sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A inacreditável hipocrisia de quem é rico.



Sarkozy e Brown, na última cimeira da Commomweath ( e, neste momento, nem me vou pronunciar sobre os amplos significados que têm a participação de um Presidente Francês na cimeira da comunidade britânica, mas fica a certeza de que Tatcher, Churchill e De Gaulle estarão dando voltas no túmulo) avançaram a ideia, já amplamente repetida por tudo quanto são representantes dos "países ricos", de que é necessário avançar com ajudas financeiras para que os países em desenvolvimento possam tornar as suas economias mais limpas.

Enfim, os países ricos foram, e continuam a ser, os principais responsáveis pelo "estado a que isto chegou" ao nível da poluição e alterações climáticas. Pretendem, agora, que os países em desenvolvimento se desenvolvam menos para preservarmos o nosso ambiente. O cinismo norte-americano é, nesta matéria, gigantesco. São, de longe, os maiores poluidores do globo, não ratificaram o Protocolo de Quioto, mas pretendem "ajudar" os países pobres a poluirem menos.

Sabe-se que o montante das ajudas que as nações mais desenvolvidas pretendem atribuir é, claramente, insuficiente para suprir as necessidades dos "países pobres" para a adequação das economias. Perante isto, como podem Sarkozy e Brown continuar a alardear as suas iniciativas "imensamente generosas" se o montante que estão dispostos a despender não chega, sequer, a 10% do necessário?

A queda está para breve!



Os estados ditatorias caiem, por inerência, na condição de estado frágil. Não se pode, nunca, falar de um estado consolidado quando nos referimos a estados regidos por regimes autocráticos. Quanto muito pode-se falar de estados "aparentemente fortes" ou de "aparência consolidada", como é o caso da Líbia, do Irão ou da Arábia Saudita. São países que parecem viver com grande estabilidade, com regimes fortes e que mantêm a nação consolidade, mas, na verdade, tudo não passa de um conjunto de instituições que mantêm, pela força, o confronto social enjaulado.

Basta, contudo, o mínimo deslize das autoridades, umas eleições com um pouco menos de controlo, uma prisão mais fora do comum, uma manifestação de apoio ao status quo que corre mal, para que a sociedade entre em ebulição, organizando marchas de protesto e ataques ferozes ao regime. Foi isto mesmo que aconteceu no Irão no rescaldo da gigantesca fraude eleitoral e, também, no Paquistão quando Musharraf tentou agrilhoar os tribunais.

Hoje ninguém pode considerar o Paquistão como sendo um estado consolidado. E quanto ao Irão? O que é facto é que o regime teocrático de Teerão tem, hoje, de recorrer a medidas completamente ridículas como apreender o diploma e a medalha da Prémio Nobel da Paz Shirin Ebadi. Ainda há alguém que acredite na viabilidade do regime iraniano?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Os reis do tráfico



Cavaco Silva condecorou um cidadão chinês condenado por auxílio à imigração ilegal. Não percebo a surpresa. Num país em que o Primeio-ministro está submerso em casos de corrupção até ao pescoço e, mesmo assim, continua merecendo a confiança popular, por que razão não há-de merecer um pobre homem que se limitava a auxiliar pobres chineses a alcançarem melhores condições de vida (a troco de módicas quantias, certamente)?

Efnim, num país em que ainda aparece nos livros de história, orgulhosamente, a nossa faceta de reis do tráfico negreiro, como nos podemos admirar?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O racismo do "húngaro" que chegou a PR



Desde que os pieds-noirs retornaram do departamento da Argélia, depois da independência da colónia, que o eleitorado francês de extrema-direita tem sido particularmente significativo. Com a cada vez maior decadência (económica, militar, de peso político e mesmo cultural) do outrora influente gigante francês, esta tendência vem-se acentuando, tendo levado ao enorme susto de 2002, em que o ultra-fascista Jean-Marie Le Pen chegou à segunda volta das presidenciais, defrontando o Jacques Chirac (com um posicionamento já bastante à direita).

Desde Mitterrand que o Partido Socialista tem contado cada vez menos no sistema político francês, o que se revelou, recentemente, com a vitória do ultra-reaccionário Nicolas Sarkozy. Este homem que prefere combater a exclusão social em que vive a enorme comunidade imigrante francesa pela força da metralhadora e das cargas policiais, tem vindo a introduzir enormes mudanças em secotres tradicionais da ideologia política francesa. Duas transformações foram particularmente importantes: o afastamento do tradicional (e forte) laicismo francês (com uma recente aproximação à Igreja Católica) e , na política externa, o abandono do gaulismo, que vinha marcando os negócios estrangeiros franceses desde que De Gaulle ocupou o Palácio do Eliseu pela última vez. O gaulismo foi arredado por uma recente aproximação a favor dos Estados Unidos e um afastamento em relação ao continente europeu (Sarkozy reintegrou a França na estrutura militar da Nato).

A enorme xenofobia de que padece o Presidente francês conheceu o seu pico esta semana através do lançamento do debate para a definição do que é ser francês. Pretende-se, com esta discussão, encontrar uma definição da "francité" no próximo ano. Uma das questões que aparece nos portais oficiais é a seguinte: "Como evitar a chegada ao nosso território de estrangeiros em situação irregular, em condições de vida precária geradoras de desordens diversas (trabalho clandestino, delinquência) e causando, numa parte da população, suspeição do conjunto dos estrangeiros?"

