quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Como se pode (efectivamente) ajudar o Haiti



"Amálgama" é como o enviado especial do Público descreve a aituação actual da cidade de Port au Prince. O que nos temos esquecido é que "amálgama" é uma palavra que caracteriza o Haiti desde sempre. Preocupamo-nos, imensamente, perante tamanha catástrofe em "ajudar" as vítimas haitianas, olvidando que é muitíssimo maior o número daqueles que sucumbiram perante a insuportável instabilidade política que reina no país desde sempre.

Raptos, morticínio, pilhagens, incêndios, luta brutal pela sobrevivência já marcavam a vida da população haitiana desde os tempos da independência.

Perguntamo-nos, hoje, como podemos ajudar o Haiti. Podemos ajudar este pequeno Estado através de responsbilidade e transparência na ajuda fornecida, desmonetarização da APD e, sobretudo, assumindo que, enquando "ocidentais" e "desenvolvidos" por vezes não somos os detentores da solução milagrosa para o "atraso".

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Pata na poça



O Estado português pediu mais tempo à Comissão Europeia para responder às questões postas pelo órgão comunitário no que respeita ao concurso (ou, ao que parece, à falta dele) para o fornecimento dos computadores "Magalhães".

Na altura em que surgiu a desconfiança de que não teriam sido respeitadas as regras comunitárias de concorrência, "o secretário de Estado das Obras Públicas e Comunicações, Paulo Campos, negou a existência de um processo de contratação directa dos computadores Magalhães à JP Sá Couto, salientando que houve um total de nove marcas (duas das quais portuguesas) a fornecer os computadores".

Se existiu, realmente, o tal procedimento concursal porquê a demora em enviar essa tão simples resposta? Parece que, mais uma vez, o engenheiro (ou lá que título arranjou o senhor na prestigiada Universidade Independente) meteu a pata numa descomunal poça!

Um caso de persistência




Um rapaz de 15 anos, durante 4 anos, pintou, no programa "Paint", um "quadro" com dimensões de 2,3m por 2,5m. Está um desenho fabuloso, efectivamente. E gabo-lhe a persistência.

Vejam o vídeo aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Louçã e Alegre "entalam" Sócrates



Na sequência da assunção da candidatura por parte de Manuel Alegre, Francisco Assis já se veio pronunciar dizendo que "regista a disponibilidade" do candidato, mas que é cedo para o PS se pronunciar sobre as presidenciais de 2011. Contudo, do cedo se fez tarde e Vitalino Canas (numa declaração "pessoal", que tem tudo de oficioso dada a proximidade que tem com Sócrates) já veio dizer que a candidatura de Alegre irá dividir o partido e que nomes como Ferro Rodrigues ou António Guterres seriam muito mais consensuais e poderiam recolher votos ao centro e à esquerda (notícia aqui).

aqui defendemos que a Sócrates nada interessa ter um candidato forte que possa conquistar a Presidência da República para a esquerda. Para o líder socialista Cavaco é, de facto, o melhor candidato. Todavia Sócrates ´não terá outra hipótese, penso, que não seja apoiar Alegre.

De Ferro Rodrigues já ninguém se lembra e António Guterres permanece na memória colectiva (apesar da amnésia que nestas questões marca o perfil do nosso povo. Basta pensarmos na eleição de Cavaco) como aquele que fez o país transitar de um período de crescimento para um de vacas magras. Assim, se José Sócrates não quiser que o seu candidato fique atrás do do BE (Louçã já veio dizer que apoiará a candidatura de Alegre: aqui e aqui), terá, realmente, de apoiar o candidato-poeta.

sábado, 16 de janeiro de 2010

E agora Sócrates?



A anunciada candidatura de Manuel Alegre as presidenciais de 2011 é uma boa notícia para todos aqueles que são de esquerda. Em Alegre admiro mais o poeta do que o político. Acho-o presunçoso e a forma como "patinou" em Outubro de 2008 nas questões do casamento e adopção "homossexuais" não ajudaram a que a minha imagem política do histórico socialista saísse muito melhorada.

