quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mais um final...


Todos os finais são, por natureza, tristes... Não têm, contudo, de ser violentos, explosivos, avassaladores... No fundo, tudo terminou como tinha começado: com calma, sem histerias, talvez, até, com alguma falta de entusiasmo...Não significa que não existisse sentimento e que não fosse profundo, eventualmente. Apenas e só não era daqueles capazes de destruir com estampido...
Não verti, ainda, uma única lágrima...Lembro-me de outro final em que o fiz durante todo um dia...e sempre que te telefonava...Era o choro da culpa, do não ter investido o que devia, do retirar mais do que se entrega...Noutro, houve a vitória, um certo sabor a vingança, a estupidez de criar a rejeição...Neste, talvez o primeiro sentimento tenha sido a surpresa...Como estava longe, distante, para não ter dado por nada..Acho que o rompimento terá surgido com um quê de naturalidade, de aceitação pré-estabelecida...
Tento não pensar no futuro, no que acontecerá...Pela primeira vez saio sem saber para onde vou, o que quero...Abandono livre, por uma primeira vez, sem nada pré-determinado, sem desejos por outrem, sem necessidades a preencher. Procuro esquecer aquilo que investi e que agora se perdeu, afinal, 6 meses não é assim tanto tempo...Acho que, no fundo, ficarão algumas boas recordações, alguns momentos especiais. Sobretudo o início, quando tudo era ainda vago e, por isso, mais liberto, foi interessante, foi particularmente agradável. Deixámos que se corroesse por falta de empenho, penso eu...
Enfim, de nada vale carpir as mágoas no isolamento e na depressão. Saio sem culpas, sem erros graves a lamentar, sem traições, sem lamúrias...Sem tristeza? Mais outro sinal da distância...?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Eleições....

Finalmente, vários dias após o conhecimento do descalabro eleitoral, atrevo-me a fazer algum comentário. Pior penso que seria impossível: vitória (ou mais ou menos) da arrogância do PS de José Sócrates e aumento exponencial do peso do populismo do PP do "Paulinho das Feiras".
José Sócrates reclamou uma "extraordinária vitória eleitoral" para o PS...Só isso me deixou logo completamente perplexo: JS ficou sem a maioria absoluta pela qual vinha batalhando fanaticamente, tendo perdido mais de 500.000 votos.Não sei como se pode clamar por uma enorme vitória eleitoral quando se ficou muito aquém dos objectivos traçados, mas enfim, JS é mesmo assim, por que nos haveríamos de surpreender? O que mais me custa é que a arrogância e o despotismo do líder do PS ficaram completamente esquecidos pela nova personalidade mais amistosa e consensual com que nos brindou durante esta campanha e pela escolha de candidatos a deputados mais "alternativos" como Miguel Vale d'Almeida e João Galamba.
É certo que o PSD teve uma derrota eleitoral brutal (e ainda assim conquistou, até agora, mais 6 deputados do que em 2005), mas isso deveu-se mais a uma total falta de competência de MFLeite e não a uma campanha séria e consistente por parte do PS.
O pior das eleições vem, contudo, da, agora, 3º força política: o Partido "Populista" (aka CDS-PP). Passar de 12 para 21 deputados é, infelizmente, uma vitória em toda a linha para a direita (liberal? popular? democrática?). O Paulinho procurará reunir à sua volta toda a direita, quem sabe, talvez, com futuras ambições de chegar à Presidência da República ou mesmo a S. Bento. Devaneios de um tipo cujas ambições megalómanas se revelaram, sempre, passos demasiado grandes para uma perna demasiado curta. Penso que a direita das grandes empresas, profissionais liberais, gentes tradicionais e intelecto-conservadores não vê em PPortas o seu paladino. A conquista de votos por parte do CDS deve-se mais à ausência de alternativa que o PSD representava do que à visão do PP como partido capaz de personificar uma solução. Até porque, não terá sido difícil de reparar que MFLeite apresentou sempre uma postura mais reaccionária e conservadora que Portas (fora naqueles momentos de transe em que Portas alucinava sobre o fim do rendimento mínimo). Porém, Portas consegue o seu objectivo: é o único partido (excluindo o PSD) com quem o PS atinge a maioria absoluta...Entrará para o governo com Sócrates? Parece-me que não, as ambições de Portas de congregar à sua volta toda a direita não se coadunam com a sua entrada num governo "socialista". Veremos se Portas têm o seu vício de poleiro controlado...
A CDU é, no parlamento, e como sempre, uma carta fora do baralho. Como admitiram figuras imponentes do PCP, a força dos comunistas esteve sempre nas ruas e no controlo dos sindicatos e não na sua actividade parlamentar...Assim continuará a ser...
O BE seria o grande vencedor da noite, não fora o aumento exponencial da força do CDS. Duplicou o número de deputados, e teria conseguido muitos mais se o povinho, com medo de perder o seu quintal, não tivesse caído no absurdo de acreditar naqueles que vim em Louçã o defensor magno das nacionalizações, o homem que acabaria com a propriedade privada...Enfim, aqui, a estratégia de Sócrates, Portas, com uma ajudinha do Pacheco do PSD funcionou maravilhosamente. No último momento o povo amedrontou-se e o Presidente da CIP e os grandes empresários e banqueiros puderam respirar de alívio: vão continuar milionários e com isenções fiscais fabulosas...Enfim, o povo com medo de perder o quintalinho, nem se apercebeu de que já o tem hipotecado à conta dos juros do banco...
O que mais me entristeceu, porém, foi o comportamento da generalidade da comunidade (e associações) LGBT. Muitos membros da mesma e pessoas interessadas na temática que, em Outubro, adjectivavam Sócrates de homófobo, inimigo da diversidade, expoente do oportunismo político, vêem-no, hoje, como o cruzado da igualdade...Resta-nos esperar que o aumento da força do BE possa pressionar de alguma forma Sócrates a tirar o socialismo da gaveta onde Soares o enfiou e de onde nunca mais viu a luz do dia.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Bom princípio.

