segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Nova personagem numa bem montada ópera chinesa.



Noticia, hoje, o jornal Público, que Barack Obama alertou para o respeito dos direitos humanos na China. Afirmou o nobel da paz que "as liberdades de expressão, de culto e de acesso à informação devem estar acessíveis a todos”. Referiu um tema muito importante, as restrições ao livre acesso à internet, apelando ao fim da férrea censura aplicada pelas autoridades chinesas.

Num contexto em que a China é o principal credor dos EUA, todos estes pedidos me soam a uma enorme encenação montada pela brutal ditadura chinesa. A confirmar a participação de Barack Obama neste novo capítulo de uma bem montada ópera chinesa, fica a ausência de qualquer referência à questão tibetana e muçulmana (Xinjiang), às mortes arbitárias encomendades pelo governo, aos prisioneiros políticos, à falta total de democracia. Enfim, faltou a menção a (quase) todas as questões importantes...

Esperava-se mais de um prémio nobel que aceitar as condições chinesas no tocante ao que poderia ser dito. Mas, também, com a manutenção em funcionamento da prisão de Guantánamo e violações diárias de direitos humanos no Iraque e Afeganistão, como ter a estrutura política e moral para o fazer?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Mais do mesmo


Sá Pinto foi o primeiro a ser escolhido para integrar esta nova organização no futebol do sporting. Eu disse nova organização? Erro meu. É exactamente a mesma coisa que estava antes. Um ex-jogador do sporting, grande jogador na óptica dos adeptos leoninos, mas que nunca entusiasmou particularmente nenhum grande clube estrangeiro nem tomará mais de duas linhas quando se escrever a história do futebol português (sim, já estou a contar com a linha dedicada ao célebre KO a Artur Jorge). A descrição, fora o parêntesis, encaixa na perfeição também em Pedro Barbosa.

Mas as semelhanças não ficam por aqui. Também quando passaram para outros cargos no seio leonino continuaram a comportar-se de forma muito parecida. Pedro Barbosa, é sabido, nunca o vimos, muito menos o ouvimos. Mas e Sá Pinto? Querem fazer-nos crer que o ex-internacional português é uma espécie de sangue novo, um corte total com o que havia...nada mais falso. Sá Pinto já lá estava como relações públicas, o tipo de cargo que se dá a velhas glórias que queremos evitar que detenham responsabilidades.

É no entanto interessante tentar perceber como é que quase nos convenciam que Sá Pinto é sangue novo. Isto aconteceu porque, tal como ao Pedro Barbosa, nunca o vimos e nunca o ouvimos.

Enfim, a verdade é que Sá Pinto lá foi promovido e quanto a isso não há nada a fazer.

Sá Pinto parecia até ter começado com o pé direito: deu uma entrevista. Não o vimos nem o ouvimos mas pudemos ler o que disse ao site oficial do Sporting. Confesso, no entanto, que a única coisa que retive da entrevista foi que Sá Pinto não tem a seu cargo as novas contratações do Sporting. Não tem ele nem tem ninguém acrescentaria eu. O Sporting não faz contratações. Para dar as boas vindas aos oferecidos Caicedo e Angulo até o Pedro Silva servia.

Deixem chegar o desemprego....



Noticia, hoje, o jornal Público que o número de abortos legais tem vindo a conhecer um acréscimo significativo, sobretudo na zona suburbana de Lisboa. Considero perfeitamente natural. Significa, seguramente, que os abortos clandestinos estão a conhecer um decréscimo significativo também e que as pessoas confiam no Serviço Nacional de Saúde para o tratamento de uma questão tão delicada.

Os arautos do atraso virão, com toda a certeza, defender que a legalização da IVG só está a ter como consequência o aumento do número de abortos realizados. Enfim, por razões óbvias esta afirmação é do mais falso possível. Desconhece a diminuição drástica de mulheres que têm aparecido nas urgências hospitalares com consequências de abortos clandestinos.