Parece-me, contudo, que é, no momento actual, a única pessoa capaz de congregar as forças à esquerda e ganhar as presidenciais ao ultra-conservador Cavaco Silva. O BE irá, com toda a certeza, anunciar o seu apoio a Alegre e o PCP seguirá o exemplo, porque ñinguém quer apresentar um candidato para ficar com um número miserável de votos. Para quem a situação fica, efectivamente, muito complicada é para o Eng. José Sócrates.

Como bem se sabe, a vitória de Cavaco Silva nas últimas eleições presidenciais foi muito do agrado do Governo PS. (Ninguém me tira da cabeça, aliás, que Sócrates encetou uma estratégia deliberada para fazer perder qualquer candidato da esquerda). Todavia, ágora Sócrates não terá qualquer hipótese senão indicar o poeta como candidato do partido. É que depois do desaire de Soares, dúvido que o líder do PS encontre alguém no seu partido disponível para repetir tão triste figura.

Vídeo: TVI24. Actualização: ionline.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Até quando?



O Ministro Teixeira dos Santos ameaçou incluir no OE para 2010 um aumento de impostos se as propostas da oposição que prevêem um aumento da despesa forem aprovadas. Este Governo, que toda a populaça considera muito de esquerda porque aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, prepara-se para uma nova e definitiva viragem à direita com a preparação do Orçamento em conjunto com PSD e CDS, não tendo aberto, de forma franca, a via negocial ao BE e PCP.

Enfim, parece que, afinal, a única coisa que o Governo Sócrates tinha sido capaz de fazer no mandato anterior caiu por terra e o défice português está, novamente, nos níveis que fazem a Euro-lândia tremer pela estabilidade da moeda única. É o que dá utilizar medidas neo-salazarentas para resolver os problemas financeiros. Cortar na despesa (de forma errática e com total falta de critério) e aumentar os impostos (sobretudo sobre o "elo mais fraco" e quem estava mais à mão: os funcionários públicos). A criação de riqueza nunca foi, nem será, pelo que já se adivinha, prioridade do Governo.

Assim, o défice das contas públicas manter-se-á endémico no nosso país. E agora que já não há nada para vender (Manuela Ferreira Leite encarregou-se das últimas vendas na sua altura) não se imagina como poderá Sócrates resolver o problema. Mas com a falta de alternativas que o PSD apresenta (e que continuará a apresentar por uns bons anos) quem sofre é a mesma populaça que apoia Sócrates (desemprego, cortes na saúde e educação, baixos salários...). Até quando?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Cortar a ajuda? (ou Como fica a nossa responsabilidade "humana"?)



Na sequência daquilo que vimos aqui escrevendo, pus-me a pensar que só nos lembramos destes catastróficos países quando violentos cataclismos naturais ou socias os assolam.

O Haiti é mais um dos países esquecidos que o nosso globo carrega. Preocupamo-nos agora com o sofrimento causado pelo terramoto à população haitiana, mas será que, antes disto, alguma vez tínhamos pensado no pequeno país caribenho? Sabíamos, sequer, onde fica? Que desde sempre aquele povo sofre com a submersão em crises políticas sucessivas?

Mas, afinal, que responsabilidade é a nossa por aquilo que se passa nos outros países? De que forma podemos "ajudar" as populações de países que vivem soba cruz das crises humanitárias? Muitos e reputados académicos (dos quais Dambisa Moyo é a mais recente representante) referem que se deve cortar a ajuda, já que esta só leva à coacção do desenvolvimento e promoção de regimes cleptocráticos.

E a nossa responsabilidade, enquanto seres humanos, de ajudarmos outro ser humano quando a necessidade é extrema? Como podemos rejeitar salvar uma vida em busca de um bem maior?

Notícia: Público.