segunda-feira, 31 de maio de 2010

A homofobia é, já, uma vergonha.




Dentro de, precisamente, 5 dias, entra em vigor a lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (CPMS). No próximo dia 4 de Junho fica completo um ciclo que compreende uma vitória (ainda que muito pequena e muito parcial, na medida em que não inclui a adopção que é, para mim, muitíssimo mais relevante na regulação da interacção familiar homossexual que o casamento) sobre a homofobia. Apesar da luta acérrima movida pelos sectores arqui-reaccionários e ultra-preconceituosos nacionais, a liberdade, o amor, a igualdade, a luta contra a discriminação venceram.


Estão, aliás, estas forças, destinadas a vencer, sempre. Não obstante o medo que sempre causa a liberdade (veja-se a pãnico e a pressa em acabar com a Revolução portuguesa), as pessoas vão, certamente, habituar-se a mais este passo em direcção à modernidade e em relação àquilo que é correcto, justo e humano, porque "uma sociedade justa é aquela qu não humilha os seus membros". A reacção tentou (através de criaturas como Isilda Pegado, uma lésbica arrematada, dizem muitos) manter e reforçar a humilhação a que todos nós, membros da sociedade portuguesa, e não apenas os homo e bissexuais vínhamos sendo sujeitos.


Pela minha parte sou completa e intrinsecamente contra o instituto do casamento. Muitas vezes cheguei a perguntar-me porque andava, eu que classifico de "horrenda" esse tipo de união, a recolher assinaturas pelo CPMS. A resposta é simples. Acredito que numa sociedade que pretende reger-se pelo primado dos direitos humanos, duas (ou três, ou mais, que também nada tenho contra a poligamia e o poliamor) devem, querendo, poder "oficializar a sua relação perante o Estado" ( e já agora, perante Deus. Mas aí, vá-se lá saber porquê, as Igrejas, e não só a Católica, Têm sido pródigas na manutenção das mais vis discriminações).


Claro que a luta por mais este direito (o casamento monogâmico, excluindo a discriminação) tem na base uma visão "normalista" e "heterossexualizada" da vida conjugal e é, em parte, um presente envenenado, na medida em que imprime um atestado de incompetãncia parental aos homossexuais. Ainda assim, numa sociedade em que a visão de gays (sobretudo) e lésbicas é a de que estes são mais promíscuos (e que mal teria isso, já agora? mas adiante...) e menos atreitos ao estabelecimento de relações "sérias" (aquelas que duram aí, pelo menos, dois anos, penso...porque uma "curte" de uma noite não pode ser séria, embora seja, habitualmente, bastante mais honesta...mas não nos detenhamos, por ora, aqui) e, por isso, menos dignos de verem as suas relações vistas como iguais às heterossexuais, o estabelecimento deste laço conjugal "máximo" irá, com certeza, permitir que uma alteração na aceitação dos casais LGB.


Assim, dia 4 será um dia que representa um progresso genericamente positivo para este país. As demonstrações públicas de homofobia representam, já, uma vergonha para quem as põe em prática. Hoje, um homófobo (tal como um racista, um intolerante religioso, etc.) tem noção do embaraço que o seu comportamento provoca nele próprio e sabe bem que ficará situado no mesmo patamar que um qualquer "cantorzeco" ordinário. Atingimos, neste momento, creio, esta vitória. Utilizar termos como "paneleiro" ou "fufa" para atingir e magoar um gay ou uma lésbica deixou de ser admissível, e quem os utilizar, enquanto insulto, perde qualquer tipo de dignidade, desmorona a sua ética pessoal, reflecte que não tem valores, não tem capacidade cognitiva para perceber o alcance dos seus actos, enfim, "subhumaniza-se". Porque "discriminar não é humano"!.

domingo, 30 de maio de 2010

A estupidez da reacção.





Um conhecido meu costumava dizer que as pessoas mais inteligentes eram de esquerda. Interiormente, desejoso de manifestar a mais aberta concordância, exteriorizava, todavia, algum desacordo com tal generalização e atirava com nomes como Vasco Pulido Valente e Vasco Graça Moura (embora este último, quando obcecado com a defesa de alguma posição ultra-reaccionária, não tenha qualquer problema em repetir os mais idiotas argumentos).

Toda esta histeria da reacção à volta da promulgação do casamento gay por Cavaco Silva me faz, porém, ter uma certa necessidade de concordar com o meu amigo, pelo menos no sentido de que os os mais reaccionários têm uma certa tendência para uma utilização menor do cérebro que as pessoas comuns.

