segunda-feira, 11 de outubro de 2010

E o fascismo, subrepticiamente, começa a passar...

Trabalhar, estudar, tentar manter um grau (ainda que escasso) de (uma ainda que desastrosa) vida pessoal e vir aqui lançar uma ou duas ideias são coisas que se começam a tornar cada vez mais incompatíveis. Não podia, contudo, deixar de aqui vir expressar a minha (ainda modesta, mas a um passo de se tornar significativa) preocupação com o que considero ser um certo avanço das ideologias fascistas nos países europeus (e numa outra democracia da área do mediterrâneo).


Em primeiro lugar, e como já aqui expressei, achei francamente perturbador a inacção das instituições responsáveis da UE perante a política ultra-discriminatória de Sarkozy em relação aos ciganos romenos que se encontravam legalmente em frança. Como se trata de ciganos, foram poucos aqueles que manifestaram uma discordância mais audível.

Il fascismo

Ontem, na Sérvia, os manifestantes da Marcha do Orgulho Gay (LGBT) de Belgrado foram barbaramente atacados por mais de 6.000 contra-manifestantes homofóbicos. Por entre os gritos de "morte aos homossexuais" e "começou a caça", vários membros de claques e militantes de extrema-direita brutalizaram centenas de manifestantes pacíficos. O ódio e o medo foram os propulsores de instintos animalescos que a polícia não teve força para contrariar na totalidade. Valeu, ao menos, as reacções do Presidente e restantes membros do governo sérvio que condenaram veementemente os actos de violência. Quando estive na Lituânia, foram os próprios deputados do Parlamento Lituano que tentaram furar a barreira policial que protegia a curta manifestação do Baltic Pride. No país balcânico a reacção institucional foi, ao menos, correcta.




Também no dia de ontem, nas eleições para a Câmara de Viena, o partido de extrema-direita (aquele que teve como líder um gay militante homófobo, falecido ha dois anos) alcançou o segundo lugar com bem mais de um quarto dos votos, tendo veiculando durante a campanha frases ultra-xenófobas, em que atacava, sobretudo, a população islâmica do país.


Em Israel, o arqui-fascista Benjamin Netanyahu fez passar em Conselho de Ministros uma proposta de lei que obriga os candidatos à cidadania israelita a jurarem fidelidade ao "Estado judaico e democrático de Israel". Enfim, só me faz pensar nas conversões forçadas de judeus na Idade Média.
Já neste pedaço de terra a que usámos (infelizmente) chamar de país, a machadada fascista vem da proveniência menos provável. Sobre o recente Prémio Nobel da Paz a um dissidente chinês, o PCP veio dizer que se trata de uma forma de pressão dos EUA (!!!!) sobre a China e que degrada a importância do prémio. Enfim, há muito que a esquerda já deixou de contar com os facho-comunistas para uma verdadeira "política patriótica de esquerda".

7 comentários:

  1. Hum, quer dizer que Israel deveria dar nacionalidade Israelita a pessoas que a pedissem, mesmo que estas pretendessem a destruição do país, destruir a sua democracia ou o seu carácter de lar do judeus?

    Pois, tem toda a lógica.

    Israel abriga pessoas de todas as etnias e religiões, e faz mais que bem em proteger a existência do país que demorou 2000 anos a recuperar, enquanto a sua população foi perseguida e dizimada mundo fora.

    Se não fosses racista em relação a Israel e aos israelitas verias que esta lei é o que permitirá conciliar a atribuição de nacionalidade a imigrantes árabes, palestinianos ou não, sem pôr em causa a destruição interna do próprio estado de Israel.

    (Mas, como sempre, o único país do Médio Oriente que garante a protecção liberdade a todos os cidadãos independentemente de religião, etnia, género, orientação sexual, etc, continuará a ser o bode expiatório para tudo e mais alguma coisa, enquanto os países árabes, esses oásis dos direitos humanos, o acusam sem nunca prestar contas sobre os seus crimes (entre os quais os vários massacres, bloqueios, limitação de direitos aos Palestinianos no Líbano, na Jordânia e nos próprios territórios ocupados).

    Sim, Manel, já sabemos a tua lenga lenga contra Israel... Aconselho-te o livro "Israel: A History" do historiador britânico Martin Gilber (já existe versão portuguesa, eu ando a lê-la). Isto caso estejas disposto a informar-te sobre Israel e a sua história antes de despejares mais preconceito anti-israelita por onde te moves...

    Quanto ao resto que dizes, concordo, e ainda estou em choque com a votação que decorreu no Parlamento português...

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  2. 1- Israel não é a pátria dos judeus, nem pertence aos seguidores da religião judaica. A população de Israel não se confunde com a população judaica mundial. Israel é a pátria e pertence aos cidadãos israelitas (judeus, muçulmanos, cristãos, ateus, agnósticos, hindus, budistas, sikhs, taoístas, confucionistas, etc).

    2- A existência de Israel não fica ameaçada pela diversidade cultural, antes pelo contrário.

    3- É completamente demagógico chamar-me racista, na medida em que a minha posição em relação a esta proposta é a mesma que grande parte da população israelita (incluindo Ehud Barak e Tzipi Livni).

    4- E continuo a defender que Benjamin Netanyahu é fascista.

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  3. Por muito que te choque, Israel é sim o lar dos judeus.

    É um país criados por judeus, não só para judeus, que tem como princípio garantir o direito de imigração, protecção e apoio de qualquer judeu que para lá decida imigrar. E é o único no mundo com esse propósito: o de servir de porto de abrigo a todo e qualquer judeu que dele precise e deseje. Um lar.

