quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

2012.





Entre festas, profundas reflexões e part-times, ficou este blogue abandonado ao esquecimento a que votamos as coisas acessórias. Não o sendo, é com algum constrangimento que tomo consciência de que a letargia durou mais de um mês. Àqueles dois ou três leitores habituais, aqui ficam as devidas e envergonhadas desculpas e, como entretanto mudou o ano, um novo emaranhado de elucubrações sobre o ano que passou.

No espectro público, 2012 foi dos piores anos da minha vida. Tive de assistir à degradação brutal das condições de vida no meu país, à chegada de meia dúzia de representantes da máfia financeira internacional para "ajudarem na recuperação económica" do pequeno rectângulo e ao retorno de práticas de intimidação e de coerção das liberdades políticas básicas mais próprias da "democracia russa" (na feliz expressão de Gerard Depardieu) do que de um país que afirma estar constituído enquanto Estado de Direito Democrático.

Tudo isto perante o pasmo acéfalo da maior parte da massa da população portuguesa, manipulada por tudo e todos, desde a patética Teresa Guilherme à mais bacoca comunicação social que este país já albergou desde os gloriosos tempos da queda do fascismo, passando pela actuação cada vez mais livre de constrangimentos democráticos dos donos desta fazenda (elites governativo-económicas) e seus jagunços (polícias, entidades reguladoras, tribunais, etc.).

Ainda assim, a "crise" (que é muito menos económica do que social e democrática) teve os seus aspectos positivos, sobretudo no que se relaciona com a tomada de consciência política de determinados sectores intelectualizados da classe média que, por norma e moda, viviam à margem da discussão pública da orientação governativa do país. Este processo desencadeou a criação de uma data de associações, mais ou menos formais, e estimulou em diversos sectores em que me encontro inserido, nomeadamente no prisma académico, a discussão de questões a que costumeiramente não se dava tanta atenção. Não serve, não obstante, esta dinâmica para atenuar os efeitos que em mim tem tido o rumo que vamos todos tomando e que está, já, para além do abismo.

Na vida privada, todavia, 2012 foi, por ventura, um dos anos mais frutuosos da minha, ainda curta, vida adulta. A nível académico tudo pareceu consolidar-se, desenvolver-se e tomar um caminho mais certo. A família ganhou estrutura, dimensão. Apaixonei-me e estraguei tudo, mas foi bom. Fodi muito e fui muito fodido (literal e alegoricamente, sobretudo).

E é desta forma que um revolucionário de sofá se senta, em 2013, no mesmo, com a esperança retalhada pela experiência do ano precedente, mas menos amargo e angustiado, porque, afinal, e transformando uma célebre expressão, é sempre possível transformar alguma coisa, ainda que tudo permaneça na mesma.

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