Alguém, no pleno uso das suas capacidades intelectuais, pode, sem ser de forma imensamente desonesta e demagógica, afirmar que Cavaco Silva não é total e intrinsecamente contra o alargamento do casamento a casais de pessoas do mesmo sexo (e mesmo contra a extensão de quaisquer direitos a esta minoria). E têm, ainda, a insensatez de criticar Cavaco por ter promulgado o diploma que legalizou a IVG (sabendo que o actual PR não poderia ter uma posição mais contrária à medida). Atacaram a decisão de Cavaco, baseada, como sabemos, num referendo em que o todo o povo português participou, mas defendiam a realização de um referendo para impedir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Este já acatariam, se o resultado lhes fosse favorável, certamente...

Estas isildas pegado e césares das neves não percebem que lançarem figuras como Bagão Félix (!!!) ou o tenente-coronel João José Brandão Ferreira (quem é este, já agora?) só possibilita que Cavaco (o mais reaccionário grande político português) ganhe uma aura mais moderada, podendo avançar confortavelmente sobre o eleitorado do centro.


Não acredito que possa aparecer um candidato à direita de Cavaco que possa ter uma votação superior a 3%. Acredito, contudo, que a promulgação do casamento gay e, sobretudo, esta campanha da reacção podem fazer Cavaco Silva conquistar um número de votos muitíssimo superior àquele que, eventualmente, perderá. Assim sendo, das duas uma: ou estas patetices da ultra-reacção são apenas uma táctica para que o actual PR conquiste um maior número de votos, ou aquilo que o meu conhecido me dizia se aplica, pelo menos, aos sectores mais extremados da direita: a inteligência que terá, ali, sido, eventualmente, plantada não colheu nenhum tipo de frutos.

sábado, 29 de maio de 2010

Quem passa a votar Cavaco sou eu!




Nos últimos dias, em movimento que começou logo após Cavaco Silva ter declarado promulgar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, uns quantos tontos vieram a público criticar a atitude do PR, porque, resumindo, não terá sido suficientemente homófoba. Criticam-no, ao mesmo tempo, por não se ter regido por princípios e por não ter agido com suficiente calculismo político. Entre "vómitos" e outras reacções alérgicas à decisão de Cavaco, agoiram a reeleição do actual Presidente da República, afirmando "católicos" e outros "césares das neves" que estão a ponderar, seriamente, não votar Cavaco.


A comunicação social, na habitual, perdoem-me a expressão, estupidez que vem marcando o sector, foi, até, ouvir Santana Lopes, como se a opinião da "má moeda" (lembram-se?) conta-se alguma coisa quando o tema é Cavaco Silva. Outros, igualmente desprovidos do mínimo conhecimento político, avançam a possibilidade de surgir um outro candidato à direita (como se fosse possível encontrar um candidato mais conservador que Cavaco...).


A verdade é que Cavaco fez tudo o que pôde para impedir o casamento gay, chegando a recorrer ao TC. Toda a gente sabe que agora estava obrigado a promulgar. Ainda que não o fizesse agora, daqui a duas semanas seria obrigado a fazê-lo pela maioria de "esquerda" que domina a actual composição da AR. Cavaco Silva fez aquilo que essa corja, agora ultra-crítica, andava a pedir desde que se começou a falar do alargamento do instituto às PMS: despachou a "coisa", para nos podermos centrar nos problemas da economia nacional.


O que queriam mais? E que hipóteses têm? Vão votar Alegre? É que não sei se já se apaerceberam, mas os votos nulos, brancos e as abstenções (pela forma como certamente decorrerão as presidenciais) só irão beneficiar Cavaco. Eu começo é a considerar que se aparece mais uma dessas criaturas a dizer que já não vota Cavaco Silva, quem passa a votar no senhor sou eu!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A consciência: Soares, Savimbi e Mobutu.






Mário Soares "acha" que não apoiará Manuel Alegre nas próximas presidenciais. Estas declarações não nos trazem nenhuma novidade, na medida em que, apesar daquele ar de avozinho bonacheirão, participante em eleições por desporto e pelo gosto pela competição saudável, ficou incrivelmente melindrado pela forma como foi cilindrado por Cavaco Silva e, sobretudo, por ter ficado 7 (!!) pontos percentuais abaixo de Manuel Alegre.



Foi desta forma que lançou Fernando Nobre na corrida como forma de fracturar a esquerda e pressionar o PS (que está, obviamente, interessado na vitória de Cavaco Silva, pelas razões da "estabilidade" e do aproveitamento de todos os expedientes que o actual PR tem utilizado para não fazer absolutamente nada no que toca à responsabilização do primeiro-ministro pelo estado do país) a escolher outro candidato que não Manuel Alegre.



Entretanto, Soares justifica a "decisão" com base na sua "consciência". Uma "consciência" que sempre esteve tranquila quando se tratava de realizar as conhecidas "negociatas" com o facínora Jonas Savimbi ou estabelecer uma íntima amizade (e apoio institucional) com um dos mais brutais ditadores que o continente africano já conheceu: Mobutu. Enfim, e depois é este senhor considerado o "pai da democracia portuguesa"...



