domingo, 13 de junho de 2010

Cunhal e a democracia portuguesa.




Hoje, para além do dia de S. António (com tantas datas importantes para a cidade, tinham de escolher para feriado municipal a de um Santo que, afinal, nem dirá, actualmente, grande coisa à maioria dos lisboetas...mas adiante) "comemoram-se" os 5 anos da morte de Álvaro Cunhal. Nos últimos tempos, sobretudo por parte duma direita fascista, mas que logo de democrata se travestiu no Portugal pós-Revolução dos Cravos, tem estado na moda celebrar o 25 de Novembro de 1975, quando a direita, com o Partido Socialista encabeçando o movimento, amordaçou uma revolução que supostamente se transviava do objectivo inicial e se tornava anto-democrática.


Tenta-se, desta forma, diminuir a importância crucial do Partido Comunista para a instauração (e mesmo consolidação) da democracia portuguesa. E a importância de Álvaro Cunhl nesse processo. É certo que a forma como foi feita a revolução portuguesa (um golpe militar pacífico) não era do gosto dos comunistas que preferiam um levantamento popular, na medida em que, logicamente, desconfiavam dos militares - afinal, tinham sido estes que haviam instaurado a ditadura. Não é, todavia, menos verdade que o PCP era, nas vésperas do 25 de Abril, o único partido organizado e com implantação nacional (tirando, obviamente, a União Nacional, depois ANP). Contribuiu, assim, de forma muito importante para a politização (obviamente necessária) de um "Movimento dos Capitães" que via em Melo Antunes um dos poucos membros com uma consciência política mais elaborada.


Não se pode, obviamente, afirmar que Álvaro Cunhal queria a implantação de uma democracia em moldes liberais (aquilo de que o regime português actual é uma sombra difusa, mas que vê como modelo). As ideias do então líder comunista para o nosso pequeno país envolviam a constituição de um sistema muito próximo daquele dominante na "Europa de leste". Obviamente que a ideia era irrealizável, mas foi muitíssimo utilizada pelos partidos de direita (novamente com os socialistas à cabeça) para criar o medo da tomada do poder pelos "vermelhos".


Ainda assim, o período revolucionário português implementou (a mando do PCP e do seu líder, Cunhal), pelo menos, duas medidas importantíssimas, muitíssimo necessárias e da mais básica justiça social: a Reforma Agrária e a nacionalização dos monopólios económicos mantidos pelo sistema fascista e aque coagiam o desenvolvimento do país. Eu sou um crítico acérrimo do PCP, mas também sei reconhecer que não é por acaso que é um dos partidos comunistas mais poderosos do mundo e tem uma influência enorme na política nacional (que ultrapassa em muito a percentagem de votos nas eleições nacionais).

4 comentários:

  1. Comunista de um raio.

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  2. Mas , olha, vale muito mais do que estes sócrates e passos coelhos. Muito mais!

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  3. O PCP e o traidor do Cunhal, são democratas? Essa deve ser para rir. O PCP sempre defendeu na verdade um regime totalitário comunista, apesar de forma hipócrita sempre ter dito que era defendor da "democracia".

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  4. para Armageddon:
    o Cunhal foi traidor?, não sabia...mas isso não importa, foi coerente c/ as suas convicções até ao fim ou seja nunca alterou o pensamento, não desenvolveu, não progrediu, não alterou, era então de uma teimosia atroz ou de confiança cega num sistema que se revelou s/ futuro, como todas as ditaduras teve um fim, aqui concordo consigo que o totalitarismo, seja comunista ou não, é o oposto da democracia; um belo retrato disto é o livro: "o triunfo dos porcos" de G. Orwell, aconselho.

    Hugo Ene

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