terça-feira, 18 de outubro de 2011

Respeitinho à portuguesa.



Aqui há uns anos, ainda eu não havia ingressado no ensino superior, um caso de uma praxe particularmente violenta (que envolvia, inclusivamente, excrementos animais) levou a que se atenuassem as “tradições académicas” ligadas à integração do “caloiro”. Mais recentemente, todavia, têm conhecido um exponencial recrudescimento, o que levou a que, recentemente, seis instituições universitárias “apertassem o cerco à praxe”.

Ainda antes do 25 de Abril, o traje académico, a integração em forma de humilhação dos novos alunos, a reverência para com os estudantes mais velhos, entre outras coisas que tradicionalmente minavam os primeiros encontros dos discentes com a faculdade, haviam sido abandonadas quase totalmente. Eram, e são, práticas que cheiravam a fascismo, a autoritarismo bacoco. Com a massificação da frequência do ensino superior foram sendo, infelizmente, recuperadas, ensinando, desde logo, aos mais novos a obediência, o respeitinho pelos mais velhos, cerceando liberdades de expressão, opinião e pensamento.

Hoje, na Cidade Universitária, e mesmo em bastiões dos movimentos anti-tradição académica (como era a Faculdade de Letras), é corriqueiro, ao longo de todo o ano, encontrar umas dúzias de aparvalhados, vestidos de capa e batina, de colherinha de café na gravata, comandando grupos de adolescentes com ar ainda mais aparvalhado e servil. Uns e outros alheios ao ridículo do espectáculo que protagonizam.

E assim começa o aluno universitário português a aprender que o melhor é não pensar pela própria cabeça, a obedecer mesmo quando a ordem lhe parece estulta, a enquadrar-se mesmo quando a moldura parece não fazer sentido. A maralha é, desta forma e desde o começo, preparada para o caixilho da sociedade portuguesa: pequeno, acrítico, inábil, ineficaz. E depois ainda nos queremos admirar com o facto de não “crescermos”, de “não sermos competitivos” e com outros disparates da mesma igualha.

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