Notícias: i, Público.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O fruto proibido.

"Uma praia de nudistas é um dos piores sítios para uma perssoa se excitar sexualmente. Se vires bem, não observarás uma única erecção. É que a liberdade absoluta aplaca os instintos: eles só afloram quando existe a sensação do fruto proibido".



Bem....se calhar o facto de 90% dos nudistas terem mais de 80 anos também ajuda....

domingo, 23 de maio de 2010

A "mãe natureza".




Nas cerca de 24 horas em que estive retido nos aeroportos de Londres à conta da nuvem de cinzas do vulcão islandês, nos intervalos em que não me andava queixando das carradas de trabalho que me esperavam em Lisboa e do facto de isso me impedir de poder aproveitar aquele contratempo para visitar a cidade, dei por mim a pensar na extrema limitação do homem em relação à “mãe-natureza”.

Ali estava eu, um membro da espécie mais evoluída que este planeta já conheceu, que domina os espaços terrestres, os mares e os ares, que utiliza todas os outros animais como bem lhe apetece, que cria vida a partir do nada, que constrói, que destrói, que manipula, que imita Deus, completamente desamparado, porque um mero vulcão, num país de que só se ouvia falar por causa do frio e da primeira bancarrota estatal num “país desenvolvido” “decidiu” expelir uma tal quantidade de cinzas vulcânicas que obrigava ao encerramento de espaços aéreos nacionais por toda a Europa. “Como é possível que não se tenha uma solução para isto?”, pensava, praguejando contra todo o tipo de profissões que pudessem ter um mínimo de ligação à engenharia aeronáutica.

Hoje, ao ler um artigo (num Público de há já dois ou três dias - que eu, quando dou 1 euro por um jornal, conservo-o religiosamente até o ter lido de fio a pavio, como se de um livro se tratasse) sobre a escassez alimentar neste nosso planeta, fiquei a saber que as reservas de cereais que acumulamos chegam, somente, para algumas semanas. Assim, conclui eu, sem esconder uma certa nota de pânico mental, se algum cataclismo natural fizer com que as planícies norte-americanas, ucranianas, argentinas e de todos os outros locais do mundo especialmente dedicados à produção/exportação se tornem, num ciclo de colheitas, improdutivas, uma grande parte da população mundial morrerá à fome, e não apenas em África, onde achamos que o atraso tecnológico é que é o causador da subjugação daqueles povos às condições meteorológicas.

O homem vem, há séculos, a remar contra a natureza, sem se aperceber do facto de por ela ser dominado. Pertencemos-lhe enquanto parte integrante e, afinal, a nossa inteligência será sempre diminuta para controlar os seus mais destrutivos cataclismos e imitar as suas criações mais singelas.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O verdadeiro culpado.




O PCP apresentou, hoje, na AR, uma moção de censura ao Governo Sócrates. A direita (PS, PSD, CDS) rejeitou-a, tendo sido, a mesma, suportada somente pelos próprios comunistas, pelo BE e por aquela excrescência comunistas que dá pelo nome de PEV (Partido Escologista "Os Verdes"). Não era preciso ser um analista político de grande gabarito para poder avançar este resultado. A esquerda (BE e PCP) teria, obviamente, de a suportar, sabendo, porém, que nada de bom lhe adviria da (ultra-improvável) passagem da mesma. Têm, todavia, de manter o eleitorado entretido e demonstrar que estão " a fazer alguma coisa".


O PS (curiosamente o mais interessado na queda deste Governo - Sócrates, com a sua hábil técnica de vitimização ainda lhes conseguiria uma segunda maioria absoluta) estava obrigado a votar contra. O PSD não tinha nenhum interesse em votar favoravelmente a medida. O grosso do povo português está longe de ver em Passos Coelho uma alternativa viável a Sócrates e Coelho pretende consolidar-se como "salvador da pátria" antes de avançar sobre o "engenheiro". Para além disso, o líder do PSD, tem a intenção de utilizar a mais que certa retumbante vitória de Cavaco Silva em 2011 para começar a trilhar o caminho que o levará a S. Bento.


O voto do CDS revela, de forma excepcional, a estranha idiossincrasia de um partido que faz da homofobia profissão de fé, tendo, todavia, um homossexual mais do que assumido (branqueamentos dentários, coloração capital, etc!) na liderança. Apesar de não ganharem nada com a abstenção (não estão, nem vão estar, no Governo nesta legislatura, como sempre ambicionou Portas), pretendem aparecer como um partido responsável, preocupado com a resolução da crise.


