segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A "invasão de Goa" e a hipocrisia do fascismo.



Neste período de entre-festas, aqui fica uma pequena reflexão dedicada a todos aqueles saudosistas do império fascista português e do patético regime do ditador Salazar - porque nós, aqui, não esquecemos!

Fez, na semana passada, 50 anos que principiou a queda do último império português, ironicamente no espaço onde o primeiro se tinha estruturado: a Índia. A União Indiana, liberta dos grilhões do colonialismo inglês em 1947, perdeu, a 18 de Dezembro de 1961, a paciência com a ridícula ditadura salazarista, invadindo os território de Goa, Damão e Diu (e anexos), que compunham o Estado Português da Índia.

De um ponto de vista histórico, o que foi dito não é, inteiramente, verdade, na medida em que, no Verão do ano de 1961, a República do Daomé já havia ocupado a dependência portuguesa do Forte de S. João Baptista de Ajudá, que Salazar mandou incendiar previamente. A diminuta dimensão da dependência e o simbolismo das possessões indianas (como marca da génese imperial portuguesa) fazem com que o acontecimento a que primeiramente me referi marque, de uma forma mais certeira e consistente, o começo do desmantelamento do colonialismo português, sobretudo porque demonstraram de uma forma mais evidente a hipocrisia do regime salazarista e a falta de respeito que o mesmo tinha pela vida humana.

Aquando do ultimato indiano para abandonarmos as possessões coloniais, Salazar ordenou a Manuel Vassallo e Silva, último Governador do Estado Português da Índia, que resistisse até à morte. A ordem ainda se poderia compreender, ainda que continuasse a ser inaceitável por já terem sido ultrapassados, na altura, todos os prazos do imperialismo, se o hediondo governo português tivesse armado e treinado propriamente o contingente militar goês. Isto não aconteceu e os cerca de 3.500 soldados portugueses tiveram de enfrentar um exército 10 vezes superior em número, contando, em muitos casos, com armamento que datava do séc. XIX(!!).

Salazar desejava um banho de sangue que poderia invocar nas Nações Unidas e perante a Comunidade Internacional. Por uma carta diplomática, o ditador português jogava a vida de mais de três milhares de portugueses. Valeu, aos militares nacionais e a todos os habitantes do território, o bom senso de Vassallo e Silva que, contrariando ordens expressas de Salazar, optou pela rendição. Foi, por essa razão, perseguido pelo regime fascista português até ao 25 de Abril. Os soldados portugueses, por causa da estupidez e do atraso de Salazar, penaram largos meses em prisões indianas - eram prisioneiros de guerra e como Lisboa se recusava a negociar a rendição e sancionar a libertação de Goa, Damão e Diu, a União Indiana não possuía expediente diplomático que lhe permitisse a libertação dos militares.

Seis meses depois, acabaram por ser libertados pelas autoridades indianas, que não tinha nenhum interesse em manter uma posição revanchista em relação ao regime colonialista português. Em Portugal, estes homens foram recebidos como traidores, como aqueles que "tinham entregue" os territórios indianos, sofrendo represálias devidas, unicamente, ao facto de terem obedecido às ordens sensatas do seu comandante-chefe (Vassallo e Silva), que mais não fez do que reconhecer a inevitabilidade da derrota perante a desproporção de forças.

E assim se conta mais uma página negra do fascismo português, colorida, apenas, pelo facto de ter significado uma machadada simbólica de alguma magnitude no sistema colonialista português, opressor na Europa, África e Ásia.

1 comentário:

  1. Com tanta vontade em falar mal só podia dar nisto..
    Goa não era nenhuma colónia portuguesa! Até o Tribunal Internacional de Haia o concluiu em 1954. Portugal GANHOU juridicamente a questão..daí que o cinico Neru tenha abandonado o seu falso pacifismo e invadido e ocupado ilegalmente um território estrangeiro contra a vontade da comunidade local.
    Chamar fascista ao Estado Novo também é uma completa demonstração de ignorância...enfim texto chulo desprovido de conhecimento científico que numa universidade pública nem dava para chegar ao exame oral.

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