sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Da proibição do consumo da ganza como retrato da hipocrisia nacional (ou mais uma crónica de maus costumes).





O Bloco de Esquerda decidiu, há uns dias, apresentar, novamente, legislação no sentido da legalização do consumo da marijuana e (alguns) derivados. Claro que os mais néscios (ps’s, psd’s, cds’s e talvez, também, alguns pcp’s) vão argumentar que, neste momento de enormes dificuldades económicas para a nação, se trata de uma perda de tempo encetar a discussão sobre a legalização deste tipo de drogas levas. Este tipo de argumentação, de tão demagoga e desprovida de sentido, não merece, sequer, que contra ela se tergiverse. Ainda assim, e para os que nela podem, apesar de todos os avisos, cair, aqui fica um dado histórico: este nosso pequeno país vive em (permanente) crise financeira desde 1143 (data estabelecida de começo da nacionalidade). Desta forma, se andássemos sempre preocupados com a economia, ainda hoje vivíamos como os compinchas do bronco que deu pelo nome de Afonso Henriques (fundador deste protótipo mal amanhado de nação). Depois, e se ainda não se aperceberam, subsistimos hoje em regime colonial, sujeitos ao jugo de um conjunto de incompetentes a soldo da banca internacional (os “funcionários” do FMI, BCE e CE) e daquela espécie andrógina que insiste, vá-se lá saber porquê, em ser tratada pelo nome feminino de Angela Merkel, mas que faz muito mais lembrar uma versão gorda daquele senhor que há cerca de 70 anos decidiu exterminar os judeus e remeter os restantes europeus à subserviência do Reich.


Assim, subservientes e colonizados – nós que sempre fomos “potência” colonial – deixámos de poder decidir acerca do nosso futuro económico-financeiro, sobre o estado da nossa saúde, do nosso ensino, da nossa segurança social. Já desistimos, e a solução, a nível do governo do demissionário (esperemos) Relvas, é emigrar ou o retorno ao campo (ideia da Sra. Cristas que, com certeza, a única fez que se desfez dos saltos foi para ir àquele encontrozinho “informal” no forte de S. Julião da Barra). Ainda podemos, todavia, encontrar soluções nos termos da nossa política de consumo de substâncias recreativas. Afinal, a definição de (algum) do enquadramento dos bons costumes era prerrogativa das elites colonizadas.

É neste sentido que me pronuncio sobre o projecto do bloco, que será, mais do que certamente, chumbado, pelos votos contrários do CDS (só metem coca os meninos, a “ganza” é para pobre) e da maior parte do PSD (já estão enterrados em várias camadas de esterco, não precisam, minimamente, neste momento, de uma Isilda Pegado, defensora dos abstémios, a combatê-los nas ruas e blogues). O PS, naquela pasmaceira beirã em que se enleia sob a liderança do Seguro não deve tomar decisão nenhuma e, como sempre, seguirá as pisadas da direita. Interessante poderá ser o voto comunista. À partida, e tendo em conta o eleitorado que representam e as preocupações que os movem, prefeririam chumbar a iniciativa bloquista. Todavia, quem já foi à festa do Avante, bem sabe que o PCP terá poucas hipóteses de sair incólume do chumbo. É possível que prefira fazer como com o casamento gay – outro tema espinhoso para os comunistas – e aprovar pela calada, esperando que aqueles velhinhos simpáticos do Alentejo ainda não tenham adquirido o descodificar para a TV.

A balança penderá, então, nesta matéria para a hipocrisia e o mantra português dos (maus) costumes continuará a ser o mesmo: “fá-lo, desde que não se saiba”. Para gáudio, sobretudo, das massas consumidoras da marijuana, que podem continuar, livremente, a consumir o seu produto tax-free!

PS: num texto próximo tentarei, com algum conhecimento de causa, expor os malefícios dos produtos derivados da marijuana, quando comparados com as drogas legais: tabaco, álcool, fertilizantes, etc.

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