vida daqueles que os rodeiam. Tudo sempre com o prezável objectivo de impedir que aconteça a outrem aquilo que lhes perturba, ainda hoje, os dias. Provavelmente sem querer, estas pessoas são muitíssimo perigosas, na medida em que as suas acções tem uma motivação punitiva e expiatória: o auto-castigo (pelas más acções do passado que cumpre expiar) e a luta contra todas "devassidões" da sociedade actual.
Em muitos casos, estas acções são levadas a cabo através da criação ou alistamento em grupos religiosos (na maior parte dos casos) radicais. David Grisham, um habitante de Amarillo, Texas, pertence lidera um desses grupos que se auto-intitula "O Exército de Deus". "Os nossos alvos são todos os lugares associados ao sexo, bruxaria, paganismo, ocultismo e falsas religiões... Tudo o que é imoral e não é cristão", diz Grisham. Assim, bares gays, clubes de swing e de strip-tease, sex-shops, grupos de conservação da natureza, organizações pacifistas, clínicas de planeamento familiar, clubes de astronomia ou gabinetes de astrólogas e cartomantes são regularmente incomodados pelo grupo de Amarillo.
O líder deste conjunto para-religioso, reconhece que no passado foi um "fornicador e adúltero" e que ouvia rock. Sente-se extremamente arrependido dos erros cometidoa até há 8 anos (quando descobriu Cristo) e que o fazim estar submerso numa "existência escatológica". Agora, entretém-se a fazer a vida negra a imigrantes, homossexuais e casais interraciais, tudo em nome daquilo que é cristão e moralmente válido.
Há, todavia, aqueles cujo o grau de arrependimento com as más decisões é tão elevado que se sentem na obrigação de modificar não só os próprios comportamentos, como também a vida daqueles que os rodeiam. Tudo sempre com o prezável objectivo de impedir que aconteça a outrem aquilo que lhes perturba, ainda hoje, os dias. Provavelmente sem querer, estas pessoas são muitíssimo perigosas, na medida em que as suas acções tem uma motivação punitiva e expiatória: o auto-castigo (pelas más acções do passado que cumpre expiar) e a luta contra todas "devassidões" da sociedade actual.
Em muitos casos, estas acções são levadas a cabo através da criação ou alistamento em grupos religiosos (na maior parte dos casos) radicais. David Grisham, um habitante de Amarillo, Texas, pertence lidera um desses grupos que se auto-intitula "O Exército de Deus". "Os nossos alvos são todos os lugares associados ao sexo, bruxaria, paganismo, ocultismo e falsas religiões... Tudo o que é imoral e não é cristão", diz Grisham. Assim, bares gays, clubes de swing e de strip-tease, sex-shops, grupos de conservação da natureza, organizações pacifistas, clínicas de planeamento familiar, clubes de astronomia ou gabinetes de astrólogas e cartomantes são regularmente incomodados pelo grupo de Amarillo.
O líder deste conjunto para-religioso, reconhece que no passado foi um "fornicador e adúltero" e que ouvia rock. Sente-se extremamente arrependido dos erros cometidoa até há 8 anos (quando descobriu Cristo) e que o fazim estar submerso numa "existência escatológica". Agora, entretém-se a fazer a vida negra a imigrantes, homossexuais e casais interraciais, tudo em nome daquilo que é cristão e moralmente válido.
Podíamos pensar que Grisham é só completamente doido e isso era mais fácil. Convém, contudo, perceber as razões profundas do fanatismo deste texano, aquilo que lhe dá a força que tem, na medida em que o número de pessoas comprometidas com o movimento é, relativamente, reduzido. David Grisham, tal como todas as pessoas que estão interiormente comprometidas com a mudança dos estilos de vida de outros (de que os marchantes lisboetas contra o casamento gay são um exemplo claro), são perigoso porque a luta que empreendem contra "os outros" é, no fundo, o espelho de uma luta interior que se esforçam todos os dias para não perder.
A insegurança da "queda na tentação" faz com que demonizem outras formas de encarar a existência e que tenham pavor de tudo quanto se aproxime de uma ideia de liberdade. É o médio e não o ódio, a ignorânica, o desconhecimento ou a desconfiança que os movem. São assustadoramente fiéis às suas crenças e porque lutam contra eles próprios, a sua derrota implica a eliminação pessoal.
A "era Pinto da Costa" chega ao fim.

Eu confesso não ser o maior fã de futebol, mas, ontem, fiquei deveras satisfeito com a vitória do Benfica. Não pelo título conquistado em si e não pela derrota brutal do F.C.Porto, mas porque me parece que marca o fim de um ciclo nas competições nacionais deste desporto.
Um ciclo marcado pelas maquinações e conspirações de Pinto da Costa para conseguir fora de campo aqui que não conseguiria dentro das quatro linhas, um período em que o F.C. Porto era, efectivamente, superior e os títulos do campeonato nacional só mudavam de dono quando este último clube os perdia e nunca por mérito real dos adversários.
Ontem, apesar de todos os planos do seu Presidente, o FC Porto foi esmagado do Algarve. Trucidado. Cilindrado. O SLB não precisou, sequer, de uma arbitragem isenta. Era vencedor desde os primeiros 15 minutos e nunca o seu adversário foi sufiente para, ao menos, suster os ataques encarnados.