Afinal de contas, os verdadeiros interessados na queda deste Governo eram, simplesmente, todos os portugueses (ou pelo menos aqueles a quem não calhou o "tachinho" nalguma Direcção-geral ou empresa pública). Sócrates já revelou, penso, ser completamente inapto para gerir uma situação que, afinal, "vem de fora". As fragilidades da economia portuguesa não são, todavia, de proveniência estrangeira e não se resolvem carregando sobre os funcionários públicos e pelo corte nos serviços sociais (afinal, o modo "genial" salazarista de resolver a questão).


No "país real", a miséra espalha-se e o povo empobrece. Todavia, a estratégia montada por Sócrates tem funcionado, e os culpados são a economia mundial, os mercados de capitais e, até, as agências de rating (!!!). E ninguém se apercebe das responsabilidades do Governo, ninguém parece olhar para a Alemanha, Inglaterra ou, mesmo para a França. E enquanto nos atira à cara a poeira dos números do desemprego estrangeiros, o verdadeiro culpado escapa ao olhar embrutecido da população nacional. Até que seja demasiado tarde.


Notícias: Público I e II, i I.




Que valor tem a soberania nacional?




Durante muitos anos, "de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento". Era o inimigo, o país a evitar, o eterno ameaçador da soberania nacional. E Saramago era o tonto, o anti-patriota, o vendido. Na época, Portugal e Espanha eram muito idênticos: pobres, ultra-católicos, conservadores, subdesenvolvidos.


Actualmente, Espanha há muito ultrapassou Portugal: o desenvolvimento económico foi galopante e os espanhóis vivem duas vezes (!!!) melhor do que nós (apesar da taxa de desemprego muito superior, bem sei), o país está moderno, é inovador a nível social, tem grandes cidades, é cosmopolita. É, enfim, hoje, muito interessante.


E, tontos outrora, os iberistas são, nos dias que correm, vistos com outro interesse. Não duvido que, se pudesse, a maioria dos portugueses entregaria a sua soberania a Espanha a troco de meia dúzia de tostões no final do mês. E faziam bem. Afinal, que valor tem a soberania nacional?


Texto motivado pelo seguinte estudo, a ser hoje apresentado.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O país da hipocrisia.

Os homens de Mirandela mantêm a maior concentração de bordéis (agora conhecidos como "casas de alterne") deste país (ainda se lembram das mães de Bragança?) e uma "professora" é afastada por posar para uma revista erótica...e, depois, missa todos os domingos...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Direcção: adopção.






Enganei-me redondamente. Imaginei (sinceramente nem concebi outra hipótese) que Cavaco Silva vetaria o diploma, em sombra para dúvidas, sem pensar duas vezes. Pensei que tudo faria para impedir para que Portugal continuasse a trilhar o caminho em prol da liberdade e da igualdade. Deu a desculpa da economia, da perda de tempo e do facto de, com toda a probabilidade, o diploma lhe chegar novamente em condições em que estaria, constitucionalmente, obrigado a promulgar, e promulgou.



A direita mais reaccionária não lhe perdoará. Duas ou três criaturas da "Plataforma Cidadania e Casamento" já vieram criticar de forma contundente a atitude de Cavaco, dizendo que ficará para a história como o "PR que promulgou o casamento homossexual e o aborto". E muito terá custado a Cavaco. Custo meramente pessoal, porque os votos, esses estão absolutamente garantidos. Nas próximas eleições, e contra Manuel Alegre, todo este "mundilho" de preconceituosos e reaccionários vai engolir mais um sapo e votar pela reeleição do actual Presidente da República.



A luta, agora, é pela adopção. Será uma batalha muito mais difícil já que contamos, unicamente, com um apoio partidário: o Bloco de Esquerda e teremos de levantar barricadas contra o próprio PS. Veremos como se comportam, agora, as associações lgbt portuguesas que alinharam com os socialistas e decidiram abdicar da luta pela igualdade plena. Que farão, agora? provavelmente irão dar algum tempo (dois anos...mais?) para permitir a "absorção" da actual medida, iniciando, depois, timidamente, a campanha pelo alargamento da adopção a casais de PMS. Contem, todavia, ser acossados por todos aqueles activistas que viram sempre este diploma como algo de positivo, mas de menor, de certa forma ainda humilhante e homófobo...



Ainda assim, celebrou-se uma vitória de todos os portugueses. Uma vitória conta a homofobia, contra o preconceito e contra todas as formas de discriminação em geral. Toda a população LGB tem uma garantia de que as suas lutas são justas e terão, inevitavelmente, sucesso: essa garantia é o facto de ser o amor aquilo que nos move.



Parabéns!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A economia e a homofobia.




Hoje, dia 17 de Maio, o Dia Internacional da Luta Contra a Homofobia (IDAHO), o Presidente da República irá, pelas 20h15m, pronunciar-se acerca do diploma sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (CPMS). A menos que algum tipo de milagre se tenha dado nestas últimas duas semanas, a declaração de Cavaco Silva só pode ser no sentido de explicar o veto que irá aplicar ao diploma.