Nem merece comentários o grau de racismo e xenofobia em que está submersa esta abjecta questão. Creio que a França, já amplamente dilacerada por diferenças culturais, só irá conhecer mais confrontos étnicos no rescaldo deste debate...Enfim, o país que nos trouxe a principal mudança na Europa desde a queda do Império Romano (a Revolução Francesa), ainda não encontrou o seu caminho num mundo em que conta cada vez menos e todas estes disparates só fazem com que conte cada vez menos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Novo ataque de Lula ao CS da ONU



O Brasil, que recentemente afastou a oposição argentina à sua entrada para o Conselho de Segurança da ONU (CS), procura, com esta visita do Presidente iraniano, jogar uma nova cartada, perigosa, mas perceptível, na tentativa de forçar o alargamento daquele órgão.

Lula, como já tinha feito com a recente recepção do PR israelita, recebe Ahmadinejad na tentativa de se tornar um moderador no conflito israelo-árabe. Este país quer, no fundo, dizer que se relaciona com todos os estados de forma amigável. Que é a única super-potência que se dá com o eixo "imperialista" (EUA e aliados), com o grupo "anti-imperialista" (Cuba, Venezuela, Irão) e com os países pobres, que não a vêm como uma potência exploradora.

Efectivamente, o Brasil não tem inimigos, é a potência rainha do "soft-power" (negociação e afirmação económica, em vez de guerra e afirmação militar). Possui energia nuclear, mas voluntariamente abandonou os planos para passar a possuir armamento, não entra numa guerra desde 1945 (altura em que participou na II Guerra Mundial) e não ameaça, de forma alguma, a soberania dos seus vizinhos.

É, no fundo, aquela potência "simpática" com quem todos se querem relacionar e que os EUA já perceberam (e agora, com esta recente visita, ainda mais) que necessitam para estabelecer diálogo com uma América Latina que lhes é cada vez mais hóstil. Lula também já percebeu isso e tenta estar cada vez mais próximo dos "inimigos" da América. Se o PR do Brasil continuar a ser tão hábil na sua estratégia diplomática como tem sido até esta altura, Obama não poderá impedir, durante muito mais tempo, a entrada do Brail para o CS.

Creio que num futuro muito próximo, a potência Sul-americana, será o próximo membro permanente do CS, entrando à frente de históricos candidatos como a Alemanha, Japão e Índia. Simplesmente, porque o Brasil é a potência que não arranja problemas, resolve-os.

sábado, 21 de novembro de 2009

A desilusão de Obama...



Em apenas 8 meses Obama tornou-se uma das maiores desilusões a que o mundo já assistiu. Foi eleito prometendo a mudança: a retirada do Iraque, o reforço do combate aos talibãs, o reforço da pressão, embora orientada por outras vias, sobre o programa nuclear iraniano, o encerramento da prisão de Guantánamo.

Hoje, Guantanámo continua aberta, com os seus julgamentos por "juízes" militares e sem defensor, e sem perspectivas de encerramento definitivo próximo. O Iraque continua um pântano, minado de terroristas e de morte. A solução de Obama para o Afeganistão foi, apenas, de aumentar o número de efectivos militares. Não conseguiu mais do que a eleição de um Presidente sem qualquer tipo de legitimidade, governando um narco-estado, em que os talibãs são os únicos capazes de manter a ordem (nas zonas que controlam). Estes últimos avançam, com grande sucesso, nas zonas tribais do Paquistão, em que se vive praticamente num estado de guerra civil, e nas favelas de Karachi, onde já recrutam, livremente, crianças de 5 e 6 anos de idade.

Quanto ao Irão, a administração americana está hoje pior do que na era Bush. Pressionado pelos desastres no Afeganistão e Iraque e pela atribuição de um Prémio Nobel da Paz, Obama não pode retaliar militarmente contra o programa nuclear iraniano, limitando-se a impedir que a Rússia não forneça armas antimíssil e a impor sanções económicas ridículas que não surtem qualquer efeito. Assim, o Irão abusa e desloca tropas para a defesa das centrais nucleares. Os EUA, manietados pelos desastres da sua política externa nada podem fazer.

Obama apareceu como a grande esperança, como o paladino da mudança, como o homem que transformaria a imagem que se tem, hoje, da América. Até agora, nada cumpriu. Até quando vamos continuar a acreditar?



Mesmo assim, parece que chegou uma boa notícia.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Sócrates, o medroso.



Hoje, aparece o nosso primeiro-ministro numa nova pele: O "Sócrates medroso". O Sócrates da maioria absoluta era o "arrogante", o "ignorante", "aquele que não ouvia ninguém". Durante a campanha eleitoral e perante a mais que certa perda da maioria absoluta apareceu "Sócrates, o ouvinte" e o "humilde".

Na questão da avaliação dos professores, e com uma ministra que vai representar "o polícia bom", Sócrates decidiu "aprovar" o projecto do PSD, sem ter a coragem de dar a cara por uma solução. Que melhor estratégia existe do que sacudir os problemas para os outros? Se não conseguia enfrentar os professores e aplicar algum sistema avaliativo, o melhor é deixar que os outros resolvam a questão.

Manuela Ferreira Leite, naquela total falta de estratégia política que a caracteriza, cai numa armadilha gigantesca. Se a coisa funcionar, os louros são para o PS, se correr mal, a culpa é dela e do seu PSD. Mas, também, quem e que ainda não acredita que MFL tem uma estratégia deliberada para afundar o seu partido?