Contudo, para mim o mais preocupante foi descobrir que quase todos os médicos do Hospital Amadora-Sintra e S. Francisco Xavier são objectores de consciência. A classe médica só vem, assim, demonstrar, claramente, que está imbuída das forças do reaccionarismo. Como pode um país deixar que médicos se escusem ao tratamento de doentes de uma forma tão leviana? Eu até podia apostar que alguns daqueles, que no público objectam à realização de IVGs, andam alegramente pelo privado realizando-as, quando lhes acenam com belas maquias...

Enfim, como disse uma vez Maria Filomena Mónica, deixem chegar o desemprego à classe dos médicos e vão ver o que acontece a todos esses objectores de consciência. Este seria um dos casos em que uma poequena margem de desemprego seria positiva: cortar com o poderio absoluto dos médicos e torná-los mais humanos e competentes são objectivos que um estado que se propõe a fornecer os melhores serviços de saúde possíveis à sua população deveria tentar atingir.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A vergonha de ser comunista....




Quando somos confrontados com notícias como esta, faz-nos pensar como pode um partido, que se diz democrático, o PCP, continuar a apoiar o regime pseudo-comunista chinês.

Entre o capitalismo mais selvagem que é hoje lei na China e a brutal repressão a que sujeitam as suas populações, não era já tempo de o PCP se afastar do osbscurantismo e promover uma visão mais lúcida?

Mas, também, como podemos ficar espantados, perante um partido que, através de um dos seus mais altos dirigentes, duvida que a Coreia do Norte não seja uma democracia?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Chamem-lhe outra coisa....



Aguiar-Branco, um dos mais recentes proto-candidatos àquele cemitério de ideias e personalidades a que nos acustumámos a chamar PSD, defendeu a ideia de criar a figura da união civil registada, por forma a evitar a legalização do casamento homossexual.

A questão tem sido colocada com enfoque na questão dos direitos. Ora, defendem, e com absoluta razão, os apoiantes do "chamem-lhe outra coisa, só não lhe chamem casamento", que todos os direitos podem ficar garantidos para as uniões homossexuais se for criada uma instituição semelhante àquela que existe no Reino Unido: a união civil registada. As associações LGBT têm perdido o seu tempo procurando fazer a apologia do casamento, porque só esta solução pode garantir os direitos no tocante a heranças, visitas familiares, protecção da família, adopção e outras coisas menores. Enfim, falta lucidez como sempre....

Mesmo na discussão eleitoral e defesa que o PS fez da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a problemática ficou sempre colada à garantia dos tais direitos "menores". A única pessoa que colocou, publicamente, a questão de forma correcta foi Migual Vale de Almeida, agora deputado pelo PS. Contudo, a partir do momento em que decidiu candidatar-se pelas listas do PS deixou, por razões óbivas, de ser ouvido por aqueles que têm dois dedinhos de testa. E, a partir do momento em que apareceu agitando uma gigante e colorida bandeira gay na sede de campanha do PS, no dia da "vitória eleitoral" do partido, cometeu, definitivamente, suicídio político, tornando-se uma carta fora do baralho numa possível futura discussão sobre a adopção pos casais homossexuais.

Como na altura referiu Migual Vale de Almeida, a garantia do casamento (e não de qualquer outra solução) prende-se com a questão do simbólico. Aprovar uma união civil registada é dizer que os casais de pessoas do mesmo sexo são, socialmente, inferiores, que não merecem o mesmo estatuto, que não podem ser vistos como iguais. Juridicamente, tudos os direitos podem ficar garantidos numa união civil registada. Sociologicamente, não.

A solução da união civil registada promete dividir deputados socialistas. No "mundinho gay" já começamos todos a ter pena de não ter votado BE, não e?

Referendar...o quê?!