Ainda há alguns que alimentam uma vâ esperança, acreditando, até, que Cavaco sabe o que hoje se celebra. Não faz ideia, mas sabe que a maioria (a larga maioria?) da população portuguesa se posiciona contra o alargamento do casamento civil a casais de PMS e que em menos de um ano terá de enfrentar eleições.


Cavaco é o mais reaccionário Presidente da República Portuguesa desde António de Spínola. Não se esperava outra atitude da criatura que não fosse o veto. Podia, contudo, pelo menos, esperar por outro dia que não o IDAHO para desferir mais um ataque homófobo contra todos os portugueses.


Enquanto não percebermos que a discriminação funciona como um todo (odiar gays é o mesmo que concordar com o espancamento das mulheres, com a discriminação dos chinenes, etc.) não conseguiremos atingir o desenvolvimento (até económico) que queremos para este país. Olham para o mundo e tentem encontrar algum país rico (com justiça e redistribuição) que seja, ao mesmo tempo, homófobo. Não encontrarão...


(mais info: i)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Uma ou duas "dicas" "p'rós" "católicos".




Hoje, em Fátima, o Papa denfendeu "o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher" e condenou o casamento (civil) homossexual como sendo um "dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum".

Claro que a santa criatura já tem uma certa idade (83, creio eu). Ainda assim, há certas coisas que esperava que já tivesse compreendido. Afinal, é um "intelectual" (segundo se diz...).

Em primeiro lugar, o casamento civil homossexual não prejudica a indissolubilidade do matrimónio (que é, e continuará a ser um sacramento puramente religioso). O casamento católico poderá, desta forma, continuar sagrado, tradiciononal, beato e horrendo como até aqui. A igreja poderá continuar, como até aqui, a promover a coerção do prazer sexual e a estimulação da procriação que ninguém mexerá uma palha para a impdedir (os católicos mais fervorosos, perdoem-me lá, mas que se lixem, já que é por vossa vontade que estão "aí" metidos).

Eu, pela parte que me toca, vou continuar a sumergir-me no prazer e luxúria do sexo "não-procriativo" (sempre utilizando o preservativo, já que, ao contrário dos padrecas e das beatas, a mim o HIV preocupa-me), com a certeza de que quando chegar o dia do "juízo final" passarei à frente de muitos daqueles que andaram perdendo a vida em rezas e, de um modo geral, a condenar e a prejudicar a vida alheia.

Depois, e concluindo, um sacramento religioso, num país laico (sim, apesar dos "feriados papais", Portugal é, ainda, um país em que o laicismo é um postulado constitucional) não faz, nunca, parte do "bem comum", mas apenas da fé de alguns.

Uma úlitma mensagem para tosdos os católicos de "trazer-por-casa": e se olhassem para os vossos casamentos tão imaculados e puritanos e deixassem de meter a colherada no facto de eu, se me apetecer, poder vir a querer casar com outro homem? (lagarto, lagarto, lagarto). Pois...agora percebo...se calhar era demasiado assustador.

Frantz Fanon, meditando sobre as independências africanas, aconselhava os recentes movimentos de libertação a iniciarem uma guerra de independência, mesmo que dela não tivessem necessidade para se auto-determinarem, mas somente porque a fragilidade destes colectivos necessitava da criação de um inimigo comum.

Ó "católicos", os vossos casamentos encontram-se, assim, tão na merda que precisam de meter o nariz no meu?



PS: para aqueles poucos que possam ter um remoto interesse naquilo no discurso do Papa: i, Público.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Habemus ratus!






Aproveitando que o "povão" se encontra distraído com a visita Papal e entretido a gozar de um merecido feriado (afinal, Nossa Senhora ainda cá apareceu uma meia dúzia de vezes! Seguidas!), José Sócrates anuncia um enorme aumento de impostos (no IRS e IRC). (Com a ajuda de Pedro Passos Coelho que, afinal, para além de líder do Partido da "oposição" decidiu aceitar o cargo oficioso de camareiro-chefe do primeiro-ministro).



Ao mesmo que tempo que "luta" pelo reconhecimento do direito de gays e lésbicas ao casamento (sem a adopção, porque isso é tão avançado que em Espanha até já existia antes do casamento), senta-se na primeira fila para prestar homenagem a um homem que considera que a revelação dos abusos de menores são uma "cabala" contra Igreja e que afirma que existe uma relação simbiótica entre homossexualidade e pedofilia e concede um dia e duas tardes de tolerância de ponto para que o povo deste país vá prestar o seu tributo a um líder religioso (!?).




Sócrates, sempre um homem de convicções e com uma vincada ideologia. Habemus ratus!!




Reacções au aumento: i.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Baltic Pride I - A Marcha.




