quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Leonor Beleza e a incúria na destruição de uma carreira.




Leonor Beleza poderia ter sido a mulher mais poderosa deste país. Secretária de estado da Presidência do Conselho de Ministros entre 1982 e 1983, secretária de estado da Segurança Social (1983-1985) e ministra da Saúde (1985-1990), a ascensão política de Leonor Beleza parecia imparável. A inteligente jurista tinha tudo para se manter no segundo governo maioritário de Cavaco Silva (eventualmente noutro posto que não na Saúde, onde era já vista de forma extremamente negativa por grande parte da classe médica) e para, no futuro, atacar os mais altos cargos governativos.


Poderia, perfeitamente, no terceiro governo liderado por Cavaco Silva ter assumido um Ministério como o da Justiça. Seria com relativa facilidade que, passados os anos de Durão Barroso (ou mesmo antes), ascenderia à Presidência do PSD para, chegada aí, se catapultar para o cargo de primeira-ministra (onde teria muitíssimo mais possibilidades de chegar do que teve Manuela Ferreira Leite).


Nada disto aconteceu. Em 1990 abandonou as funções governativas, para nunca mais as vir a desempenhar. Continuou como deputada à Assembleia da República e foi assumindo posições com algum relevo dentro do seu partido. nunca, todavia, aquelas para as quais vinha a ser talhada (e que, certamente, gostaria de ter assumido). E tudo isto porquê?


A explicação encontra-se no facto de, durante o seu consulado como ministra da Saúde, ter mais de uma centena de hemofílicos sido contaminada com o virus da sida através de sangue importado, no seio de um processo onde a verdadeira responsabilidade de Leonor Beleza nunca foi apurada. Num primeiro julgamento, o Tribunal considerou ter a governante violado "deveres de cuidado", não conseguindo, todavia, encontrar provas suficientes para sustentar a condenação. O Ministério Público recorreu da decisão, tendo os arguidos recorrido ao Tribunal Constitucional, o que levou à prescrição do processo.


Assim, Leonor Beleza acabou por nunca sair completamente incólume de toda esta história, subsistindo, até hoje, dúvidas acerca da sua inocência. Não é de estranhar, portanto, que as duas palavras que apareçam, em primeiro lugar, no Google associadas a estapersonalidade sejam "sida" e "sangue contaminado". E assim se destruiu, por incúria e completo desleixo, uma carreira política de grande sucesso.

2 comentários:

  1. Detesto-a, essa assassina.

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  2. Assassina é talvez uma palavra algo forte, mas, sim, seria bom ver a verdade esclarecida no que toca a este assunto...

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