quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sem adopção: casamento de "segunda".



Será, amanhã, aprovada em Conselho de Ministros a proposta de lei para permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Governo vai optar por deixar de for a adopção, criando, a meu ver, um casamento de segunda categoria para gays e lésbicas.

Penso que esta exclusão emite um sinal claro para a sociedade: as uniões entre gays e lésbicas não são suficientemente sérias, profundas para permitirem o alargamento da família através da adopção. Está-se a dizer, claramente, que gays e lésbicas não podem ser bons pais. Contra todos os estudos feitos até ao dia se hoje, está-se a transmitir a mensagem de que casais homossexuais serão incapazes de proporcionar um crescimento saudável a uma criança.

Assim, muito me surpreende ver o contentamento com que notícias como esta têm sido recebidas em tudo quantó são associações de defesa dos direitos LGBT. Acho que por medo se teve medo de discutir, desde já, a questão da adopção em conjunto com a do casamento. Há novas quesstões "fracturantes" (eutanásia, legalização da prostituição) que terão de ser discutidas no nosso país e não haverá espaço para a questão da adopção por casais homossexuais. Oxalá me engane.

O argumento para impedir a adopção por homossexuais têm ando, quase sempre, à roda do mesmo: o interesse da criança e a discriminação que irá sofrer por ter dois pais ou duas mães (v. aqui).

Pode alguém, com honestidade, defender que uma criança está melhor numa qualquer instituiçao do que numa família "homossexual" que a ame? Quanto á discriminação, comecem então a proibir os pais que têm tendência genética para a obesidade de "procriar". Como bem se sabe, o sofrimento das crianças gordas na escola é gigantesco....


(v. notícia também aqui)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ups....



Parece que, afinal, não são só sobre ditadores africanos que impendem mandatos de captura britânicos. Contra Tzipi Livni, ex-MNE israelita, foi emitido um mandato de captura por um tribunal do Reino Unido. O motivo prende-se com os alegados crimes cometidos sobre a população civil palestiniana durante a invasão de Gaza há cerca de um ano.

Terão morrido, na altura, mais de 700 civis e o juiz britânico considerou que Livni pode ser responsável por estes crimes. Toda esta situação está a causar um enorme embaraço no MNE britãnico que sempre alinhou com a política externa israelita.

Parece que, afinal, os responsáveis israelitas não podem continuar, impunemente, a cometer crimes sobre o povo palestiniano. Más notícias para Netanyahu, boas notícias para o processo de paz israelo-árabe.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Berlusconi bonito??!



Em Milão, enquanto dava autógrafos, Berlusconi dizia: "Pintam-me como um monstro, eu não acho que seja - em primeiro lugar porque sou bonito, em segundo porque sou boa pessoa". Enfim, um cidadão italiano, como qualquer um de nós (admitamos!) faria, pregou-lhe logo com uma réplica do Duomo na cara.

É que uma coisa são os inúmeros casos de corrupção em que anda envolvido, o controlo que exerce sobre toda a comunicação social e o défice democrático em que colocou a Itália, agora, vir dizer que é bonito é que já é, completamente, diferente! Compreendo perfeitamente a atitude daquele nobre cidadão! Esperemos é que não tenha ficado muito danificada a sua réplica da Catedral de Milão. É que se for fiel ao original será lindíssima.

v. notícia aqui e aqui.

Racismo policial? Não...



A propósito desta notícia, uma pequena história:

Há cerca de um mês, a PSP da Parede montou uma operação STOP na marginal. Por volta das 3h da manhã, a minha pessoa por lá passou, como quase sempre me acontece porque tenho duas carteiras, sem carta e sem BI. Para além disso, eu desconhecia quem estava no livrete como proprietário do veículo que ia a conduzir, tendo indicado uma pessoa errada. No mínimo, penso eu, apresentei um comportamento suspeito.

Mas sabem que mais? Eu sou branco, falo e comporto-me como quem é portador de alguns estudos, estava a usar camisa...enfim, o típico rapazinho classe-média que vinha de um date em Cascais no carrinho do papá. Assim sendo, o "Sr. Agente" deixou-me ir apenas com uma notificação para me apresentar na esquadra de Oeiras com os meus documentos de identificação e habilitação legal para conduzir. Nunca fui, durante todo o tempo que durou a operação, revistado, nem sequer as autoridades se preocuparam minimamente com o facto de o carro que eu conduzia poder ter sido roubado. Afinal, eu era branco e os brancos não cometem crimes.

