quarta-feira, 16 de junho de 2010

O orgulho gay.




Começam no próximo dia 19 (Sábado, com a Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa) as comemorações nacionais do Orgulho LGBT (que se prolongarão até 10 de Julho com a Marcha do Orgulho LGBT do Porto). É, assim, uma altura propícia para tratar este tema do Orgulho LGBT

(Eu prefiriria chamar à coisa Orgulho Gay e usar, como, de uma forma relativamente corrente, fazem nos países anglo-saxónicos (ou mesmo no Brasil, por exemplo), a expressão Gay como um chapéu para abranger toda a diversidade sexual/ de identidade de género minoritárias, em vez de andarmos para aqui a criar uma série de siglas que já ninguém entende: GLS, LGBT, LGBTQ, LGBTQA, LGBTQI. Há alguém que decifre todos estes conjuntos de letras sem recorrer ao google? E este tipo de complexificação das identidades sexuais/ de género só funcionam como forma de afastar uma enorme parte das minorias sexuais. Perdemos, então, aqueles que não compreendem esta terminologia e os embróglios de uma luta que também lhes deveria pertencer. O resultado de tudo isto é que a maioria dos activistas LGBTs portugueses têm uma formação académica mínima ao nível da licenciatura, tirando o caso, talvez, daqueles que compõem o colectivo Panteras Rosa. Os resultados são negativos, mas não é este o momento para sobre os mesmos divagar mais longamente, na medida em que o aparte já vai longo).



O orgulho gay (ou LGBT) é um sentimento com uma carga positiva, digamos, diminuta. É um sentimento que aparece com uma vertente de oposição mais marcada. Oposição à vergonha anteriormente sentida, à humilhação, ao desrespeito, ao nojo, à indiferença, ao desprezo sofridos, à vontade de mudar, à imposição da sociedade para que o comportamento seja outro. Não é um sentimento que se afirme pela positiva, na medida em que, por si só, não faz grande sentido que uma pessoa afirme ter orgulho em ser homossexual, tal como, por exemplo, não fará muito sentido que uma pessoa com uma deficiência física fale de orgulho por essa condição.


Aqui o sentimento de orgulho é criado pela discriminação e pretende ser um estádio avançado, mas não o final (em que a pessoa se sente tão bem com ela própria, tão merecedora de igual respeito, tão equivalente às outras, que o orgulho deixa de fazer sentido), no qual qual uma pessoa se sente suficientemente bem com o facto de ser gay (ou lésbica, ou transexual, ou o que quer que seja) que deixa de permitir que lhe faltem ao respeito (a si ou a outros da mesma "condição), aceita a sua diferença, luta pela sua aceitação, expressa a sua verdadeira maneira de ser, etc. Assim, embora com ligeiras diferenças, porque nos casos das minorias étnicas podem existir certos saberes e artes que possibilitem a vertente positiva de um sentimento de orgulho, o orgulho gay (gay pride) se filia numa série de outras "manifestações" anti-discriminatórias de que o Orgulho Negro (Black Pride) foi (e ainda é), talvez, aquela mais forte.


É por todas estas razões que não faz sentido falar de um orgulho hetero (ou de um orgulho branco, sendo que aqui o white pride tem mesmo uma conutação extremamente negativa de xenofobia e racismo). Ser heterossexual é o "normal", o habitual e o esperado de um determinado ser humano (genericamente na sociedade actual). Uma pessoa heterossexual não é, habitualmente, vítima de discriminação e, assim, não existindo nada de intrinsecamente positivo no facto de se ser heterossexual, a heterossexualidade não pode sustentar nenhum sentimento de orgulho que não seja homófobo e discriminatório (como o era aí uma certa campanha de uma cerveja de terceira categoria).


Não sei, exactamente, o que pensam sobre o assunto, mas agora era interessante que o punhado daqueles que me lêem se pronunciasse Concordam, discordam? Apoiam as manifestações deste orgulho? (= )). E a Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa é já este Sábado. Estão a pensar aparecer?

2 comentários:

  1. Eu concordo, apoio, e vou a Lisboa e levo o meu namorado (ou leva-me ele a mim!). Vamos representar o Centro e o Norte do país =p lol

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