quinta-feira, 17 de março de 2011

Eu quero casar-me com um ministro!




Ao contrário daquilo que eu achava possível, José Sócrates ainda conta com um bom punhado de apoiantes. O mais extraordinário é que se trata de criaturas que não pertencem ao PS ou à sua subsidiária incubadora de reaccionários: a JS e que, portanto, não auferem, sequer, dos proventos da militância das referidas estruturas de ataque aos empregos estatais. Tive acesso à opinião das ditas criaturas porque tive a péssima ideia de, pela manhã, perder algum tempo a ver o "Opinião Pública" da Sic Notícias.


A temática sobre a qual os telespectadores se tinham de pronunciar dizia respeito à governação Sócrates (não me recordo, já, muito bem da matéria específica). Imaginei, logo, que me poderia regozijar com algumas afirmações menos abonatórias para o nosso primeiro-ministro e a coisa até nem começou mal, com um professor de 45 anos a comparar José Sócrates a Adolf Hitler. A partir daí, contudo, a situação começou imediatamente a descambar. O seguinte opinador, de 32 anos ou por aí, aplaudiu com grande ênfase aquilo que chamou "as medidas tomadas pelo sr. primeiro-ministro para o combate da crise internacional". Tratava-se de um empresário, certamente um daqueles que com o nosso Estado terá assinado um contrato semelhante àquele do fornecimento dos "Magalhães". Para rematar os enjoos com que esta intervenção já havia contaminado o meu pequeno-almoço, um qualquer reformado, da Covilhã (e isto já diz tudo...), veio também em defesa do "engenheiro de fim-de-semana". Será, com certeza, um dos reformados milionários que não sente o peso dos cortes nas pensões.


Decidi, depois de já ter sido obrigado a confrontar-me com três opiniões do povão português (que é muito mais do que, normalmente, aguento numa semana), desligar o televisor e pôr-me a pensar. Acredito muito na democracia e não tenho a menor dúvida de que Sócrates tem toda a legitimidade para exercer o cargo de administrador principal da coisa pública portuguesa. Mas por que razão, continuou o meu cérebro, infelizmente, a trabalhar, escolhemos para tomar conta do nosso país um cidadão como José Sócrates. Perguntei-me: "escolheríamos, nós, porventura para explicador de matemática do nosso filho alguém que tivesse mentido ostensivamente sobre as suas habilitações académicas e fosse mais do que suspeito de estar envolvido em situações menos bens esclarecidas (digamos...) nas anteriores casas onde havia exercido as suas funções?". Com certeza que não. Então por que continuamos a aturar isto?


É que se ainda se fossemos todos "mulher-de-ministro"...

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