quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Natureza vs Cultura (ou: E para aqueles que (ainda) acreditam no casamento....)



A psicóloga francesa Maryse Vaillant afirmou, na sua obra "Les hommes, l’amour, la fidélité", que a "infidelidade masculina ajuda a salvar o casamento". A infidelidade faz parte do espaço masculino e deve ser entendida como natural, sendo que os homens que não a praticam podem ter uma "fraqueza de carácter". Diz a autora que estes homens "não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem”.

Contudo, para mim, a mensagem mais importante do livro é a de que a fidelidade deve ser encarada não enquanto emanação da natureza (por natureza, todos os primatas são polígamos), mas como criação cultural. É certo que em muitas coisas (protecção dos deficientes, etc.) o homem ultrapassou os constrangimentos naturais no que diz respeito às relações.

E neste ponto? Já "vencemos" a natureza? Mais uma pergunta: será que tem sentido "vencer"? Afinal amor e fidelidade estão ligados em que ponto?

Avaliação: o bicho-papão.



Ontem, sindicatos dos professores e Ministério da Educação não conseguiram chegar a acordo. As "negociações" prosseguem em 2010.

Perante isto, apetece-me citar José Leite Pereira ("Jornal de Notícias", 30-12-2009):

"A luta dos professores vai regressar, a menos que o Governo recue uns anos e a avaliação seja bem diferente do que está a ser proposto agora, ficando tão inútil como era então".

Terá Razão?

The world according to Ronald Reagan.



E, de certeza, de acordo, também, com quase toda a direita americana. Era só mudar ali a coisa da Tatcher e da URSS e acrescentar "our new Vietnams" na zona do Afeganistão e Iraque e ficava: The world according to G. W. Bush.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Havia hipótese de desacordo?



A nova ministra da Cultura, Grabriela Canavilhas, afirma que o Acordo Ortográfico deve entrar em vigor o mais depressa posssível. Dentro de dois dias (Janeiro de 2010), a agência Lusa começará a aplicar o Acordo nos seus textos. A ministra da Educação, assoberbada com a luta "contra" os professores, pede o adiamento da entrada em vigor do Acordo no ensino do portugês.

Os críticos do Acordo (encabeçados pelo deputado/poeta/escritor Vasco Graça Moura) dizem que este não foi mais do que a cedência portuguesa às imposições brasileiras e que, por exemplo, a queda das consoantes mudas fará com que se altere a fonética da língua portuguesa. Em primeiro lugar, que mal teria isso? Estes arautos da imobilidade parecem ver na mudança uma coisa negativa, mas eu pergunto: que mal tem, se daqui a uns anos estivermos a falar de uma forma ligeiramente diferente? Para além disso, como muito bem alerta Malaca Casteleiro, "a oralidade precede a escrita".

Acho muitíssimo importante que este Acordo entre em vigor o quanto antes. Só com uma aproximação do português que é falado no mundo é que a nossa língua se pode afirmar como uma das línguas mundiais. Logicamente, que a maior parte das cedências teriam de ser feitas relativamente ao Brasil. Com uma população com quase 200 milhões de habitantes, sendo a oitava maior economia do mundo (e provavelmente a quinta já em 2016) e o quinto maior país em termos de espaço territorial é mais do que óbvio que a liderança da "comunidade dos falantes do português" cabe ao Brasil.

Deveríamos aceitar esta realidade sem levantar grandes ondas, para ver se ainda podemos, efectivamente, continuar a falar o português por mais alguns anos.

A "não-doença" que causa doenças.



36 anos depois de a Associação Americana de Psiquiatria (com certeza muito menos conhecedora destes assuntos do que a Ordem dos Médicos portuguesa) ter deixado de considerar a homossexualidade como uma doença, o Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos chegou à mesma conclusão.

Imagino como não terá ficado o ultra-reaccionário Pedro Nunes. Afinal, foi a sua própria instituição, que tem estado sempre na vanguarda na manutenção do atraso (questão do aborto, eutanásia, etc.) que vem quebrar mais um preconceito.

Não nos podemos é esquecer de que não sendo a homossexualidade uma doença, gera, infelizmente, na nossa sociedade, doenças. Depressões, ansiedade crónica, fobia social, insatisfação sexual são enfermidades de que padecem inúmeros gays e lésbicas no nosso país.

A taxa de suicídio em adolescentes LGBT's é cerca de três vezes superior à dos adolescentes heterossexuais. Lembremo-nos, então, de que ainda há muito a fazer.

Notícia: Público, i, TVI24.

Algum buraco deve haver...



Petróleo não há, mas algum buraco, e bem fundo, deve haver pois caso contrário porque raio é que um dos clubes que mais dinheiro gera em transferências do Mundo, continua a ter problemas financeiros?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Pais (ou país) versus professores?



1- Não compreendo. Se os professores com classificação de Muito Bom e Excelente têm lugar garantido na subida de escalão, por que razão mantêm os professores esta espécie de guerrilha com o ME? Por que não concentrarem esforços para atingirem melhores classificações?

2- Fenprof espera mais cedências do Ministério da Educação. Claramente, Maria de Lurdes Rodrigues foi afastada para que se pudessem fazer mais cedências...Mas já são tantas que mais valia criar um novo modelo de avaliação...Não?

3- Neste conflito entre docentes e Ministério da Educação, os pais têm-se posicionado, maioritariamente, do lado do Governo (basta ver os comentários em tudo quanto são fora e nas televisões)....Porquê?