quarta-feira, 12 de maio de 2010

Baltic Pride I - A Marcha.




Entre os dias 6 e 9 de Maio, estive, como já aqui havia ficado dito, na Lituânia para a convite da Amnistia Internacional para os ajudar a preparar o Baltic Pride, um evento comemorativo do orgulho gay que rotativamente vai acontecendo anualmente numa das capitais dos três países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia). No ano passado, em Riga (Letónia), os manifestantes foram brutalmente agredidos por militantes nazis, fundamentalistas católicos e, de um modo geral, por todos aqueles para quem a população LGBT representa, de alguma forma, uma propulsão para a violência.

Por esta razão, em 2010, a Amnistia Internacional decidiu envolver-se de uma forma mais próxima e efectiva para garantir que a Marcha do Orgulho LGBT de Vilnius se pudesse realizar com toda a segurança. Foi difícil, mas todos juntos, e sobretudo com a coragem inigualável da população LGBT dos países báliticos (que lá ficará para sofrer todas as consequências, enquanto eu me sento aqui, tranquilamente de de forma segura, em casa a dar vida a este escrito), conseguimos!

O ódio, que leva a que a esmagadora maioria das lésbicas e gays lituanos a viver escondidos e a verem a sua integridade física e psicológica continua e impunemente violadas, manifestou-se, obviamente durante a realização da Marcha (embora sempre muito de longe, impedido de se aproximar pelas barreiras policiais) sob a forma de suásticas, cruzes de madeira e slogans que associavam a homossexualidade à infecção pelo HIV.

Ainda assim, a Marcha decorreu com toda a normalidade e foi um momento único na minha curta vida activista. As dificuldades que aquelas populações enfrentam só para poderem exprimir de forma pacífica os seus direitos são, para nós, que temos todas as facilidades em organizar as nossas duas Marchas do Orgulho LGBT, completamente inimagináveis.

Eles arriscam a violência física mais bárbara, a completa exclusão social, o desemprego, a ostracização na escola e no meio académico, a rejeição familiar. Por isso faço um apelo. Nós, que não arriscamos nada, ou não tudo isto, façamos um esforço por tornarmos a comunidade LGBT visível. Pouco importando a orientação sexual, vamos todos participar nas Marchas do Orgulho LGBT portuguesa e, sobretudo, não deixemos calar uma demonstração de afecto no espaço público. Lembremo-nos que lutamos também por aqueles que não podem lutar.

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