segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ao António José Saraiva, que não tem culpa.






Por causa da publicação abjecta com que JAS nos brindou recentemente no pasquim de que é director e, sobretudo, por causa do rasgado elogio que teceu ao "tio José Hermano" - colaborador próximo do regime fascista -, têm-se ouvido dizer algumas coisas relativamente injustas, nomeadamente, que é natural que JAS seja assim (facho) porque provém de uma família em que todos seguiam a mesma cartilha salazarenta.

Ora, se é certo que o "tio José Hermano" é reaccionário até à medula, a verdade é que o pai do JAS, o António José Saraiva, se opôs, sempre, ao regime fascista, tendo, por isso, sido afastado das actividades docentes na Faculdade de Letras da UL.

Militou no Partido Comunista, apoiou a candidatura de Norton de Matos e, nos anos 60, exilou-se em França. Depois de duas viagens à União Soviética, abandona o comunismo e, regressado a Portugal já depois da Revolução dos Cravos, critica duramente o (novo) regime instituído e assume uma postura mais "conservadora". A epítome destas críticas é a famosa crónica de 1979 "O 25 de Abril e a História" publicada no Diário de Notícias - com a qual, pessoalmente, não posso concordar na totalidade, mas que hei-de publicar aqui.

António José Saraiva era, assim, um homem com uma formação académica exemplar, um pensador livre, um verdadeiro contestatário, um homem inteligente, no limiar da loucura muitas vezes. Era polémico sem precisar de inventar trapalhadas ou fazer figura de parvo. Era repeitado.

O filho, infelizmente, parece não ter herdado nenhuma destas qualidades. Não se respeita, cientifica e moralmente, aprecia a polémica de baixo nível, disserta sobre aquilo que não conhece, não se respeita e, por isso, não é respeitado e, de cronista, vem-se metamorfoseando em piada nacional - mesmo na direita, atraiçoando, em parte, a linhagem de onde provém.


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AJS pelo próprio:


"Eu sou existencialmente inconformista.


Eu sou, de origem, um camponês.

Eu fui espiritualmente cristão e teoricamente marxista.


Eu estou contra a sociedade, independentemente das teorias.


Eu acredito no espírito, mas não sou capaz de o definir.


Eu estou pronto a emigrar de novo, se necessário. Eu sou António José Saraiva."



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