"Temos o direito a ser iguais sempre que a diferença nos inferioriza; temos o direito a ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza."

Boaventura de Sousa Santos

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mea culpa, parte 1

Ainda me amas, sei isso. As vezes pensava que já o terias ultrapassado, mas também era estranha a tua sujeição aos meus caprichos, a aceitação das minhas propostas, o seguimento que davas ao que sugeria. Achava que era o gosto da minha presença, a diversão que conseguia proporcionar. Custa-me, até, acreditar que alguém possa gostar tanto de mim, dessa forma desinteressada, sem receber quase nada em troca, retirando atenção quase só quando me convém...Sinto-me mal com isto, um lixo quase, mas é tão bom ter-te ali disponível como nunca tive niguém. Basta-me levantar o telefone e lá estás tu...
Habituaste-me mal, muito mal. Imbuíste-me num amor sem interesse, afogaste-me em carinho sem resposta à altura. Ainda hoje me pergunto como podes ter gostado tanto de mim...Que te dei eu, afinal? Partilhei contigo alguns interesses, saímos, divertimo-nos, descobrimo-nos. Mostrei-te coisas que desconhecias. Fizeste-me viver num mundo que não era o meu. Acho que foi isso que nunca percebeste...ou será que fui eu que ainda não percebi? Contigo estava bem, sentia-me seguro. Era confiante, divertido, feliz, no fundo.
Por que, então, tive sempre necessidade de mais? Sentia sempre que faltava algo, que nunca eras capaz de me dar tudo...Por isso era incalçável na procura, por isso te magoei como não merecias...
Por uma vez, sinto mesmo que te usei...Mas não te deixaste também usar? Por que o fizeste? E por que me culpas agora? Usei-te, sim, mas se o fiz foi até para não te magoar mais, para que a ferida não fosse mais funda...Dói-me ter-te usado para me mostrar mais seguro, mais original, mais arrebatador, mais surpreendente...Desculpa-me, mas pede, também, deculpa a ti próprio. Temos de saber quando devemos dizer não, quando recebermos migalhas de atenção nos humilha e nos retira dignidade. Não soubeste, também, fazê-lo...
Tudo isto não atenua a minha culpa, mas pelo menos aplaca a ansiedade que me causa o facto de me ver, assim, tão sujo, tão cheio de remorsos...
Usar e deixar usar, não são, no âmago, as duas faces da mesma moeda? Em que é que ser usado, sabendo-o e permitindo-o, utilizando-o para o ataque posterior, é melhor do que usar, abertamente, sem ardis ou subterfúgios?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Lily no SW, muito bom.




"Homophobics, racists I fucking hate you all", and so do I.

Dor de cabeça desdesperante impede que se escreva algo mais...ficará para um dia mais "saudável"...