Entre os dias 6 e 9 de Maio, estive, como já aqui havia ficado dito, na Lituânia para a convite da Amnistia Internacional para os ajudar a preparar o Baltic Pride, um evento comemorativo do orgulho gay que rotativamente vai acontecendo anualmente numa das capitais dos três países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia). No ano passado, em Riga (Letónia), os manifestantes foram brutalmente agredidos por militantes nazis, fundamentalistas católicos e, de um modo geral, por todos aqueles para quem a população LGBT representa, de alguma forma, uma propulsão para a violência.

Por esta razão, em 2010, a Amnistia Internacional decidiu envolver-se de uma forma mais próxima e efectiva para garantir que a Marcha do Orgulho LGBT de Vilnius se pudesse realizar com toda a segurança. Foi difícil, mas todos juntos, e sobretudo com a coragem inigualável da população LGBT dos países báliticos (que lá ficará para sofrer todas as consequências, enquanto eu me sento aqui, tranquilamente de de forma segura, em casa a dar vida a este escrito), conseguimos!

O ódio, que leva a que a esmagadora maioria das lésbicas e gays lituanos a viver escondidos e a verem a sua integridade física e psicológica continua e impunemente violadas, manifestou-se, obviamente durante a realização da Marcha (embora sempre muito de longe, impedido de se aproximar pelas barreiras policiais) sob a forma de suásticas, cruzes de madeira e slogans que associavam a homossexualidade à infecção pelo HIV.

Ainda assim, a Marcha decorreu com toda a normalidade e foi um momento único na minha curta vida activista. As dificuldades que aquelas populações enfrentam só para poderem exprimir de forma pacífica os seus direitos são, para nós, que temos todas as facilidades em organizar as nossas duas Marchas do Orgulho LGBT, completamente inimagináveis.

Eles arriscam a violência física mais bárbara, a completa exclusão social, o desemprego, a ostracização na escola e no meio académico, a rejeição familiar. Por isso faço um apelo. Nós, que não arriscamos nada, ou não tudo isto, façamos um esforço por tornarmos a comunidade LGBT visível. Pouco importando a orientação sexual, vamos todos participar nas Marchas do Orgulho LGBT portuguesa e, sobretudo, não deixemos calar uma demonstração de afecto no espaço público. Lembremo-nos que lutamos também por aqueles que não podem lutar.

Eli.

"I've loved getting dressed up ever since I was a kid! I choose to take on a feminine gender expressions because I feel more comfortable that way. Like, we don't need any more masculine men on this earth you know. There's so little wiggle room for how you get to act if you're born as a biological man. Life is so much easier if you can cross the lines and be provocative.


I chose my own name. Iwanted to create space to make it easier to be the way I want on any given day; my old name had such limitating associations I want to create my own person, a person I've made up out of my own experiences. I want to choose for myself who I am and who I will be".


Nestes dias em que a "norma" e as "barreiras sociais" ocupam as nossas ruas, aqui fica uma pequena história de alguém que não teve medo de ser diferente.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Do papel do Amor na destruição da Igreja.




Hoje, o sucessor do Papa-Fátima, Bento XVI, rezou a sua primeira missa em Portugal. Confesso que me sinto bastante envergonhado (para não dizer quase enojado) pela forma quase fanática como milhares de portugueses seguem os ditames sem qualquer tipo de questionamento, sem qualquer exercício depensamento, sem qualquer consciência crítica, aceitam tudo, sem substância encefálica posta à prova, sem considerarem consequências de levianamente levarem a sério pessoas que não pensam, não vivem e não enfrentam a mesma realidade que todos nós.


Cristo foi uma homem extremamente avançado para o seu tempo, um revolucionário mesmo (do género daqueles que a Igreja queimou em mui santas fogueiras ou mandou fuzilar, ou atacou violentamente quando se tornou absolutamente obsoleta a "purificação" pelo fogo). Se Cristo voltasse à Terra, não iria, certamente, viver para o Vaticano. Em 33 anos de vida neste mundo nunca preferiu o lado do poder, mas o dos subjugados sociais, movimentou-se sempre nos elos mais fracos e nunca nas mais altas esferas.


Não estaria, nunca, junto daqueles que apanharam, hoje, o comboio (no Estoril) para ver o Papa porque era impossível estacionar o Jipe de 250.000 euros ou fazer o chauffer atravessar as barreiras policiais em Lisboa, mas perto dos que perderam os transportes para um emprego precário porque um país laico concedeu um "feriado" para que se fosse prestar homenagem a um líder religioso (que vá-se lá saber porquê tem direito a governar, também, um Estado soberano). Viveria, contudo, junto dos portadores de HIV, dos homossexuais, das prostitutas, dos desempregados, dos sem-abrigo.


