terça-feira, 2 de abril de 2013

Caminhos do socialismo. Primeira estação: pensar.



Completaram-se, no mês que findou, 2 anos da manifestação da “geração à rasca”, na qual a esquerda nacional começou a dar os primeiros passos para correr com o “engenheiro” sócrates, principal culpado do avolumar da crise de moral e ética política que vem grassando e desgraçando no/o nosso país desde os sinistros tempos do dr. cavaco (A direita decidiu aderir, através de uma das suas grupetas construtoras de relvas e coelhos – a JSD –, mais não conseguindo que sobreviver ao coro de apupos e vaias sob o feliz mote de “alerta cabrão, está aqui a reacção!”). Depois de 12 de Março de 2011, e com a manutenção no poder do consórcio PSD/PS/CDS/Banca, a contestação foi subindo de tom e os números nas ruas aumentando – em 15 de Outubro do mesmo ano, 15 de Setembro de 2012 e 2 de Março do ano que corre. E, desta forma, em manifestações desvinculadas das principais forças partidárias, foi nascendo uma nova consciência política, sobretudo entre alguns dos mais jovens.


Vem percebendo a população em geral, ou pelo menos aquela que não quer limitar a sua existência à prostração mais inútil na frente de um qualquer ecrã de computador ou televisão, que o regime que se impôs em Portugal logo a partir de meados de 1976, mas que tem mostrado as suas garras mais sinistras, sobretudo, a partir de meados dos anos 2000’s, é injusto e degradante da dignidade que deve ser reconhecida a qualquer cidadão, independentemente da condição económica, cultural, social, intelectual, sexual, rácica, étnica, profissional, etc. Acredito, num inesperado rasgo de optimismo, que o povo (e mesmo aquilo a que os pseudo-intelectuais de esquerda, noblesse oblige, chamam, à boca pequena, o “povão”) têm encetado o caminho de compreensão de que aquilo que lhe foi prometido pelo “capitalismo regulado” (que mais não é do que o entendimento errado de Soares daquilo que lhe dizia o seu “amigo” Olof Palme e as “estrelas” do “socialismo francês”) não se tem cumprido.

Disseram-lhe que, liberto das amarras do fascismo e dos “excessos revolucionários”, poderia reinventar-se, melhorar a sua qualidade de vida, superar a condição de nascimento, libertar-se da armadilha da pobreza e de todas as outras que a pobreza vai montando nos sistemas de ensino, na justiça, no acesso à saúde, na fruição da cultura. 40 anos volvidos, o mesmo povo que se regozijava com o inebriante fulgor revolucionário de 74-75 (e que, como todo o ébrio, deixava que lhe roubassem a esperança a cada passo), apercebe-se de que as armadilhas montadas por um sistema que não reconhece a exacta igualdade de oportunidades para tod@s se agigantam. E, mais, toma consciência de que “ou socialismo, ou nada”, ou socialismo, ou manutenção de um regímen em que a ascensão é prometida pelas mesmas instituições e indivíduos encarregados de, depois, “esculacharem” os sonhos e objectivos mais chãos.

E, desta forma, de há dois anos para cá, o povo português empreendeu, ainda que em pequena escala e em doses moderadas, por enquanto, a perigosa tarefa de pensar. E, ainda que seja para dizer que o cerne do marxismo é a asseveração de que as interacções económicas se sobrepõem às suas congéneres políticas e sociais (a epítome do disparate), vale a pena.

2 comentários:

  1. É necessário como diz o titulo: pensar.
    Infelizmente pouco se pensa a política, a política, para que serve afinal, quando não é pensada?
    Mais que uma manifestação ou algo do género, urge pensar coletivamente numa mudança, quer do sistema político que está instalado. É importante repensar as bases da democracia, que a cada passo que se aumentam impostos, se perde autonomia nacional. Urge pensar em soluções. Soluções essas devem passar pela sociedade civil, que infelizmente, está longe de ter um papel na sociedade, como deveria ser.
    O meu blog, aborda também a questão política: http://inventariopolitico.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  2. Não podia estar mais de acordo ;).

    ResponderEliminar