quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Dê sangue, ámen!





O governo português, liderado pelo social-democrata Miguel Relvas - não se confundam, social-democrata porque pertence ao PSD e não porque, nalgum momento, tenha prosseguido a ideologia -, encontra-se, há muito, demissionário. Isto porque a forma como têm tentado resolver os problemas dos portugueses que os elegeram é através da sugestão da emigração.

Mais recentemente, todavia, abandonaram mesmo esta patética política e passaram, simplesmente, a confiar na intervenção divina. E, então, foi ver Assunção Cristas (ministra da Agricultura, do Ambiente e de mais uma série de pastas cuja totalidade não consigo agora recordar) a dizer que tem fé que os problemas de ordem natural que afectam a agricultura portuguesa se resolvam e Duarte Marques (consultor - pois....-, líder da JSD e, se tudo correr bem, futuro primeiro-ministro de Portugal) a apelar, novamente, à fé (católica, supõe-se) para a resolução do problema do desemprego.


Desta vez, foram os responsáveis pelo Instituto Português do Sangue que, perante a contracção nas dádivas, motivada, certamente, pela decisão dos irresponsáveis pelo governo deste país de acabar com a isenção nas taxas moderadoras hospitalares para os dadores, a apelar às boas graças da divina providência, desta vez através dos seus representantes terrenos. Assim, em situação de quebra grave nos stocks, o IPS está preparado para, em conjunto com o clero português, apelar à doação de sangue nas missas.

Que bela ideia, não vos parece? É que tendo em conta que a idade máxima para efectuar a primeira doação de sangue é a de 60 anos e pensando na idade média das pessoas que frequentam, habitualmente, as igrejas deste país, devem conseguir inúmeros novos candidatos!


PS: e não nos devemos esquecer que, ainda não há um ano, andavam os irresponsáveis do Ministério da Saúde e do IPS a papaguear alarvidades sobre as restrições na aceitação de sangue de dadores homossexuais.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

InterRail na linha de Sintra




Ontem, no palácio Sinel de Cordes, no Campo de Santa Clara (onde se realiza a feira da ladra), teve lugar a Pecha Kucha Lisbon,  "um foram informal para a apresentação de trabalho criativo proveniente de diferentes disciplinas como arquitectura, design, artes gráficas, artes visuais e a moda". Como saberão, nenhuma destes ofícios fazia parte dos meus interesses primordiais, mas, agora, por motivos pessoais, passaram, pelo menos, a suscitar-me alguma curiosidade. E então, ainda recuperando do meu jantar de anos, lá fui à Pecha Kucha.

A temática deste ano era "Celebrar a Cidade", o que me fez logo torcer o nariz. É que, enfim, não é propriamente uma ideia muito original a realização de um evento que se destina a apresentar, de forma inovadora, os aspectos que mais se valoriza numa determinada localidade. A verdade, contudo, é que aquelas gentes, com maior ou menos criatividade, lá conseguiram surpreender-me de alguma forma.

A ideia que considerei mais interessante foi avançada pelas designers  Ambas as Duas que propunham a realização de um InterRail na linha de Sintra. Pode parecer absolutamente inusitado, porque quando pensamos naquela via de comunicação só nos vem à cabeça o destino, Sintra, ou, então, sítios de péssima frequência, roubos, graffiti, vagabundagem, etc. Mas há mais. E Ambas as Duas foram capazes de nos mostrar isso, sem escamotear, obviamente, o aspecto real das diversas paragens da linha do comboio.

Um dos espaços realmente interessantes, e que, penso, valerá a pena uma visita e o risco de enfrentar a linha de Sintra é o Parque Central da Amadora, onde, por um euro, podem andar de cisne num lago artificial. Em tempos de crise, não me parece nada mal como programa de Domingo à tarde. Eu, fiquei convencido!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Caça ao sexo nos túneis do metro.



O Público de ontem resolveu noticiar a recusa do Metro de Lisboa de acolher publicidade a um site de encontros (sexuais) gay. Uma notícia que, de resto, já havia sido avançada, no dia 25 do mês passado, pelo site dezanove.pt. Surpreenderam-me, sobretudo no site do Público, os comentários dos leitores. Estava, honestamente, à espera de um chorrilho de disparates sobre a promiscuidade homossexual, riscos assumidos pelo grupo na busca incessante de sexo e de como a existência daquele tipo de sites prejudicava a imagens dos gays. Não foi, na esmagadora maioria dos casos, o que encontrei. E os gays que, suposta ou realmente, não usam o serviço e que não querem ser "confundidos" com os utilizadores foram os principais portadores daquele tipo de dizeres, o que só reforça aquela ideia de que são as próprias classes discriminadas quem mais contribuiu para a discriminação própria.

A maior parte dos cidadãos comuns heterossexuais que não sofrem de desequilíbrio mental grave não parecem ter ficado, minimamente, preocupados com a possibilidade de se terem de defrontar com aquele tipo de publicidade. Finalmente, estamos a caminhar para um mundo em que as pessoas se apercebem que (quase) toda a gente gosta de sexo e que, para alguns, é perfeitamente natural simplificar o flirt, aumentar as possibilidades e escrutinar os "candidatxs" utilizando a internet.

É bom, contudo, saber que o Metro de Lisboa anda tão preocupado com a moral e os bons costumes. Assim, mesmo a cair de podre por supostas faltas de financiamento e a explorar arduamente os passageiros, quando a sociedade, à superfície, se despudorar na totalidade, vamos poder sempre refugiar as nossas crianças e velhinhas nos túneis do metropolitano.