quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Eu não vendo o corpo, alugo!"




Depois do casamento gay, a nossa pequena oomunidade nacional, a que alguns ainda insistem chamar de Estado, está pronta para discutir outra "questão fracturante". Eu achava mais premente que se discutisse a legalização da eutanásia. Seria muito complicado. A morte (afinal a coisa mais natural e a única certeza que temos na vida) é o derradeiro tabu, maior do que o sexo, e toda a gente tem medo que aquelas famílias que, hoje, despacham os seus idosos para uma qualquer casa da morte (vulgo lares de idosos) e passem a despachá-los directamente para a cova. A mim, nada disto me assusta. Se eu não me encontrar em condições de resistir à decisão da minha família, se a tiver, de me eutanasiar, então é porque, efectivamente, já tinmha "chegado a minha hora".

Todavia, a dita "questão fracturante" que está a ter mais saída no momento, parece-me, é a legalização da prostituição. É de elementar justiça. A que propósito é que "a mais antiga profissão do mundo" (que nem sequer é, mas isso não interessa, tem uma antiguidade suficiente para todos percebermos que não é possível acabar com a mesma e que nem sequer é justo) continua a ser praticada nas mais indignas condições? O que difere, afinal, a prostituição de uma qualquer outra profissão? Quando faço esta pergunta, questionam-me sobre se eu gostava de ser prostituto (ou puto, no Brasil). Respondo que não, e acrescento, mas também não gostava de ser trolha, homem do lixo, empregado de limpeza, médico, técnico de informática, empregado numa funerária, pescador ou vendedor de automóveis.

Claro que a classe conservadora portuguesa vai, novamente, lutar com todas as forças contra mais este avanço civilizacional no nosso país. Afinal, depois, onde vai, às escondidas, o "pai de família" que afinal, de quando em vez até gosta de "dar umas voltinhas" com um rapazinho, ou a mãe que tem vergonha de praticar sexo anal com o marido (porque é pecado)? Tudo às claras, em casas com condições, com recibo passado depois do acto...Não pode ser.

A relação das autoridades nacionais com a prostituição sempre foi da maior hipocrisia. Nunca (nem nos tempos da "outra senhora") se perseguiu de forma contundente esta prática. Sempre tolerada, mas sempre discriminada. Agora, prostitutas e prostitutos começam a sair do armário. E quem pensa que poderá voltar a metê-los no "devido lugar", numa qualquer rua suja perto do Conde Redondo ou da Almirante Reis, já devia, depois de observar a luta LGBT neste país, perceber que já não consegue.

Apesar de fraquinho, aqui fica a ligação para um artigo do Público.

1 comentário:

  1. Manel
    concordo contigo sobre as grandes questões da eutanásia e da profissionalização da prostituição, e já agora da legalização das drogas leves, há uma hipócrisia à volta destes assuntos que existem paralelamente com o legalizado (exemplos: a industria farmaceutica é poderosa e não gosta da ideia da eutanásia que pode retirar-lhe clientes; a prostituição está ligada a pessoas poderosas e ricas, fazendo lembrar a pedofilia, que, esta sim, é abominável; algumas drogas como o álcool e o tabaco e os medicamentos são legais); era mais um passo a favor da(s) liberdade(s) mas a igreja, ainda, tem um peso muito forte na mente da maioria das pessoas, talvez com as novas gerações como tu se consiga algo...

    Hugo Ene

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