segunda-feira, 21 de junho de 2010

Por que é que eu fui à XI Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa.




Eu já tive uma má opinião acerca das marchas do orgulho gay. Em primeiro lugar porque não compreendia o conceito de orgulho aplicado a esta situação. Orgulho em se ser homossexual. Há dois anos nada me parecia mais idiota. Que sentido fazia? E se havia o orgulho gay, porque não a manifestação de um orgulho heterossexual? Afinal, não somos "todos iguais"? Não merecemos todos o mesmo tipo de tratamento, de respeito, de consideração? Então porquê individualizar? Por que não fazer apenas uma marcha anti-discriminação?


Depois, em 2008 (creio eu) "aproximei-me" da Rede Ex Aequo (uma associação de jovens - alguns já não tão jovens quanto isso - LGBT's) e, mais importante, juntei-me à Amnistia Internacional em Fevereiro de 2009, inicialmente porque necessitava de uma experiência de voluntariado para concluir uma cadeira da faculdade, e depois, porque me identifiquei muitíssimo com a maneira e com a perspectiva que seguiam na defesa dos direitos humanos. Principiei por contribuir para a reactivação da ReAJ (Rede de Acção Jovem da AI - Portugal) da qual fui o primeiro Secretário. Todavia, logo que soube que já havia existido um grupo de trabalho sobre questões LGBT na secção portuguesa da AI, procurei imeditamente saber de que forma seria possível reactivá-lo.



Era necessário angariar pessoas interessadas na causa da defesa dos direitos LGBT's enquanto direitos humanos. Fiz essa recolha e apresentei-a à direcção da Amnistia Internacional nas vésperas da X Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa. Punha-se então a questão: a AI deveria participar (como aliás já tinha feito em anos anteriores) ou não? Eu, que era coordenador do "ressuscitado" grupo, deixar-me-ia levar pelo preconceito, ou compreenderia que o melhor era experimentar, levar o núcleo a uma manifestação que todos aqueles activistas dos direitos humanos que me rodeavam consideravam digna e meritória e ver pelos meus próprios olhos.



O Núcleo LGBT da Amnistia Internacional decidiu participar e, durante a Marcha eu compreendi o que era o Orgulho LGBT e o que significava estar ali a lutar pela liberdade de expressão de manifestações minoritárias, mas não emnos dignas, de amor. Este sentimento saiu fortemente reforçado quando participei, já este ano, no início de Maio, na dificílima Marcha do Orgulho Gay dos países bálticos - Estónia, Letónia e Lituânia (o Baltic Pride). Ver a força daquelas pessoas, profundamente magoadas, humilhadas, desrespeitadas pelo seu Estado como eu nunca tinha visto acontecer em Portugal fez-me compreender que o nosso esforço em Portugal não chega a 1/10 do daqueles activistas.



E então empenhei-me mais na marcha lisboeta do Orgulho Gay. A Amnistia Internacional participou na Comissão Executiva e decidiu usar da palavra no momento final dos discrusos. (E calhou-me a fava). Optei por alertar para a violação mais bárbara dos direitos mais básicos a que o ser humano deveria ter direito com que inúmeros estados por esse mundo fora (mas sobretudo no mundo islâmico) respondem à homossexualidade: 80 países ainda a proíbem e 7 (todos de inspiraçao islâmica) condenam os homossexuais à pena de morte. Espero tê-lo conseguido...

6 comentários:

  1. Parabéns!

    Por acaso não há nenhum vídeo disponível do teu discurso?

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  2. Obrigado!
    = )

    O PortugalGay.pt filmou os discrusos e estão disponíveis aqui: http://www.youtube.com/watch?v=U81HUojUmFI&feature=player_embedded

    ***

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  3. Eu sei que se deram ao trabalho de ir a uma manifestação mas não deixam de ser portugueses: Ninguém quer saber da Arábia Saudita :|

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  4. Eu quero acreditar que os gays e lésbicas portugueses que já sofreram algum tipo de discriminação no nosso país empatizam e preocupam-se com os tratamentos cruéis e degradantes a que são sujeitos LGBT's por esse mundo fora. Até porque, seguindo M. L. King, só poderemos ser verdadeiramente livres quando formos todos livres.

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  5. Vão me desculpar, mas qual é o orgulho em se ser um doente? Eu tenho orgulho em ser uma pessoa normal.

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  6. para Armageddon:
    voçê normal não é, porque todos são normais, nascem da mesma maneira: nus, mais ou menos completos, c/ cabeça, tronco e membros, cerebro e respirando, e morremos c/ aquilo que trouxemos (adivinhe); agora sobre as escolhas de cada um compete a si mesmo, desde que tal ñ colida com o(a) outro(a), a discriminação, de qualquer tipo, é que não é normal, como não é a violência, o fanatismo, as perturbações mentais, a ignorância, o egoísmo. o planeta é tão grande e parece ñ haver lugar p/ todos...que absurdo. a intolerância foi inventada pelo homem não por Deus (energia, entidade, força, há varios nomes...).

    Hugo Ene
    não homossexual

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