sábado, 11 de setembro de 2010

Outra vez a "guerra ao terrorismo" ou Nós não esquecemos Allende!




Faz hoje 9 anos que o centro financeiro de Nova Iorque sofreu o mais brutal atentado terrorista numa país desenvolvido. A partir das 9h30 da manhã, dois aviões, previamente desviados por terroristas pertencentes à Al-Qaeda, dois aviões embateram nas duas torres do Wordl Trade Center, provocando um número de mortes superior aos dois milhares. Para assinalar o aniversário da tragédia, Barack Obama proferiu um discurso em que apelou à tolerância religiosa, frisando não ter sido o atentado perpetrado por uma religião (a islâmica), mas sim a supra-citada "agência" terrorista internacional.

Não obstante, Obama não conseguiu afastar-se da retórica belicista que vinha marcando de forma acentuada as administrações de George W. Bush. Apesar de afastada a terminologia da "Guerra ao Terror" e do "Eixo do Mal", é um facto que expressões muitp semelhantes foram empregeues pelo actual PR americano ("Hoje declaramos uma vez mais que nunca lhes concederemos vitória"). As garantias de que, nesta batalha contra o terrorismo, a América "não sacrificará as liberdades que tanto preza, não se esconderá atrás de muros de suspeição e desconfiança e não cederá ao ódio e à intolerância” caem num saco ligeiramente roto, tendo em conta as dificuldades que a adminsitração Obama tem tido em encerrar a prisão de Guantánamo.


No dia de hoje, há 37 anos atrás, deu-se uma das mais vergonhosas intervenções externas americanas. A 11 de Setembro de 1973, a CIA preparou um golpe de estado no Chile que levaria ao derrube (e morte) de Salvador Allende, o Presidente socialista, e NÃO comunista, democraticamente eleito do Chile. Mas esta traição à democracia já toda a gente esqueceu. Mas nós não!!

9 comentários:

  1. O Allende era tão não-comunista que até ordenou a nacionalização de umas quantas empresas estrangeiras a operar no Chile, entre as quais várias americanas...

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  2. Pois...não era comunista, era socialista. Que têm que ver aqui as nacionalizações? A Áriba Saudita também nacionlaizou a produção de petróleo em 1976...Duvido que alguém no seu perfeito juízo possa apelidar o regime saudita de comunista...

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  3. A Arábia Saudita se não o fez por socialismo, fez para ganhar dinheiro para quem tem poder. O Allende, se não nacionalizou as empresas por comunismo, então foi porquê? Se o dinheiro não ia para o povo ia para quem, para ele? Então também não era flor que se cheirasse...

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  4. Ele era socialista, advogava, portanto (e bem, no meu entender, tendo em conta a desigualdade na propriedade dos meios de produção existentes no Chile) o controlo colectivo dos bens (meios de produção). Agora, socialismo e comunismo não são sinónimos (sobretudo o socialismo de Allende que preconizava uma democracia participativa).

    E Allende nunca alinhou, ou alinharia, com a URSS. Mas, mesmo que alinhasse, tal escolha estava sufragada pelo povo que DEMOCRATICAMENTE o elegeu.

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  5. Sim, e os Estados Unidos fizeram um golpe de estado porque gostam, como se fossem burros e não soubessem perfeitamente se ele alinhava com a URSS ou não. Por favor!

    E, já agora, que bom, foi eleito democraticamente! Olha o Hitler também! Ainda bem que os EUA também o atacaram! Talvez se tivessem feito um golpe de estado logo quando foi eleito tivessem morrido menos pessoas...

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  6. Bom, há coisas que pertencem à factualidade histórica e contra as quais não vale a pena debater. Uma delas é que Allende não alinhava a orientação da sua governação com os interesses soviéticos. Isto não tem, sequer, discussão ou dúvida. Allende era terceiro-mundista e rigorosamente não alinhado. Basta ler qualquer coisita do muito que foi escrito sobre o golpe de 1973 para ter acesso a esta factualidade.

    Depois, não admito, sequer, uma comparação entre Allende e Hitler. Em primeiro lugar, toda a campanha de Hitler para a chegada ao poder foi acompanhada de intimidações e coerção de liberdades pessoais. Depois de chegado ao poder, iniciou uma política ofensiva, expansionista e de morticínio da própria população alemã. Coisas que Allende não pôs, como bem se sabe, em prática.

    A comparação é, assim, não só tonta, como extremamente ofensiva.

