domingo, 19 de agosto de 2012

Ainda sobre drogas, ou porque é que isto continua a ser uma crónica de maus costumes.






Ainda sobre drogas... Sobre legais e ilegais e sobre o disparate que é o esforço que se faz na proibição da cannabis e derivados e, depois, se permite que se consumam tudo quanto é fertilizantes e incensos nas smartshops (Cogumelo Mágico, entre outras). E bem, que, no fundo, cada um mete no seu corpo o que quer, desde que informado das consequências.

Este governo, liberal como se afirma, já anda a preparar legislação proibitiva do consumo das, actualmente, drogas legais e vai, sem dúvida, chumbar o projecto do BE acerca da liberalização do consumo dos canábicos. Porque o liberalismo do executivo Relvas só funciona no sentido de desmantelamento da (parca) protecção social daqueles que menos têm. No resto, comporta-se como o mais conservador dos Estados do socialismo real.

E tem de ser assim. Manietado pelas desastrosas políticas económicas impostas por aquela criatura andrógina da Alemanha de Leste que insiste em ser tratada pelo nome feminino de Angela e pelas ainda mais idióticas "soluções" da figurinha ridícula que se ocupa, quando não se encontra frente ao espelho, treinando a vozinha de falsete de Salazar, das finanças nacionais, o governo Relvas tem necessidade de assumir que governa "à direita" nas questões sociais. Assim, tal como Sócrates pôs a paneleiragem a casar para dar um vago ar progressista à desgraça, o presente executivo, não podendo atender às reivindicações novecentistas da Isilda Pegado, pretende pegar nas drogas.

Não podendo voltar a regular o sexo nos termos do Estado Novo, volta-se para as drogas, o elo mais fraco da liberdade contemporânea. E em vez de se percorrer o caminho natural da liberalização do consumo dos derivados da cannabis - cujos malfícios, quando comparados com os do álcool ou tabaco, fazem com que nem sequer possam ser considerados, efectivamente, drogas - calcorreiam-se as veredas da proibição, não só tornando o fruto proibido mais apetecido, mas continuando a infantilizar as pessoas com base em preconceitos básicos e profundamente incorrectos.

E eu não defendo, atenção, que os fertilizantes das smartshops possam continuar a ser vendidos à vontade de todo e qualquer freguês. Agora, não me parece, neste caso, que avançar para a proibição pura e simples - como adivinho que aí venha - consusbtancie um qualquer tipo de solução. E, noutro ponto, continuar a proibir o consumo do haxixe, baseado nas (supostas) consequências gravíssimas para a saúde mental e na ideia de que se trata de uma droga de passagem para outras mais fortes, é uma "solução" tão idiota como permitir que um analfabeto funcional governe um país - o que, afinal, até acontece no nosso, mas, enfim, não é por isso que perde o epíteto.

Nas actividades recreativas (como se viu, historicamente, com o sexo), proibir é sempre o pior remédio.

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