sexta-feira, 23 de setembro de 2011

E se os ensinassem a pensar?












Ao que parece, terá entrado no curso de Medicina um número ainda não apurado de alunos que terão completado o ensino recorrente com médias elevadíssimas, que, em muitos casos, chegavam mesmo ao redondo 20. Não foi em gigante estado de surpresa que tomei conhecimento deste facto, na medida em que anda por aí muito aluno de medicina que me parece, efectivamente, advindo do mais refundido dos ensinos recorrentes.





Agora procurando falar de forma mais séria (mas se calhar não mais verdadeira), a facilidade do ensino secundário (geral ou lá como lhe chamam) coaduna-se, perfeitamente, com a sua realização num único ano lectivo. E aqui não vejo problema nenhum, que o ensino secundário até poderia ser reduzido a um mês de estudos, desde que nesse tempo se conseguisse que os alunos aprendessem a pensar. A pensar, simplesmente, pela própria cabeça, a procurar informação, a desenvolver capacidade crítica. Mas isso não interessa a ninguém, pais, professores e políticos incluídos.




PS: a verdade é que se a situação não estivesse a ser aproveitada para o acesso ao sacrossanto curso de medicina ninguém tinha dado por ela. E eu bem percebo. É que é como se diz...depois de entrar em medicina...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

“Tenho relações óptimas com pessoas gay”





Faz hoje quase um mês que José António Saraiva, estava eu de férias por Amsterdão, publicou na sua espécie de jornal semanário (o Sol) um artigo de "opinião" intitulado "dois maridos". Na referida peça, revelando o fraco conteúdo a que JAS nos vem habituando há já algumas décadas, o director do semanário partia de um caso de alegada agressão entre um casal homossexual para exercer o seu mais firme repúdio em relação ao alargamento do casamento civil a casais formados por pessoas do mesmo sexo. Li aquela menoridade jornalística e achei-a tão idiota, tão fora de contexto, tão carente da mínima validade argumentativa que não me aprouve, de forma alguma, nem informalmente com amigos, comentá-la. O casamento entre pessoas do mesmo sexo (CPMS) já foi aprovado há tanto tempo, já está tão consolidado, temos tantos novos assuntos socialmente relevantes para discutir (eutanásia, legalização de drogas leves, da prostituição) que não consegui, tão-pouco, entender a polémica. Ainda por cima, no final, introduzia a martelo uma referência completamente idiota ao romance de Jorge Amado (Dona Flor e Seus Dois Maridos)...Enfim, era tudo tão mau que a crítica teria, forçosamente, de se estender por muitos mais caracteres do que aqueles que a falta de originalidade do artigo e da temática merecia.



Não obstante, não sei muito bem como, mas certamente porque dos dois lados da barricada, nos homófobos e nos radicais da homossexualidade, há muito idiota e muito pouco de útil para fazer, o escrito de JAS gerou uma polémica gigantesca. Esta notoriedade levou a que o jornalista a clamar, no mesmo semanário, duas semanas depois, pela liberdade de expressão e a conceder uma entrevista que saiu na mais recente edição da Time Out. É sobre duas ou três coisas que li nas referidas peças, e agora entro na ineptidão geral, que não consigo deixar de palpitar.



Em primeiro luga, diz JAS, na entrevista à Time Out, que a opinião que fez publicar se destinava a provocar polémica e que "carregou em certons tons" para, qual pintor impressionista, realçar determinados aspectos do quadro. Primeiro, não vejo onde vir repetir pela milionésima vez a ladainha de que até o homófobo mais devoto se encontra enfastiado pode criar algum tipo de polémica séria. Dizer disparates, como tratar um homem pelo sexo feminino, questionar-se sobre se um casal homossexual masculino é composto por duas esposas ou fazer corresponder massagista a prostituto, pode, por outro lado, até criar alguma polémica, mas apenas do tipo menos sério que as contas da RA Madeira. O que já me parece, por fim, demais é a comparação daquele lixo literário com a concepção de uma qualquer obra de arte e o pedido de tolerância em relação a um artigo que só revela uma total falta da mesma em relação à diferença.



E, já agora, vir, depois do chorrilho de disparates ofensivos que foram arremessados contra aquilo que JAS chamou a "comunidade gay", afirmar possuir "óptimas relações com pessoas gay" soa àquela desculpa patética do menino que chamou "preto de merda" ao colega de escola.

As razões da ausência.

Sul de Espanha.

Amsterdão.

Boa Vista.

(faltam fotos e alguns comentários, mas aparecerão - uns e outros).