terça-feira, 15 de março de 2011

Avante, camaradas!



No último sábado tiveram lugar, um pouco por todo o país, mas sobretudo em Lisboa e no Porto, as maiores manifestações populares desde o período revolucionário. Mais de 300 mil pessoas decidiram sair à rua para protestar não apenas contra as actuais condições laborais dos jovens portugueses, mas também contra as actuais condições sociais extremamente negativas em que se encontra imerso o nosso país. A manif. de Sábado teve de interessante o facto de não ter sido convocada, organizada e mobilizada por qualquer organização partidária ou sindical.

Num qualquer programa de análise política, Ricardo Araújo Pereira afirmou considerar que o protesto de dia 12 não tinha uma orientação reivindicativa muito clara e que misturava a luta contra a precariedade laboral com a reivindicação bacoca de meia dúzia de nazi-fascistas e os protestos dos capitalistas que tinham dinheiro investido no BPP. Estas franjas "desalinhadas" eram, contudo, ultra-minoritárias: não chegariam a mil indivíduos em Lisboa (no meio de 200 mil, menos de 0,5%, portanto).

As motivações da manifestação foram sempre muito claras e isso mesmo pôde ser atestado pelas frases que na mesma foram repetidas e pelos cartazes e faixas envergados. Em primeiro lugar, um sinal claro de protesto dos mais jovens (mas também de alguns mais velhos) contra a actual situação do mercado de trabalho e contra os abusos cometidos a este nível pelas empresas e pelo próprio Estado e outras pessoas colectivas públicas. Em segundo lugar, e talvez mais importante, a mostragem de um claro cartão vermelho às políticas de inspiração liberal e de direita do governo Sócrates (e dos seus aliados naturais: PSD). Por fim, a afirmação de uma forte crítica ao actual sistema clientelar de governo da coisa pública nacional.

Tratou-se do maior conjunto de manifestações neste país desde o PREC. O povo teve, finalmente, uma oportunidade para referir que rejeita, claramente, o capitalismo selvagem que tem sido promovido e permitido pelos governos "socialistas" e "sociais-democratas"

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