domingo, 7 de outubro de 2012

aníbal cavaco silva: biografia não autorizada ou "a anatomia de uma tragédia".



O nosso presidente é uma das mais caricatas figuras da "democracia" portuguesa - talvez só superado pelo dr. Soares. Em primeiro lugar, porque, não sendo, de nenhum ponto de vista, um democrata, foi a democracia que o tirou do escritório bafiento de alguma repartição universitária para o palco principal da política portuguesa. Nos tempos do fascismo, andava alegrete, pedindo e recebendo atestados de bom comportamento da polícia política. Não passaria, nunca, contudo, de um funcionário, relativamente competente, acredito, mas sem grande brio ou brilho que o pudessem alcandorar num lugar maior que a chefia de uma direcção de serviços ou equivalente.

Do 25 de Abril, nada percebeu ou sabe. Na sua autobiografia política classifica-o, simplesmente, como um período de "grande confusão". Foi Sá Carneiro quem, provavelmente em noite de ópio com a amante Abecassis, achou que tinha descoberto o novo salazar num outro bolorento professor universitário e o convidou para ministro das Finanças, com prerrogativas semelhantes àquelas de que havia auferido o virginal ditador. Não havia descoberto e, graças ao acidente/atentado que vitimou o líder histórico do PPD, as "cavacadas" - como começaram a ser conhecidas as peculiares estratégias financeiras que ia utilizando - ficaram escondidas sob um manto de uma administração austera, mas eficiente, que muitos problemas haveria de causar aos senhores do fmi em 1983.

Na oposição a Francisco Balsemão e Mota Pinto, vai construindo, sob a asa protectora da sua mulher, uma aura de sucessor legítimo do pensamento de Sá Carneiro, e, em animado festim numa famosa praia portuguesa, conquista o partido e havia de conseguir uma minoria relativa e duas absolutas nos anos seguintes. Governaria nos 10 melhores anos de Portugal, em que os "fundos de coesão" - na verdade a estratégia final hitleriana de vergar a europa reinventada - davam para minar um país de auto-estradas, arrancar linha férrea e oliveiras, desmantelar fábricas e ainda alimentar as cliques do grande partido PSD-PS que começa então a constituir-se.

Perdeu as eleições de 96, mas o esforço de Maria compensaria em 2006 quando é eleito para Bélém, onde era necessário um "economista pragmático" - o que quer que essas palavras, "economista" e "pragmático", friso, signifiquem. Finalmente, com a queda de sócrates, de quem já muitos vêm fazendo a apologia, muitos mais do que aqueles que defenderam o antigo, concretiza o sonho de Sá Carneiro: um Presidente, um Governo, uma Maioria, que ainda por cima contava com o CDS, que cavaco havia reduzido ao táxi nos anos de governo. Finge, então, governar de Belém, chamando o ministro das Finanças para "explicações", um pouco à semelhança do velhinho Salazar, em 1969, quando continuava pretendendo governar, despachando, como em qualquer outro dia dos gloriosos anos de 1950, com a outra Maria e restantes membros do executivo.

A 5 de Outubro, finalmente, hasteia a bandeira nacional ao contrário e leva o processo todo até ao fim - via-se-lhe o olhar perdido, procurando Maria, e agora o que é que faço? Esconde-se, então, no sitiozinho onde realizam aquela parolagem da "Moda Lisboa". E aí, tem de ouvir o líder da oposição - uma criaturinha que, há falta de espaços para rotundas na capital, decidiu violentamente (como é hábito partidário) perturbar o já caótico trânsito do Marquês de Pombal - criticar "fortemente" o "seu" governo. Criaturinha essa que, soubemo-lo depois, foi quem trocou o lado da bandeirola.

E, depois disto tudo, digam-me, ainda há quem acredite que aníbal cavaco silva será o salvador da nação? Procederá no sentido de formar um governo de iniciativa presidencial, afirmam os sebastianistas chefiado por leonor beleza? Não me deixem pensar isto...

3 comentários:

  1. Obrigada por escrever tão bem aquilo que penso! Finalmente achei um BLOG!
    Maria Santos

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  2. Gostaria de imaginar um Portugal em que ninguém dá importância a este "senhor". Porém, não consigo. Há muita gente que, por mais bizarro que pareça, vê nele o tal carácter alla Sebastianismo, como referiste.

    Eu não sei se o mesmo voltará com um nevoeiro ou não, mas uma coisa é certa: algo anda a toldar a visão a esta gente, que não vê aquilo que lhe está escarrado à frente da cara - este senhor já deu o que tinha a dar (e mais valia não ter dado nada, porque apenas estragou)!

    Abraço, Manel ;)

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