segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Que parvo que sou.








O Bloco de Esquerda anunciou na semana que passou que irá, em Março, apresentar uma moção de censura ao presente executivo. Os partidos da direita já vieram, obviamente, contestar a apresentação da moção: o PS por razões óbvias, o PSD porque não "nada a reboque", o CDS não consigo perceber bem porquê, na medida em que quando Paulo Portas me aparece na televisão tenho sempre dificuldade em ultrapassar a combinação do branqueamento dental com o casaco "à agricultor-caçador" e a boina e concentrar-me naquilo que é dito. Os comunistas não percebem por que razão foi apresentada esta moção quando, faz umas semanas, o BE tinha declarado que a aprovação de uma moção de censura apenas abriria a porta do governo à direita. Não me recordo desta afirmação ter sido proferida por algum responsável do Bloco, mas se tiver sido apenas se poderia tratar de lapus linguae, já que, como bem vem sendo reconhecido pelo PCP, o executivo de Sócrates vem governando à direita.




Enfim, a quase totalidade do povo português (pelo menos aqueles que têm consciência do rumo que a situação nacional vem tomando, e excluindo os que usufurem de tachinhos e tachões partidários) reconhece que o governo actual navega sem direcção. O desemprego aumenta de forma galopante, assim como o montante da dívida pública. Os salários diminuem, as condições de vida deterioram-se, o Estado Social sucumbe. Assim, PCP, CDS e PSD, se estivessem realmente preocupados com o bem-estar populacional, melhor fariam em engolir os preconceitos partidários e aprovar a moção. Mas não, porque o BE é um partido da "esquerda radical" e cumpre aparecer na altura em que se possa garantir uma maior quantidade de lugares para atribuir a colaboradores bem treinados. Assim, mais vale deixar o estado do país degradar-se um pouco mais, deixar que mais uns quantos milhares caiam no desemprego e na pobreza, para que, depois, mesmo um tonto como Passos Coelho consiga dar o golpe de misericórdia.




Até porque um povo mais analfabeto, mais pobre, mais dependente é sempre mais conveniente para quem exercita o poder (já ensinava o saudoso dr. Salazar). sobretudo numa altura em que a classe política chegou a um ponto de carestia intelectual confrangedor. Entretanto vai-nos sendo pedido que façamos sacrifícios: ganhar menos, esperar mais tempo por uma consulta, pagar mais por serviços públicos cada vez mais miseráveis. Sacrifícios em nome da "economia". Uma economia que permite que gestores públicos ganhem milhões de euros por ano, enquanto outros contam os tostões para pôr alguma comida na mesa. Que permite que empresas gerem milhares de milhões de lucros que nunca chegam ao povo. E um sacrifício gigantesco já fazemos todos quando temos de ver uma pessoa que não fora a política estaria no desemprego comandar os destinos deste pseudo-país.




Como podemos ter a esmagadora maioria dos jovens licenciados sem qualquer vínculo laboral (no desemprego, a recibos verdes, em trabalhos mais do que precários)? Como podemos achar que a nossa democracia subsiste com jornalistas a ganharem o salário mínimo? Como podemos, sequer, pensar se nem dinheiro temos para nos emanciparmos materialmente?




Há umas semanas Manuel Vilaverde Cabral referiu que a revolta ainda não estalou nas ruas porque "os paizinhos andam a aguentar os meninos". Infelizmente, creio não ser o caso. Simplesmente, a juventude anda completamente alienada. Afinal, já é "bom conseguir um estágio não remunerado". E enquanto houver um dinheirinho para ir ao Lux, mamar umas cervejas ou mandar umas valentes com a ranhosa do andar de baixo, tudo vai estando bem.




E o que irá acontecer quando tiverem sido vendidos os últimos cacos da avó?






PS: algumas notícias: Público I, II e III.

2 comentários:

  1. "Os comunistas não percebem por que razão foi apresentada esta moção quando, faz umas semanas, o BE tinha declarado que a aprovação de uma moção de censura apenas abriria a porta do governo à direita. Não me recordo desta afirmação ter sido proferida por algum responsável do Bloco"

    Foi o próprio Louçã que o disse ^^


    A verdade é que o BE também demonstrou não estar minimamente preocupado com Portugal ou os portugueses.

    Numa semana diz que uma moção de censura só ajuda a direita e na semana a seguir anuncia que vai propor uma para daí a um mês, com o único objectivo de ultrapassar o PCP em termos de protagonismo. Trata-se apenas de política.

    Eu também gostaria de pensar que algum partido se está a preocupar com o pessoal mas não é verdade. Se assim fosse, alguém aproveitaria o facto de estar no parlamento para fazer com que o nosso wannabe ditador tivesse um "acidente". :D

    Não. Trata-se apenas de política.



    PS: Está melhor da gripe? :]

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  2. Não sei, quer dizer, por que é que não esquecem todas as "tonterias" e atiram a podridão em que se encontra aquele governo abaixo e ponto final?

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