segunda-feira, 20 de junho de 2011

Budapest Pride.




Estive de férias/ trabalho voluntário (daí, também, uma certo abandono a que votei a escrita nese blogue). A uma semana passada no Algarve, seguiu-se um fim-de-semana em Budapeste, Hungria, para participar no Budapest Pride (o evento comemorativo do Orgulho LGBT na capital húngara). Infelizmente, alguns grupelhos pseudo-nazis e nacionalistas têm vindo a perturbar este tipo de comemorações naquele país e, assim, tem sido importante a participação de elementos da Amnistia Internacional na manifestação no sentido de pressionar as autoridades húngaras para porem em prática todas as medidas de segurança necessárias para garantir que toda a gente possa exercer a sua liberdade de expressão e manifestação de uma forma pacífica. Foi esta a razão que me levou á referida cidade.

Cheguei segunda-feira pela hora do almoço e parti no domingo de manhã. Não tive, portanto, muito tempo para visitar toda a cidade. Foi, contudo, suficiente para adorar tudo o que pude ver. Budapeste é lindíssima e bem merece o epíteto de "Paris do Leste" - os edifícios, as ruas, os cafés, o rio, os barcos, as esplanadas, os músicos de rua, tudo lembra a capital francesa. A noite, então, é absolutamente fantástica. No Verão, o tempo mantém-se bastante quente à noite, o que permite que se possa andar na rua envergando, apenas, uma camisa ou t-shirt (ou menos...= P). Depois, a variedade dos espaços nocturnos (gay, hetero, mais soft, mais hardcore, mais sexuais, menos sexuais, etc.) é muito grande, mesmo, e, pelo que conheci, muito interessante.

O que mais me encanta (sim, esta expressão é fruto do convívio com um nuestro hermano)na Europa de Leste são as contradições inerentes às sociedades dos países que compõem aquele espaço. Em Budapeste tudo isto é muito visível: a sociedade é profundamente conservadora, o movimento neo-nazi é gigantesco, os preconceitos católicos avassalam vastos sectores sociais; e, contudo, nunca vi uma cidade mais sexual (a verdade, também, é que nunca estive em Amsterdão), as sex-shops abundam, há um clube de strip em cada esquina, uma sauna gay, um espaço de swing, discotecas hardcore, com glory holes, sexo ao vivo, etc. As interacções amorosas, digamos, nas discotecas e bares são, depois, bastante evidentes e descomplexadas. Os húngaros são, também, bastante corajosos. Não se deixam intimidar por meia dúzia de contra-manifestante e persistem em manter uma defessa acérrima das suas liberdades sexuais, de expressão, de manifestação, religiosas, ideológicas, etc.

A fortíssima identidade e especificidade nacional e histórica portuguesas afastam-nos de alguns aspectos cruciais da sociedade húngara: algum fanatismo religioso, a discriminação em relação a outros povos e línguas e o forte movimento nacionalista-racista que tudo isto gera. Temos, todos aqueles que defendemos os direitos humanos (e não só os que dizem respeito á liberdade sexual) algumas importantes lições a aprender com aquele povo - preseverança, combatividade, coragem, criatividade e empenho. É que, de facto, aqui, arriscamos tão pouco (por comparação).

1 comentário:

  1. Não posso estar mais de acordo, "arriscamos tão pouco". É uma tristeza. Temos muito que caminhar.

    O que vale é que ainda existem pessoas como tu!
    És um dos meus maiores orgulhos *

    Sara

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