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  7. Achas que sabes mais do que os serviços de espionagem da CIA da época? Julgas que eles não sabiam se ele alinhava ou não, mais do que toda a gente de fora sabia ou sabe agora? Ele era socialista, socialista ao ponto de pretender nacionalizar todas as empresas estrangeiras que operavam sobre recursos chilenos, estava muito mais propenso a alinhar pela URSS, bastava faltar dinheiro ou apoios que ia logo a correr pedir apoio aos soviéticos como fizeram as milícias nas várias guerras civis africanas, em troca de ameaças de se alinhar com os EUA e com cedências de territórios e bases para os soviéticos usarem, e é claro que os EUA sabiam de tudo isso, e estavam plenamente informados sobre as possibilidade de isso vir a acontecer.

    A campanha de Hitler e sua chegada ao poder foi baseada no populismo e nos jogos políticos que lhe garantiram tanto os votos como a popularidade suficientes para chegar ao poder, ele foi democraticamente eleito, foi para o lugar que foi porque os alemães efectivamente quiseram que ele fosse para lá.

    A comparação com Hitler tem como objectivo desprovar o teu argumento de treta de que Allende podia alinhar com quem quisesse e ter as posições que quisesse de forma legítima porque foi democraticamente eleito. Ora isso foi exactamente o que Hitler fez. E não foi por isso que passou a ser o inocente da História nem que outros deixaram de intervir.

    E tonta é a tua invocação do golpe de estado a Allende associada ao 11 de Setembro, o já famoso "estavam mesmo a pedi-las!", aqui numa versão mais pseudo-intelectual do tipo "eu nem queria dizer isto, até foi mau morrer tanta gente, mas dado o assassinato do Salvador Allende, eles estavam mesmo a pedi-las!".

    É certo que os chilenos não mereciam um ditador no poder tal como é certo também que os EUA têm o direito de se defender seja perante uma potência nuclear hostil e seus aliados ideológicos seja perante organizações terroristas abrigadas em países onde os habitantes saltam, cantam e gritam de alegria quando 3000 civis são barbaramente assassinados.

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  8. Olha, faz um post sobre a deportação dos ciganos e sobre a intervenção da Viviane Reding (adoro essa mulher!), que é um tema interessante, polémico e onde eu posso concordar contigo =P ;)

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  9. Bom, em primeiro lugar, basta ler a História da Cia do Tim Weiner, ou qualquer obra do John Stockwell para nos apercebermos que a CIA estava muito longe de estar bem informada, a nível político, sobre aquilo que se passava, ou se iria passar, nos países onde actuava. A confirmar esta realidade está o facto de não terem previsto o 25 de Abril, nem saberem, tão-pouco, quem eram os líderes, o que pretendiam, etc.

    Por outro lado, a CIA não é um órgão de decisão política. Cumpre aquilo que lhe é ordenado pelo Presidente e Secretário de Estado, na altura Nixon e Kissinger (para quem já leu alguma coisa sobre os dois, qualquer comentário adicional meu será desnecessário).

    Na questão da eleição "democrática" de Hitler, a verdade é que a sua política de extermínio e de guerra de conquista não foi sufragada pelo povo. Cai, assim, por terra o teu argument. (E desprovar é um termo inexistente em português).

    O golpe de Pinochet aparece num artigo sobre o 11 de Setembro pela simples razão de que se deu no dia 11 de Setembro de 1973. Deixou, contudo, de ser lembrado por causa dos acontecimentos mais recentes de 11 de Setembro de 2001.

    Não comento a insinuação de que eu possa estar satisfeito com a morte de milhares de cidadãos inocentes. Acho-a, perdoa-me, completamente absurda e desnecessária.

    A questão aqui, penso, é que tu não compreendes bem as diferenças entre socialismo e comunismo e entre terceiro-mundismo e orientação pró-soviética (na política externa). Confundes tudo, um pouco como H. Kissinger, curiosamente.

    Por fim, acerca do direito de defesa dos Estados Unidos, trata-se de uma questão que "dá pano para mangas". Todavia, no caso concreto, o Chile não era, nem de longe, nem de perto, uma potência hostil. Infelizmente situava-se na área do globo que os americanos consideravam sua propriedade particular (doutrina Monroe: a América para os Americanos). É que a França, e Portugal, por exemplo, tambénm nacionalizaram empresas americanas (na mesma altura) e não vimos a CIA a apoiar a instauração de ditaduras fascistas.

    PS: sobre os ciganos ostava de escrever, sim, mas quando tiver mais a dizer para além do óbvio.

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