quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Caça ao sexo nos túneis do metro.



O Público de ontem resolveu noticiar a recusa do Metro de Lisboa de acolher publicidade a um site de encontros (sexuais) gay. Uma notícia que, de resto, já havia sido avançada, no dia 25 do mês passado, pelo site dezanove.pt. Surpreenderam-me, sobretudo no site do Público, os comentários dos leitores. Estava, honestamente, à espera de um chorrilho de disparates sobre a promiscuidade homossexual, riscos assumidos pelo grupo na busca incessante de sexo e de como a existência daquele tipo de sites prejudicava a imagens dos gays. Não foi, na esmagadora maioria dos casos, o que encontrei. E os gays que, suposta ou realmente, não usam o serviço e que não querem ser "confundidos" com os utilizadores foram os principais portadores daquele tipo de dizeres, o que só reforça aquela ideia de que são as próprias classes discriminadas quem mais contribuiu para a discriminação própria.

A maior parte dos cidadãos comuns heterossexuais que não sofrem de desequilíbrio mental grave não parecem ter ficado, minimamente, preocupados com a possibilidade de se terem de defrontar com aquele tipo de publicidade. Finalmente, estamos a caminhar para um mundo em que as pessoas se apercebem que (quase) toda a gente gosta de sexo e que, para alguns, é perfeitamente natural simplificar o flirt, aumentar as possibilidades e escrutinar os "candidatxs" utilizando a internet.

É bom, contudo, saber que o Metro de Lisboa anda tão preocupado com a moral e os bons costumes. Assim, mesmo a cair de podre por supostas faltas de financiamento e a explorar arduamente os passageiros, quando a sociedade, à superfície, se despudorar na totalidade, vamos poder sempre refugiar as nossas crianças e velhinhas nos túneis do metropolitano.

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