sexta-feira, 25 de junho de 2010

Da jaula para a prisão?




Tenho para mim (como quase certo) que a maioria das pessoas não aprecia por aí além a liberdade. A liberdade que advém da quebra de todos os constrangimentos sociais, culturais, económicos, políticos, etc (ou pelo menos de uma maioria substancial), na mdeida em que os impedimentos naturais não são passíveis de ser ultrapassados. A população LGBT não difere, neste ponto, dos restantes membros da sociedade, apesar de serem recorrentemente apelidada de libertária e libertina (empregando sempre as expressões fora do seu significado correcto). A questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo (CPMS) (uma conquista que me divide todos os dias) retrata bem aquilo que se disse.


Longe de lutarem por uma mais ampla liberdade sexual (ou afectiva, ou amorosa, ou de qualquer outra natureza sentimental, digamos), o que os movimentos LGBT portugueses mainstream têm procurado fazer é combater pela inserção de gays, lésbicas e etcs, nas categorias heterossexuais preexistentes (o namoro monogâmico, a união de facto monogâmica, o casamento monogâmico, etc). Não digo que estas reivindicações não sejam justas, dignas e necessárias. Agora, tem-se alienado uma componente de combate que me parece extremamente importante: a luta por uma liberdade sexual mais ampla.


Tem sido com base neste tipo de luta "heterossexualizada" e, mais, normativizada (socialmente) que se tem baseado grande parte do activismo LGBT (a maior parte das vezes com a maior justiça e razão, entenda-se, e com o meu total apoio). Tem, contudo, existido um certo desconforto em relação a certos movimentos que reivindicam uma liberdade sexual mais plena (nomeadamente os poliamorosos), o que me parece negativo, na medida em que sabemos que a quebra de todos os constrangimentos sociais no que concerne ao sexo, levaria a que fossem atingidas todas as metas desejadas por qualquer movimento LGBT.


Assim, nesta questão do casamento, cumpre apenas perguntar se não estamos a passar de uma violação menor da nossa liberdade para uma mais geral/global...Se não estamos, somente, a passar da jaula para a prisão?

3 comentários:

  1. caro Manel
    concordo com o tudo escrito, com uma excepção: a liberdade é, para mim, também um conjunto de escolhas e não se deve restringi-las a ninguem, por isso a escolha de se puder casar com alguem do mesmo sexo deve ser possivel senão haverá discriminação e eu sou contra todo o tipo da mesma, por isso nessa questão discordo; a questão do poliamor é deveras interessante e deve, também ser banida das discriminações.

    Hugo Ene

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  2. Hugo,

    Eu concordo consigo. Não considero de menor importância o alargamento do casamento a casais do mesmo sexo. Agora, acho é que a luta tem sido mal dirigida, está muito "heteronormativizada"...quando a questão é muito mais ampla. Trata-se de liberdade sexual, plena, em todos os seus quadrantes...

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  3. Manel
    parece que afinal interpretei mal o texto, no inicio. estamos ambos de acordos.
    um abrço

    Hugo Ene

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