Das mentes brilhantes das criaturas que criaram aquelas espécies de associações pró-vida e pró-família (e se essa gente é se qualifica como pró-vida, então tenho de me posicionar pró-morte, tal a distância que nos separa...) saiu mais uma brilahnte ideia: referendar a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Dizem as ditas criaturas criadoras da Plataforma Cidadania e Casamento (e por que raio arranjam sempre nomes tão maus?!) "que a legalização do casamento homossexual "introduz uma alteração num instituto milenar" e produz mudanças de carácter "histórico e civilizacional" que reclamam uma consulta popular".

Bem, antigamente os cavalheiros podiam aplicar "pequenos correctivos" nas esposas, sendo isso plenamente aceite, e mesmo, nalguns casos, juridicamente protegido. Ora, fizeram essa alteração sem perguntar nada a ninguém. Eu ainda não era nascido quando se deu essa alteração, mas não sei como é que os homens abdicaram deste direito (fundamental) sem estrebucharem um pouco, ou, pelo menos, exigirem um referendo.

E qual filosofia Kantiana ou Socrática. Qual princípio da igualdade ou da auto-determinação dos povos. Qual primado do direito! O casamento gay é que vai introduzir a derradeira modificação "civilizacional"! Poupem-me o comentário...

As forças do atraso (leia-se, da direita salazarenta) perante o caminho que Portugal tem trilhado em direcção à igualdade (educação sexual abrangente nas escolas, protecção das minorias sexuais, etc) e as derrotas que tem sofrido (referendo à IVG), procuram agora um novo entretenimento. Como se não tivessemos mais que fazer, com a crise brutal que nos assola, do que a andar a aturar ratos de sacristia.

O que mais me custa é ver constitucionalistas (Paulo Otero, Jorge Bacelar Gouveia) a apoiar tal iniciativa, quando deviam saber, perfeitamente, que questões relativas a direitos de minorias não se referendam. Cabe a um Estado de Direito Democrático defender as minorias de serem esmagadas pelas maiorias. Criar a oportunidade de um "esmagamento em praça pública", através de um referendo, não só seria inconstitucional, como imoral mesmo.

E, já agora, ainda alguém, acredita que o Sócrates vai também aprovar a adopção? Mesmo os mais acérrimos defensores do mito do "Sócrates-paladino-da-igualdade" têm de reconhecer que é tonto....

A leste, nada de bom.



Tem sido em clima de festa que estão a ser vividos os 20 anos desde a queda do juro de Berlim. Há discursos, viagens a Bruxelas, encenação de derrube de muros, recordação nostálgica dos heróis do "fim do comunismo" (de Gorby ao Papa Jão Paulo II).

No dia 9 de Novembro de 1989 o capitalismo venceu o comunismo, tornando-se o sistema hegemónico mundial. Neste dia, alemães de leste correram para ocidente, em direcção à coca-cola e aos sacos de plástico(!!).

Mas foi tudo bom? Para o povo, esmagado pela brutalidade do regime da RDA e pela mais que obsessiva Stasi, foi benéfica a queda do muro? No geral, parece que sim. Conquistaram-se liberdades (expressão, escolha política, económicas), adquiriram-se direitos.

E os muitos que ficaram desempregados? E aqueles que, sem contribuírem de forma alguma para a brutal repressão comunista, estavam integrados no sistema e se viram excluídos pela competitividade capitalista?

O acontecimento ainda é demasiado recente para que possamos ter uma visão histórica isenta. Não pretendo defender que a queda do muro se saldou em inúmeros aspectos negativos. Sei que a liberdade é um valor político fundamental. Um sistema que não a garanta não pode, de forma alguma, ser justo. Mas, num momento de crise moral do capitalismo, aumentam os saudosistas da alternativa comunista/socialista.

A esquerda alemã, sobretudo a mais jovem, considera que foi perdida a oportunidade de, na reunificação, adoptar o melhor dos dois sistemas. Como diz Theresa Geissler, 20 anos, nascida na Alemanha Oriental (Pública 8/11/2009): "Tomaram o leste e aplicaram tudo". Corrobora Florian, 20 anos, alemão "ocidental": "Não foi uma fusão, foi uma tomada de controlo hóstil".

Afinal, era tudo mau na Alemanha de Leste?