sexta-feira, 23 de abril de 2010

Que vergonha...




Ontem, na Faculdade de Direito da universidade de Lisboa, o Professor Paulo Otero, docente da cadeira de Direito Constitucional II, decidiu apresentar o teste que supra apresento. Fiquei completamente estarrecido quando li o respectivo enunciado. Como é possível que um professor catedrático de Direito, numa das melhores faculdades do país faça perguntas tão idiotas numa prova de uma das cadeiras fundamentais do curso? Tudo motivado por uma enorme estupidez e uma visão tacanha e discriminatória da realidade.

O que mais me choca não é, sinceramente, o facto de o referido professor comparar o casamento entre pessoas e animais ou somente entre animais àquele entre pessoas do mesmo sexo. Infelizmente, há muita gente que considera aceitável avançar este tipo de ideias em defesa de um pensamento que tem tudo de bafio salazarento. O mais espantoso é como é que um reputado jurista pode apresentar este tipo de questões. É que são de tal modo imbecis e irrespondíveis que só me fazem considerar que o ensino naquela casa se arrasta pelas ruas da amargura.

E o que terão pensado os alunos LGB que se encontravam naquela sala? A humilhação ao terem de responder àquela pergunta. A vergonha. Um professor de Direito Constitucional considera, 36 anos depois do 25 de Abril, que os seus alunos gays e lésbicas são merecedores, apenas, da mesma consideração que um "casal de animais vertebrados". Como é que não lhe passou pela cabeça o tamanho do insulto que divulgava? Da afronta. Tenho vergonha, e nojo, de viver num país em que isto se pode passar, livremente, numa faculdade de Direito. De Direito! Depois de a Assembleia da República, democraticamente eleita por todos os portugueses, ter decidido que gays e lésbicas são merecedores da mesma dignidade e valor que qualquer casal heterossexual.

Gostaria de terminar agradecendo, e fazendo a devida vénia a Raquel Rodrigues, a luna que teve a coragem de enviar um mail para blogs e alunos contestando esta situação abjecta. Sofrerá, certamente, as devidas consequências. Mas não teve medo, deu a cara por aquilo que é certo, sem pensar nas notas ou na forma como concluirá a sua formação superior, afrontando o ex-Director da FDL. Raquel, o meu mais profundo agradecimento por nos lembrares do que é verdadeiramente importante.

Numa sociedade decente, naquela em que o mais relevante á a aprendizagem dos alunos, este professor teria problemas: o exame seria, imediatamente, anulado e o docente seria, pelo menos, sujeito a um "progama de reeducação" em que lhe fariam compreender que a doutrinação dos discentes não faz parte das competênicas, obrigações ou direitos dos docentes.

E ainda alguém defende que isto não é grave, e que é apenas a emissão de uma opinião "perfeitamente válida"? Tenham vergonha!

1 comentário:

  1. http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=170391

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