quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Avé de Fátima, um hino gay?!







E aqui vai a história da, provavelmente, mais conhecida música religiosa (popular) portuguesa: o Avé de Fátima ("A 13 de Maio na Cova da Iria apareceu brilhando a Virgem Maria..."). A letra da referida música roça muitas vezes (ou afunda-se mesmo) o piroso. Ainda assim, admitamos, fica no ouvido e duvido que exista algum português que não saiba, pelo menos, entoar a primeira estrofe.




O que, muito provavelmente, muito poucos saberão é que tão singela poema é da autoria de um dos primeiros homossexuais assumidos portugueses. Pois é, a letra do hino do 13 de Maio foi composta por António Botto (1897 - 1959) que, após a perseguição a que foi sujeito pelo regime do Estado Novo que culminou na sua exoneração das funções públicas que exercia, terá exclamado: "Sou o único homossexual reconhecido no país".




Esta informação será, com certeza, do desconhecimento do país beato que com tanta fé entoa o cântico oferecido por Botto (um católico fervoroso) ao Cardeal Cerejeira (então patriarca de Lisboa) por ocasião das comemorações marianas. Ficam, agora, aqui, a saber que quando o fazem homenageiam um homossexual assumidíssimo, que não tinha vergonha daquilo que era, que se orgulhava da sua sexualidade.




Afinal, o autor do mais conhecido hino nacional de culto a Maria (mãe de Deus) é exactamente aquele que a Igreja (e seus consortes no seio da população) estigmatiza e ostraciza, o homossexual, o pecador que não deseja expiar as suas supostas faltas. Sem saber e sem querer, a tradicionalíssima hierarquia católica portuguesa deu, ainda nos anos 50, um importante passo na aceitação da homossexualidade no seu seio, ao aceitar a criação de um homossexual católico assumido.




Lembrem-se todas as beatas e os ratos de todas as sacristias d'este mui pio país que enquanto o Avé de Fátima se ouvir no respectivo Santuário, a homenagem à homossexualidade e às suas criações não poderá ser calada e ecoará a partir do núcleo religioso fundamental deste país.

7 comentários:

  1. Obrigado! Estão à-vontade para divulgar o meu blog. ; )

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  2. De onde retiraste essa informação?

    Não quero de forma alguma pôr em causa as tuas palavras, mas estive a pesquisar e, de facto, confirma-se que António Botto foi um católico ferveroso e que, inclusivé, escreveu o livro "Fátima - Poema do Mundo". Será este livro que contém parte do tão famoso hino?

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  3. A informação foi retirada de uma belíssima obra de investigação jornalística recentemente lançada por São José Almeida intitulada "Homossexuais no Estado Novo".

    Não sei se o "Avé de Fátima" constará da obra que refere, na medida em que foi oferecido, pessoalmente, pelo autor ao Cardeal Cerejeira.

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  4. Se calhar é melhor ir-se catar...
    Afirmar que o facto de o poema ter sido feito por um gay, é uma homenagem a todos os gay's sempre que se canta... parece-me xenofobia, no mínimo curto de vista, como quem diz míope de inteligência. É uma completa parvalheira o que refere, sem pés nem cabeça, muito mais piroso que o piroso que chama.
    Os gays não podem criar? Tem alguma coisa contra o que eles criam? O lago dos Cisnes de Tchikovky é um hino aos gays? ... mas ele era homossexual.
    é um preconceituoso da treta.
    O hino não vale por si? o que diz não será antes um insulto aos milhões de pessoas que o cantam, e nem sabem quem o fez, nem quem era António Botto, e nem estão interessados em saber quem foi?
    repito, vá-se catar que deve é ter pulgas... e já chegaram ao cérebro!!!

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  5. Caro anónimo,

    Normalmente, não preciso de me catar, que não há problema de pele que um banhinho diário não vá resolvendo ;).

    Os gays podem criar, e criam muito, é óbvio e eu não tenho nada contra aquilo que criam, muito pelo contrário.

    Do que aqui se trata é de um homem que, muito recentemente, foi vítima das mais vis perseguições por parte, designadamente, de uma instituição de que era fervoroso seguidor: a Igreja Católica.

    O hino não vale por si, porque é de uma piroseira insuportável. Vale, e tem interesse, em meu entender, exactamente, por ser cantado por todo o povo analfabeto deste país e ter sido escrito por um cidadão perseguido, provavelmente numa das muitas noites de ostracismo.

    Finalmente, não considero que isto seja um insulto ao punhado de pessoas que canta e sente o hino de Fátima, na medida em que a canção foi escrita por um homossexual que não se escondia, um homem corajoso, António Botto. E isto é, simplesmente, factual...

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  6. Sempre que lá vou, como eles me agarram nas orelhas, para os mamar nos chichis, com a mulher lá fora, a tal rapidinha d despedida e do lencinho branco, nunca ouvi o hino. Está em DVD? :-)

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