domingo, 23 de maio de 2010

A "mãe natureza".




Nas cerca de 24 horas em que estive retido nos aeroportos de Londres à conta da nuvem de cinzas do vulcão islandês, nos intervalos em que não me andava queixando das carradas de trabalho que me esperavam em Lisboa e do facto de isso me impedir de poder aproveitar aquele contratempo para visitar a cidade, dei por mim a pensar na extrema limitação do homem em relação à “mãe-natureza”.

Ali estava eu, um membro da espécie mais evoluída que este planeta já conheceu, que domina os espaços terrestres, os mares e os ares, que utiliza todas os outros animais como bem lhe apetece, que cria vida a partir do nada, que constrói, que destrói, que manipula, que imita Deus, completamente desamparado, porque um mero vulcão, num país de que só se ouvia falar por causa do frio e da primeira bancarrota estatal num “país desenvolvido” “decidiu” expelir uma tal quantidade de cinzas vulcânicas que obrigava ao encerramento de espaços aéreos nacionais por toda a Europa. “Como é possível que não se tenha uma solução para isto?”, pensava, praguejando contra todo o tipo de profissões que pudessem ter um mínimo de ligação à engenharia aeronáutica.

Hoje, ao ler um artigo (num Público de há já dois ou três dias - que eu, quando dou 1 euro por um jornal, conservo-o religiosamente até o ter lido de fio a pavio, como se de um livro se tratasse) sobre a escassez alimentar neste nosso planeta, fiquei a saber que as reservas de cereais que acumulamos chegam, somente, para algumas semanas. Assim, conclui eu, sem esconder uma certa nota de pânico mental, se algum cataclismo natural fizer com que as planícies norte-americanas, ucranianas, argentinas e de todos os outros locais do mundo especialmente dedicados à produção/exportação se tornem, num ciclo de colheitas, improdutivas, uma grande parte da população mundial morrerá à fome, e não apenas em África, onde achamos que o atraso tecnológico é que é o causador da subjugação daqueles povos às condições meteorológicas.

O homem vem, há séculos, a remar contra a natureza, sem se aperceber do facto de por ela ser dominado. Pertencemos-lhe enquanto parte integrante e, afinal, a nossa inteligência será sempre diminuta para controlar os seus mais destrutivos cataclismos e imitar as suas criações mais singelas.

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