sexta-feira, 30 de março de 2012

Post pós-revolucionário parte II - A degradação do direito de manifestação.






Na manifestação da última greve geral, no Chiado, uma cidadã portuguesa, manifestante pacífica, foi brutalmente agredida pelos jagunços do presente governo - a que, por erro certamente, costumávamos chamar de Polícia de Segurança Pública - no mesmo local, segundo disse, onde, antes do 25 de Abril havia sofrido as cruentas cargas policiais típicas do regime fascista. Um dado irónico, se tivermos em conta que, em alguns aspectos - depauperação generalizada do país, utilização excessiva da violência "autorizada", desmantelamento das actividades culturais, desrespeito pelos princípios democráticos -, e tirando as devidas adaptações necessárias à manutenção da fachada democrática, a actuação deste governo se aproxima daquela que era prosseguida pelo ditador Salazar.

O Relatório de Actividades da PSP para o ano presente avançou, depois, a ideia de que as "notícias menos positivas" relativas às intervenções policiais deveriam ser "combatidas". Um tipo de ideia que também nos remete, imediatamente, para os procedimentos de propaganda postos em prática nos «gloriosos» tempos de Salazar, onde a acção da polícia política era, muitas vezes, defendida com o argumentos de que se estava a combater a acção  dos «comunistas» (que eram todos aqueles que não pensavam como os tipos do regime) e dos «terroristas» (que eram todos os pretos que pensavam).

Hoje, o governo (ou, melhor dizendo, aquela brigada de inaptos que lideram o destino do povo português, normalmente ainda mais ignorante do que os políticos que "escolheu") procura, de variadas formas e sobretudo na cabeça daquela "simpática" senhora gordinha que lidera o IV Reich, inculcar a ideia de que Portugal não é a Grécia. De que, aqui, temos, de facto, de apertar o cinto - é a única alternativa -, mas que isso até nem nos incomoda muito, porque, afinal, somos os culpados pela vida "acima das nossas possibilidades" que fomos levando. Os manifestantes não passam de um conjunto, pequeno, obviamente, de hippies fedorentos, sindicalistas profissionais, reformados comunistas e outros vagabundos que deveriam, antes, andar a "limpar as matas nacionais", para evitar os incêndios de Verão. Por isso, se apanharem uma cacetada policial quando andam por aí, desocupados, a conspurcar a via pública com insultos a um governo que, afinal, só anda a remendar os erros dos outros - dos comunistas e restante escumalha, adepta da saúde, educação, assistência social e etc. gratuitas - foi porque mereceram.

Além disso, a polícia é treinada para alguma coisa e há que esconder os verdadeiros criminosos - aqueles que se locupletam  à custa dos tostões do idiótico povão português e os que, através das instituições "democráticas", garantem a segurança dos primeiros.

Por outro lado, e isto foi, no meu entender, ainda mais graves, os capangas a soldo da central sindical (cuja acção, da central, obviamente, não da "jagunceria", costuma ser merecedora da minha aprovação) enfrentaram, fisicamente, os manifestantes não-sindicalizados - desempregados, indignados, e restante vagabundagem -, dividindo ainda mais aqueles poucos que já se conseguiram aperceber de que o passo para o abismo já foi dado há muito, e que os próximos movimentos já só servem para nos enterrar mais no lodo. Uma tristeza (a lembrar as lutas fratricidas da esquerda na guerra civil espanhola), mas que, infelizmente, não é estranha na acção do Partido Comunista, cujas posições apoio na esmagadora maioria das vezes (desenganem-se), mas que sempre detestou as massas manifestantes desenquadradas das suas estruturas.

Assim, promovido pelos membros deste (des)governo através dos "senhores agentes" (que, ironicamente, têm sido dos mais contestatários em relação às medidas tomadas pelo actual regime), procura instalar-se um clima ostracizante em relação àqueles que são, do ponto de vista mental, minimamente, capazes de perceber que o executivo não tem um caminho e que segue, guiado por pessoas - FMI - que nunca conseguiram, estruturalmente, reabilitar nenhum país, um percurso que não tem, de forma alguma, procurado defender a população nacional. Os discordantes, depois, não se entendem e, sem se darem conta, auto-destroem-se, fazendo o jogo do "adversário".

E a revolução nacional, enquanto processo de modificação de mentalidades tendente a encontrar um equilíbrio social mais próximo da igualdade (económica, étnica, sexual...) plena, vai perdendo força, degradando-se, por medo, mas também por estupidez.


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