    Diversidade cultural? Estamos a falar de dar nacionalidade a quem não respeita nem reconhece Israel nos seus valores mais fundamentais. Não faças de conta que é uma lei contra a "diversidade cultural", as pessoas podem ir para Israel e conseguir nacionalidade, desde que aceitem os princípios sobre os quais Israel foi criado. Acho até insultuoso como possas por em causa a diversidade cultural de Israel... sabes a quantidade de população não judia que tem, a diversidade étnica, nacional e religiosa que abriga? Israel é um mosaico de culturas!

    Enquanto fores racista em relação a Israel não é demagógico chamar-te racista. A tua bias contra Israel, os seus cidadãos e os seus princípios é muito clara. Claro que tu não o consegues ver porque, para ti, tu és um santo e tudo o que tu defendes é fruto de muita informação e raciocínio e os governantes e eleitores israelitas é que vivam num regime que lhes bloqueia a internet, os media, o acesso ao exterior, onde existe censura que não os deixa ver a realiade, onde não conhecem a sua própria história, nem o conflito israelo-palestiniano, para além de eles serem atrasados mentais e irracionais em larga escala. Sim, já sabemos.

    Não sei se sabes, mas Israel já teve deputados árabes com cidadania israelita que passaram informações de segurança do Estado ao Hezbollah e fugiram do país assim que lhes moveram processo judicial. E outros "cidadãos" árabes com nacionalidade israelita que pegaram em bulldozers para atropelar carros e civis judeus israelitas no centro de Jerusalém. Palestinianos a fazerem-se explodir em cafés ou autocarros cheios de civis? Entrarem em escolas e matarem dezenas de crianças à facada ou atacar autocarros escolares a tiros de bazooka? Que fazer quanto a isso? Para ti é continuar a atribuir nacionalidade israelita e livre-passe para Israel como se nada fosse, mesmo que não aceitem Israel como "lar do judeus e estado democrático" (ou que nem sequer aceitem Israel de forma alguma). Já sabemos que Israel será sempre o mau da fita e que qualquer medida que Israel tome será sempre porque são pessoas horríveis que gostam de massacrar os coitadinhos dos árabes, especialmente os Palestinianos. Coitadinhos, é que nem existe milhões de árabes (e outros também!) ansiosos por destruir Israel por dentro.

    Também sabemos que Israel faz o que faz impunemente porque os judeus são um lobby muito forte no mundo, com vastas ligações ao mundo dos negócios... mas isto não é preconceito nem anti-semitismo rançoso, é a verdade! É o lobby dos judeus, como também conhecemos o lobby gay!

    Ainda bem que a segurança de Israel não depende de ti. Se dependesse, Israel a esta hora já não existia e 5.5 milhões de judeus estavam no Mediterrâneo. Afinal, Israel não tem com que se preocupar, só viu a sua existência ameaçada por 5 vezes em 60 anos, não sei como alguém poderia imaginar que lhe querem qualquer mal...

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  4. Pronto, Manel, Israel não é nada para os judeus nem significada nada. Existe por obra e graça do espírito santo, porque os árabes foram simpáticos e ofereceram um país, nem tem valores fundamentais nem oferece qualquer protecção especial aos judeus. Claro que não.

    Pois, Israel também não tem diversidade cultural. Aliás, é um vazio de diversidade! O quê? Perguntar se aceitam Israel como "lar dos judeus e estado democrático"? Isso é uma ofensa, que coisa horrível não poder ter nacionalidade israelita porque não se quer nem pretende respeitar os princípios fundamentais do país...

    Ora essa! Devia era dar-se livre passe para todos poderem ser deputados e até fornecerem informações de estado ao Hezbollah e depois fugirem do país. Ou para poderem entrar em Jerusalém com ID israelita e avançar com bulldozers sobre civis judeus. Ou fazer-se explodir em cafés e em autocarros.

    Os Israelitas são uns paranóicos! Com 5 invasões e 2 intifadas em 60 anos, ainda não perceberam que os vizinhos deles os adoram, e quando pedem nacionalidade ou acesso ao país nunca é por mal, só pretendem enriquecer a diversidade cultural de Israel.

    Pensa o que quiseres, Manel. Os israelitas estão-se bem a cagar para ti e para o resto das pobres almas caridosas e chorosas que vivem no pacífico ocidente que publicam textos em blogs em solidariedade com os pobres dos palestinianos que, coitadinhos, só te matavam (ou a qualquer israelita) se entrasses na palestina desprotegido e confessasses a tua fé ou orientação sexual. No que dependesse de vocês, os judeus de Israel já estavam no fundo do mar há muito tempo.

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  5. A história do primeiro oficial Árabe-Israelita das Forças de Defesa de Israel. - http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3968706,00.html

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  6. E se em Portugal obrigassem as pessoas a jurar fidelidade ao "Estado Católico Português"?

    Eu quero acreditar que, neste ponto, a maioria dos israelitas não só não se está a "cagar" para o tipo de opiniões próximas da minha, como atém concordará. Acredito que prezem o seu Estado de Direito Democrático que não se coaduna com este tipo de tentativas de totalizar e teocratizar o estado.

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  7. Please, Manel. Ser judeu é uma etnia; não sei se percebeste que os judeus são um povo. Dizer que Israel é um estado judaico e lar dos judeus diz respeito ao povo judeu e não à religião. Israel foi fundado por judeus seculares, e a maioria dos judeus de Israel não são religiosos. Israel é um país laico, com imensas religiões reconhecidas oficialmente pelo Estado.

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