terça-feira, 11 de maio de 2010

Do papel do Amor na destruição da Igreja.




Hoje, o sucessor do Papa-Fátima, Bento XVI, rezou a sua primeira missa em Portugal. Confesso que me sinto bastante envergonhado (para não dizer quase enojado) pela forma quase fanática como milhares de portugueses seguem os ditames sem qualquer tipo de questionamento, sem qualquer exercício depensamento, sem qualquer consciência crítica, aceitam tudo, sem substância encefálica posta à prova, sem considerarem consequências de levianamente levarem a sério pessoas que não pensam, não vivem e não enfrentam a mesma realidade que todos nós.


Cristo foi uma homem extremamente avançado para o seu tempo, um revolucionário mesmo (do género daqueles que a Igreja queimou em mui santas fogueiras ou mandou fuzilar, ou atacou violentamente quando se tornou absolutamente obsoleta a "purificação" pelo fogo). Se Cristo voltasse à Terra, não iria, certamente, viver para o Vaticano. Em 33 anos de vida neste mundo nunca preferiu o lado do poder, mas o dos subjugados sociais, movimentou-se sempre nos elos mais fracos e nunca nas mais altas esferas.


Não estaria, nunca, junto daqueles que apanharam, hoje, o comboio (no Estoril) para ver o Papa porque era impossível estacionar o Jipe de 250.000 euros ou fazer o chauffer atravessar as barreiras policiais em Lisboa, mas perto dos que perderam os transportes para um emprego precário porque um país laico concedeu um "feriado" para que se fosse prestar homenagem a um líder religioso (que vá-se lá saber porquê tem direito a governar, também, um Estado soberano). Viveria, contudo, junto dos portadores de HIV, dos homossexuais, das prostitutas, dos desempregados, dos sem-abrigo.


Não teria, nunca, a coragem de condenar um relacionamento homossexual, porque a sua linguagem sempre foi a do Amor. Nunca estabeleceu limites ou critérios para a maneira como esse amor deveria ser exercido, nem nunca se ouviu da sua boca uma palavra limitativa de qualquer prática sexual. Nada, só pregava a Paz e o Amor, só isso era importante.


E depois criou-se a Igreja, e com a sua institucionalização veio o Ódio que havia de marcar a sua forma de encarar a realidade desde os primeiros tempos. Logo poucos anos depois dos cristãos serem mortos das maneiras mais bárbaras nos coliseus de todo o Império Romano, a Igreja encetou as mais variadas formas de perseguição àquilo que era diferente, que incomodava, no fundo, àquilo que Cristo protegeu e protegeria.


A Igreja matou Cristo e matou a sua mensagem. O Amor fez sempre parte do vocabulário, mas nunca das acções eclesiásticas. E foi sempre o Ódio, sempre com a cumplicidade e fomentado pelo fogo do Vaticano, que fez com que milhares de pessoas morressem aos pés da Santa Inquisição e que, hoje, milhares de homossexuais na Polónia e países bálticos vejam a sua integridade física e psicológica barbaramente violadas. Sempre com a colaboração do Santo Padre, sempre com os discursos preconceituosos dos bispos e das práticas horrendas dos padres.


Hoje, o Papa garantiu que "as forças adversas nunca conseguirão destruir a Igreja". Eu tenho a opinião contrária. É que as tais "forças adversas" estão cada vez mais estruturadas e motivadas pelo Amor (movimentos LGBT, feministas, libertários sexuais, amorosos revolucionários). E como a Igreja deveria saber já desde o tempo de Cristo, nem sequer a morte (o úlitmo silenciamento) pode calar a mensagem do Amor.

1 comentário:

  1. só posso concordar (mas ainda acreditavas na igreja?)

    Hugo Ene

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