segunda-feira, 21 de novembro de 2011

No país do carnaval (parte I).



No país de Jardim (também conhecido por Região Autónoma da Madeira), as iluminações de Natal e o fogo-de-artifício de Ano Novo não vão sofrer os efeitos da "crise". Como em anos anteriores, o fausto continuará a marcar a comemoração das datas, tendo sido, em claro prejuízo do interesse público, consignados três milhões de euros para o efeito.

Alberto João Jardim paira acima de qualquer norma de responsabilidade financeira e política e reina autocraticamente no território desde 1978. Os 33 anos consecutivos no poder servem, desde logo, penso, como teste da democraticidade da Região Autónoma - o consulado de Jardim ultrapassa os de José Eduardo do Santos ou Robert Mugabe, por exemplo. Não isentam, todavia, o povo madeirensa da sua culpa na manutenção do regime de absoluta impunidade de Jardim, com o qual, todos os anos, os cidadãos portugueses tẽm de arcar financeiramente. É que, apesar de tudo, e ainda que a um nível muito primário, sobretudo no que toca à educação cívica das populações, a Madeira é uma democracia.

Apesar de se tratar da segunda região mais rica do país, atrás de Lisboa e Vale do Tejo, o estatuto de insularidade e periferia do arquipélago, bem manipulados pelo cacique local, têm-lhe permitido furtar-se às (escassas) normas de rigor orçamental e responsabilidade financeira aplicadas no continente. E todos os anos, os milhões de euros do défice regional (que ultrapassa os 20% do PIB Madeirense!), têm sido pagos por transferências do Orçamento Geral do Estado. Governos nacionais demasiado temerosos das inconsequentes ameaças autonómicas de Jardim, a começar por aqueles alicerçados nas fabulosas maiorias absolutas de Cavaco Silva, têm, desta forma, imposto a totalidade dos cidadãos portugueses (incluindo, portanto, os habitantes da RAM), os custos da governação faraónica de Jardim.

As actuais medidas de "austeridade" impostas pela maioria reaccionária (PS(conivente)+PSD+PP) que domina o parlamento portuguê, não se coadunam, todavia, com a manutenção do status quo madeirense. Desta forma, Jardim tem de ser colocado na ordem - veremos se Passos Coelho, tão corajoso na exigência de sacrifícios aos trabalhadores e à arraia-miúda nacional, tem a audácia de enfrentar o Salazar madeirense -  e, se agitar o manifesto da autonomia, assumir o compromisso de referendar a hipótese. Oxalá o faça, porque, dessa forma, os cidadãos madeirenses teriam, finalmente, de abandonar a infância política a que têm sido arremetidos desde os alvores da democracia portuguesa e assumir as responsabilidades políticas inerentes à situação de cidadãos politicamente autónomos.

 A bem da nação!

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