domingo, 11 de abril de 2010

O "bom" e o "mau".



Como sempre quando uma pessoa, sobretudo quando o facto se dá de forma algo trágica, toda a gente tem tendência para se centrar naquilo de "bom" que a pessoa terá posto em prática durante a sua vida, escamoteando o "mau" e o controverso.

Tem sido este processo aquele que está sendo posto em prática depois da morte trágica de Lech Kaczynski, Presidente da Polónia. Milhares de pessoas se têm manifestado nas ruas, celebrado missas, chorado a partida do seu Presidente.

Kaczynski tem sido lembrado como uma figura importantíssima na implantação da democracia na Polónia e na luta pela liberdade. Certamente que foi um grande lutador contra a ditadura comunista polaca. Não creio, todavia, que tenha sido um grande defensor das liberdades na Polónia actual, e vários factos servem para o atestar: um catolicismo feroz que roçava, muitas vezes, a intolerância religiosa, a defesa da pena de morte e a proibição de manifestações de cunho LGBT.

Esquecer factos "menos bons" acerca de uma pessoa cujo falecimento aconteceu em tempo recente não é fazer jus à personalidade e contributos da mesma. Desumanizar uma pessoa, recordando, apenas, aquilo de benéfico que terá feito é, sempre, um insulto à memória de quem partiu, até porque implica uma decisão sobre aquilo que é "mau" e "bom" que é sempre variável, sempre subjectiva.

Sem comentários:

Enviar um comentário