Ao mesmo tempo que eu desfiava o meu rol de infracções, dois cidadãos de origem africana (sub-saariana) foram, também, obrigados a parar pela polícia. Imediatamente se viram abordados por dois polícias, portadores de armas automáticas. Foram minuciosamente revistados e o veículo que conduziam, praticamente, virado do avesso. Afinal, estava tudo bem. Ao contrário de mim, aquelas duas pessoas não haviam cometido nenhuma infracção. Mas nunca se sabe não é? A polícia tinha de verificar bem: eram pretos e toda a gente sabe que são eles quem comete crimes.

Enfim, vou passar sem comentários a questão do racismo, já que me parece que se trata de um exemplo óbvio de uma situação de desproporção dos meios utilizados em relação à origem étnica do cidadão.

Fica, aqui apenas uma mensagem para os traficantes de droga: quando quiserem passar droga pelo nosso belo país, escolham um rapaz branco, com bom aspecto, á frente de um carro com aspecto condizente. Mas, esperem lá, não é já isso que fazem...?

sábado, 12 de dezembro de 2009

E por que não invadir Israel?



Numa recente entrevista (v. notícia aqui e aqui), a ser transmitida amanhã, Tony Blair admite que a invasão do Iraque se justificava mesmo que o país não dispusesse de armas de destruição em massa. Nem merece comentário o facto de Blair não admitir, claramente, que o Iraque não dispunha de um arsenal das ditas armas, o que é para mim preocupante é a justificação que o ex-Primeiro-ministro britânico encontra para a invasão militar.

Diz Tony Blair que a invasão deveria, em qualquer caso e mesmo na inexistência do referido armamento, ter lugar na medida em que o regime de Saddam representava uma "ameaça para a região" e que havia utilizado armas químicas contra o seu próprio povo. É claro que, na visão de Blair, o Iraque está hoje muito melhor do que sob a ditadura de Saddam, o que sabemos que, pelo menos ao nível da segurança e da perda de vidas civis, não´é verdade. Sabemos, também, que o Iraque é, actualmente, uma ameaça muito maior para a região, na medida em que se tornou um local de primeiro nível no que toca ao recrutamento de terroristas, sendo que se tornou um "estado em vias de falhanço institucional".

Assim sendo, cai por terra a justificação de Tony Blair, até porque, ao nível da defesa das populações, o povo do Darfur, da Arábia Saudita e da RDCongo não vive em melhor situação do que a população Iraquiana e não é por isso que vemos Mr. Blair defender a invasão do Sudão e dos outros países referidos.

Uma última nota gostava de deixar. Israel é, claramente e muito mais do que foi o Iraque ou é o Irão ou a Síria, uma ameaça à estabilidade da região. Por que razão, então, nunca propôs Tony Blair a invasão do estado judeu?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

E que mal tem o casamento a 3?



Não vou, por razões mais do que óbvias (já foi amplamente explicado, tendo eu próprio abordado já o tema, e trata-se de comparações ostensivamente pouco honestas e que pretendem apenas tornar a discussão numa palhaçada), voltar a explicar por que é que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não tem nada que ver com o casamento entre três ou mais pessoas (casamento poligâmico ou poliamoroso, consoante o sentido que as pessoas dêem à relação).

Essa comparação, mais do que absurda, é feita na pressuposição de que os casamentos entre três pessoas seriam uma coisa "maléfica". Diz-se: "se deixam que duas pessoas do mesmo sexo se casem, estão a abrir a porta aos casamentos entre três ou quatro pessoas" (v. comentários a esta notícia).

Aquilo sobre que gostava de inquirir é, afinal, o que tem de errado que três pessoas decidam estabelecer um projecto de constituição de família em comum e atestar isso perante o estado e a sociedade? Honestamente, não consigo pensar porque razão não poderão "ascender" ao estauto jurídico de casados se têm os mesmos propósitos na base da relação que estabelecem.

Sinceramente, que razão se vislumbra para a proibição do casamento "poligâmico" ou "poliamoroso"? Se não for aquela velha moral "pseudo-cristã", não estou a ver o que seja....

Ganha o Nobel da Paz por reforçar a Guerra...



Obama recebe o prémio Nobel da Paz porque a solução que encontrou para a paz no Afeganistão foi reforçar a guerra com mais 30.000 soldados.

E no discurso de recepção do prémio chegou, mesmo, a defender a necessidade da guerra como forma de alcaçar a paz.

Faz sentido, não é?

Não digo que um Presidente da maior potência mundial possa ser, sinceramente, um pacifista. Agora, a escolha de Obama para receber o nobel é que me parece, de todas as formas, incorrecta.