quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Fascismo, não passará!




Hoje, a Comissão Europeia recuou na iniciativa de avançar com um processo por discriminação (dos ciganos búlgaros e romenos) sobre a França. Como sempre, nos assuntos em que a Alemanha não tem grande interesse numa actuação forte da UE, as instituições comunitárias falham em impor o cumprimento das directivas europeias aos estados-membros. (Coisa muito diferente se passa nos mecanismos reguladores da moeda única ou do endividamento orlamental).

A comissária europeia da Justiça e dos Direitos Humanos, Viviane Reding, também havia recuado na comparação que estabeleceu entre as políticas de Sarkozy e os acontecimentos de perseguição de judeus (e outras minoriais étnicas, culturais, sexuais e religiosas) no período da II Guerra Mundial.

Considero inaceitável o primeiro recuo da Comissão Europeia, mas bem o percebo. Os restantes "grandes" europeus (Alemanha, Itália, Espanha, e, menos, a Inglaterra) têm, também, inúmeros problemas com o "excesso" de imigração (legal e ilegal). Não querem, assim, ser demasiado duros nas sanções a aplicar a um país incumpridor, na medida em que não sabem que medidas restritivas da livre circulação de pessoas terão de aplicar no futuro.

Quanto à acusação da Sra. Reding, não podia estar mais de acordo. Este tipo de injustiças lembra-me sempre do poema de Brecht que mantenho na margem direita destas páginas. A atitude despreocupada que encarnamos em relação às discriminações que atingem os nossos semelhantes retira-nos a protecção contra possíveis arbitrariedades. "Como eu não me importei com ninguém/ Ninguém se importa comigo".

A perseguição à comunidade judaica no seio do III Reich também não começou, como sabemos, pela deportação e assassínio em massa. Depois dos acontecimentos da "Noite de Cristal", certamente que Hitler também se indignaria se o comparassem aos sultões otomanos que ordenaram o extermínio de milhares de arménios durante a I Guerra Mundial (e a maioria da Europa concordaria com Hitler, afinal não "tinha sido assim tao grave", ainda). E, depois, vimos quais foram as consequencias advindas de tais práticas.

Hoje são so ciganos, amanhã os mendigos e os toxicodependentes, depois as prostitutas, em seguida os imigrantes africanos e, por fim, sou eu. Podemos aceitar isto?

4 comentários:

  1. Eu concordo a 100% com o homem,e também faria o mesmo. Os ciganos não fazem NADA, só prejudicam e roubam.

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  2. O Gonçalo viu essa conclusão nalgum estudo ou é mesmo só convicção pessoal?

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  3. Deve ser um estudo da conceituada Universidade da 3ª Idade de Cruz-Quebrada/Dafundo, uma prestigiadíssima instituição. lolol

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  4. A comunidade cigana, principalmente a que já está em adaptação na sociedade portuguesa à uns anos, tem um grande defeito ou impedimento de inserção, é a cultura impenetrável, ou seja os habitos culturais não são os melhores (a nivel educacional), mas felizmente isso está a mudar e espero que daqui a uns anos, tudo esteja bem melhor e mais integrados e mais humildes, porque verdade seja dita, muitos (demais) abusam dos direitos e esquecem-se dos deveres não é preciso muito mais que um contacto com quem habita perto de um acampamento ou bairro de ciganos e é este medo que as pessoas têm pelos ciganos de leste, é que sejam assim e que façam o que muitos dos ciganos que habitam em Portugal fazem. Mas lá está uma lufada de ar fresco está a emergir resultado da sua inserção (que apesar de não achar a mais justa, está a ter frutos) e espere-mos que todos estes ciganos de leste que chegam a Portugal e que imigram para toda a Europa sigam os melhores exemplos de outros, para que a sua vida seja melhor e longe da discriminação e que finalmente se possa olhar para os ciganos como pessoas honestas, humildes e trabalhadoras (no geral) e não como ladrões, desonestos e desordeiros.

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