Não teria, nunca, a coragem de condenar um relacionamento homossexual, porque a sua linguagem sempre foi a do Amor. Nunca estabeleceu limites ou critérios para a maneira como esse amor deveria ser exercido, nem nunca se ouviu da sua boca uma palavra limitativa de qualquer prática sexual. Nada, só pregava a Paz e o Amor, só isso era importante.


E depois criou-se a Igreja, e com a sua institucionalização veio o Ódio que havia de marcar a sua forma de encarar a realidade desde os primeiros tempos. Logo poucos anos depois dos cristãos serem mortos das maneiras mais bárbaras nos coliseus de todo o Império Romano, a Igreja encetou as mais variadas formas de perseguição àquilo que era diferente, que incomodava, no fundo, àquilo que Cristo protegeu e protegeria.


A Igreja matou Cristo e matou a sua mensagem. O Amor fez sempre parte do vocabulário, mas nunca das acções eclesiásticas. E foi sempre o Ódio, sempre com a cumplicidade e fomentado pelo fogo do Vaticano, que fez com que milhares de pessoas morressem aos pés da Santa Inquisição e que, hoje, milhares de homossexuais na Polónia e países bálticos vejam a sua integridade física e psicológica barbaramente violadas. Sempre com a colaboração do Santo Padre, sempre com os discursos preconceituosos dos bispos e das práticas horrendas dos padres.


Hoje, o Papa garantiu que "as forças adversas nunca conseguirão destruir a Igreja". Eu tenho a opinião contrária. É que as tais "forças adversas" estão cada vez mais estruturadas e motivadas pelo Amor (movimentos LGBT, feministas, libertários sexuais, amorosos revolucionários). E como a Igreja deveria saber já desde o tempo de Cristo, nem sequer a morte (o úlitmo silenciamento) pode calar a mensagem do Amor.

"Perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".




O Papa Bento XVI chegou, hoje de manhã, ao nosso país. (Parece que a nuvem de cinzas afecta somente o comum dos mortais, aquele que fica, também, inexplicavelmente tocado pela ocorrência de abusos sexuais de infantes). O começou da visita começou já com uma demonstração extremamente hipócrita por parte do chefe máximo da Igreja Católica, na medida em que ousou referir-se ao centenário da República Portuguesa de forma elogiosa, quando sabemos, perfeitamente, a acção extremamente empenhada da Igreja no colapso da I República e na manutenção e sustento da ditadura salazarista.

Cavaco Silva, por seu lado, no seu discruso de boas-vindas, agradeceu a "mensagem de esperança" que certamente o Sumo Pontífice preparou para os portugueses "nestes tempos de incerteza". A mensagem nada tem de subtil, afinal o seu autor também não foi propriamente agraciado com tal característica. O PR não esconde a alegria que sente ao receber o Papa e pretende, certamente, que a visita do Santo Padre possa reconstituir as hostes católicas em torno do seu entendimento reaccionário da mudança social.

O Papa aparece descrito como um mensageiro da paz, paladino da esperança e, até, da liberdade e diversidade. Como é possível este entendimento de uma figura que escondeu abusos sexuais sobre menores, condena o uso do preservativo, contribuindo largamente para a propagação do HIV em África, designadamente, exclui das esferas católicas os teólogos mais brilhantes, fomenta o ódio ao amor entre duas pessoas do mesmo sexo e ataca violentamente o acto mais natural da espécie humana: o sexo.

E é isto crsitão? Foi esta a mensagem que Cristo pediu a Pedro e aos apóstolos para divulgar? Eu sou cristão, e é como cristão que me encontro extremamente desiludido com aquilo que se passa nas mais altas esferas da Igreja. Os sinos das igrejas lisboetas fizeram-se ouvir para receber o Santo Padre, o principal veiculador das mensagens de amor e paz da Igreja. Aquilo que eu escutei, todavia, foi o clamor do ódio a chegar, devagar, mas seguro e a preparar-se, nestes três ou quatro dias (de feriado!?) para se instalar no nosso pequeno território. Deus queria que o sentimento não permaneça.


"Perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A inspiração no regresso.






É com uma certa vergonha que me apercebo de um certo abandono a que votei este espaço na última semana, mas entre a viagem à Lituânia e o dia e meio de retenção nos aeroportos de Londres devido à malfadada nuvem de cinzas vindas do norte.




Espero, sinceramente, poder, nos dias que se seguem, poder relatar a minha experiência de participação nas comemorações do Orgulho Gay num país profundamente homófobo. Foi assustador reconhecer que, ao nível da interacção social, um país da União Europeia pode ser extremamente violento e perigoso para uma pessoa que não escolheu amar outra do mesmo sexo, ou sente que pertence a um género diferente do sexo biológico.