Esta vitória significa um severo revés para Pinto da Costa. Atolado em cada vez mais casos de alegada corrupção e suborno, Costa contava com as vitórias desportivas para garantir o apoio e o prestígio necessário para ir, placidamente, afastando as acusações. A decadência desportiva dos azuis e brancos (cuja possibilidade de vitória no campeonato nacional é, já, somente matemática) compromete seriamente um Presidente que sempre utilizou o FC Porto como apoio financeiro e "social".
Notícia: i, Público, TVI24
domingo, 21 de março de 2010
A purificação da raça.
É muito reconfortante saber que Mário Machado para além de ser um lutador pela libertação do território nacional de tudo o que não sejam brancos, está também preocupado com a purificação da raça portuguesa.
Há uns senhores que andam com sorte, porque a criatura nunca passou por S. Bento...
Há uns senhores que andam com sorte, porque a criatura nunca passou por S. Bento...
Os tempos são outros.

O ultra-conservador Benjamin Netanyahu está de visita aos EUA e irá aproveitar para pedir bombas capazes de perfurar bunkers para poder atacar as instalações nucleares iranianas. O primeiro-ministro israelita acredita que só pela força conseguirá o estado de Israel sobreviver num enquadramento territorial que lhe é tão hostil.
Já desde os finais da Guerra-Fria, a queda de uma super-poderosa (em termos militares) União Soviética, fez com que se percebesse que o poderio militar, a força bélica tinha perdido a importância de outras eras. A guerra do Iraque, talvez o último momento unipolar, reforçou esta ideia. O plano de G. W. Bush (ao estilo das cruzadas medievais) de implementar a democracia e forçar a aceitação dos "valores ocidentais" No Oriente Médio pela espada saldou-se num falhanço crasso que proporcionou uma crescente margem de manobra aos talibãs afegãos, aos fundamentalistas iranianos e aos extremistas paquistaneses.
Uma acção militar contra o Irão é, apesar das ameaças americanas, impossível. Os atoleiros iraquiano e afegão impedem Obama de ter mão livre para programar uma resposta militar contra o regime dos Ayatollahs. Prevenir que os iranianos adquiram armas nucleares apenas pode ser feito com a colaboração russa e chinesa.
Netanyahu é, assim, um homem ultrapassado pelos tempos actuais. Custa-lhe compreender aquilo que Ariel Sharon (antes do ataque cardíaco que, infelizmente, o colocou em coma) havia percebido: a menos que encontre, num espaço de tempo cada vez mais curto, uma solução diplomática para o conflito palestiniano, Israel irá sucumbir e, por mais estridente que se revele o clamor do povo judaico, os americanos não o poderão atender como noutros tempos em que a Guerra Fria ou a unipolaridade lhes permitiam carta branca no auxílio ao principal aliado na região.
Este pequeno paísl comprometeu as possibilidades de um acordo de paz com a Palestina (que, afinal, Bibi não quer) ao forçar a ascensão do Hamas em Gaza. Hoje, continua a impor um bloqueio ilegal ao único território palestiniano que tem uma administração verdadeiramente autónoma e a construir colonatos em Jerusalém Ocidental.
Israel encontra-se mais perto do abismo do que quer admitir. E Netanyahu não tem feito mais do que dar passos decisivos no sentido da queda.
Já desde os finais da Guerra-Fria, a queda de uma super-poderosa (em termos militares) União Soviética, fez com que se percebesse que o poderio militar, a força bélica tinha perdido a importância de outras eras. A guerra do Iraque, talvez o último momento unipolar, reforçou esta ideia. O plano de G. W. Bush (ao estilo das cruzadas medievais) de implementar a democracia e forçar a aceitação dos "valores ocidentais" No Oriente Médio pela espada saldou-se num falhanço crasso que proporcionou uma crescente margem de manobra aos talibãs afegãos, aos fundamentalistas iranianos e aos extremistas paquistaneses.
Uma acção militar contra o Irão é, apesar das ameaças americanas, impossível. Os atoleiros iraquiano e afegão impedem Obama de ter mão livre para programar uma resposta militar contra o regime dos Ayatollahs. Prevenir que os iranianos adquiram armas nucleares apenas pode ser feito com a colaboração russa e chinesa.
Netanyahu é, assim, um homem ultrapassado pelos tempos actuais. Custa-lhe compreender aquilo que Ariel Sharon (antes do ataque cardíaco que, infelizmente, o colocou em coma) havia percebido: a menos que encontre, num espaço de tempo cada vez mais curto, uma solução diplomática para o conflito palestiniano, Israel irá sucumbir e, por mais estridente que se revele o clamor do povo judaico, os americanos não o poderão atender como noutros tempos em que a Guerra Fria ou a unipolaridade lhes permitiam carta branca no auxílio ao principal aliado na região.
Este pequeno paísl comprometeu as possibilidades de um acordo de paz com a Palestina (que, afinal, Bibi não quer) ao forçar a ascensão do Hamas em Gaza. Hoje, continua a impor um bloqueio ilegal ao único território palestiniano que tem uma administração verdadeiramente autónoma e a construir colonatos em Jerusalém Ocidental.
Israel encontra-se mais perto do abismo do que quer admitir. E Netanyahu não tem feito mais do que dar passos decisivos no sentido da queda.
Subscrever:
Mensagens (Atom)