Estamos a falar de um estado-membro da UE, a organização promotora da democracia, defensora dos direitos humanos, que condena de forma extremamente dura a violação das liberdades de pensamento, expressão, organização e manifestação pacífica por toda a África e Médio Oriente (sobretudo), esquecendo-se que não é capaz de as garantir plenamente no seu interior.




Durante esta semana, para além das atoardas com que seguramente atacarei a vinda do Papa ao nosso país, reino do catolicismo do "faz-de-conta", tenho esperança de ter, igualmente, tempo para me debruçar um pouco sobre as diferenças de comportamento social dos lituanos (e dos povos do norte da Europa em geral), sobretudo no que tem que ver com o flirt homossexual.




Um beijo para o diminuto, mas para mim muito importante, punhado daqueles que me lêem regularmente.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A causa perdida.






Manuel Alegre anunciou, hoje, oficialmente a sua candidatura. Não tem qualquer hipótese de vitória sobre Cavaco Silva. A esquerda dividida e a falta de poder efectivo garantem a vitória ao candidato da reacção. José Sócrates, por outro lado, não terá qualquer hipótese senão garantir-lhe o apoio do PS. Ainda assim, a derrota de Alegre é mais do que certa.



Ainda assim, terá o meu voto. Tenho um fascínio pela decadência e pelas causas (completamente) perdidas.



Notícia: i, Público.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Um dia posso ser eu...




Ninguém tem pachorra para a vítima, para quem está frágil, para quem não se conseguiu defender, para quem o sofrimento é, mais do que um estado de espírito permanente, uma atitude perante a vida. Sentimo-nos, todos, no direito de criticar, de perguntar por que é que não fixeram mais, por que é que não souberam resistir, por que é que não fugiram da casa do agressor, por que não responderam na mesma moeda, por que se ficaram...


Depois, quando uma mulher que foi abusada sexualmente, uma criança que sofreu maus-tratos domésticos ou um jovem violentamente espancado por colegas durante anos, não consegue manter uma "vida normal", sentimo-nos no direito de aconselhar "reage!", de nos queixarmos de que "já não há paciência", "outra vez?"; "vai ao médico" aconselhamos com a sobranceria que a nossa via imaculada nos garante.


E tudo isto porquê? Por que nos sentimos no direito (e mesmo no dever) de odiar, menosprezar, ostracizar as vítimas. Porque, afinal, nós somos diferentes, nós teríamos resistido, teríamos mostrado o outro punho e não a outra face. Enquanto nos enganamos com estes argumentos, uma vozinha irritante na nossa cabeça vai perguntando o que faríamos se estivéssemos já tão destruídos que não aguentávamos mais dizer que não, tão magoados que mais uma sova, um insulto, um abuso seriam tão rotineiros como o levantar, comer, respirar...


E é esse murmúrio que nos revela a verdade: a de que bastava um azar, um enquadramento familiar menos benéfico, uma diferença inaceitável para estarmos no lugar do outro, daquela que já não se levanta depois da sessão de porrada, do que já não responde ao insulto e o aceita, do que já não estrebucha perante a violação permanente...E então vem o medo e o outro é o fraco e nós os fortes, ele o estúpido que se meteu onde não devia, eu o suficientemente esperto para resistir sempre...Até ao dia em que o azar nos encontra num momento mais frágil...Até ao dia...

domingo, 2 de maio de 2010

O socialismo e a gaveta.




Foi já assinado o acordo entre o governo grego, a UE e o FMI para "salvar" a Grécia da falência. O maior esforço irá recair, como sempre, sobre a cidadão comum e, sobretudo, sobre aqueles que estão "mais à mão": os funcionários públicos (que perdem os subsídios de Natal e de Férias). Apesar das "garantias" de Durão Barroso, basta ter dois dedos de testa para perceber as similitudes entre as economias grega e portuguesa, a miséria que se vem alargando às classes médias e o estado calamitoso das finanças públicas.

Cavaco Silva, sempre com o mesmo discurso extremamente vago, vem, novamente, alertar para os problemas do desemprego e da queda da economia nacional. Sócrates, que parece ter sido o único que não se apercebeu do estado lastimável do país que governa, ignora olimpicamente os "recados" presidenciais e considera que Portugal tem capacidade de construir um novo aeroporto, auto-estradas e o TGV. E o povo mais simples a ter de arcar com todas as depesas desta megalomania.

A acrescentar a todas estas injustiças, veio a público a notícia de que os Presidentes das empresas do PSI-20 receberam 22,6 milhões de euros em 2009. Umas poucas dezenas recebm anualmente mais de 20 milhões de euros, ignorando o clamor de justiça deste povo acorrentado na pobreza. Perante tamanha injustiça, parece-me que o socialismo está pronto para sair daquela gaveta onde em 76 foi metido. Volta que estás perdoado, pensará, certamente, o povo mais simples. E tremerão os patrões e, na cada vez mais popular expressão marxista, o "grande capital".